Vejam, já que não vi.

Eu gosto de fotografar, sou um entusiasta da atividade. Talvez hoje esse seja o meu maior interesse quando me presto a conhecer um lugar novo. Carrego meu equipamento, que já não é mais uma câmera "point-and-shoot", e sempre registro algo sob meu ponto de vista.

Acontece que o prazer está em registrar situações, fatos e cenários que antes foram absorvidos pelos olhos, degustados pelos sentidos biologicos in loco. Depois disso, seja para recordar ou repartir, passo para o equipamento. Tudo bem, admito que por vezes tenho o prazer de manipular as imagens, como se pudesse emular a tarefa de um criador.

Hoje algo me chamou a atenção (Se você me lê em 2032, talvez isso já seja retrô, ou tenha sido diagnosticado e curado): As pessoas fotografam sem olhar, e depois não compartilham o resultado, nem se quer revisitam as proprias imagens. Mas… O que mais me chamou a atenção é o fato de as pessoas fotografarem a sim mesmas em ritmo constante. Elas vão a lugares, por vezes pela primeira e única vez na vida, e registram apenas os próprios rostos, seja em câmeras de qualquer nível ou em aparelhos celulares (Leitor do futuro, alguém morreu por excesso de radiação emitida por smartphones?).

Interlúdio poético, patético ou patológico.

O "Pau de Selfie".

Escrevi esse monte de palavras, objetivando esse momento. Eu tive um sonho, e nesse sonho as pessoas atrelavam seus celulares a varetas de 1 metro de comprimento, e fotografavam os próprios rostos, imediatemente postando em redes sociais em busca de comentário de qualquer tipo, de aprovação alheia, validação social… Ou para ilustrar poesias de cunho duvidoso.

O "Pau de Selfie".

Fim do interlúdio.

Sabe o que penso? Que nossos olhos (E demais sentidos) estão sendo terceirizados. As pessoas não absorvem nada, fotografam assuntos (Olha mãe, sei falar jargão de fotografo) sem antes usar os proprios olhos. Precisam que eu (e vc) saiba que ela esteve em tal local, com tal cenário ou item histórico… Mas não levam isso na própria memória. Não absorvem o mar, não acompanham o ritmo das ondas…. o reflexo do Sol. chegam no destino, sacam smartphones e "clicam"… Postam… Aguardam feedback de estranhos e seguem para o próximo local, onde o ciclo se reinicia.

E usam "Pau de Selfie".

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