A importância de dar uma opinião sincera

Maior parte de nós passa uma vida inteira a fingir ser algo que não é.

Maior parte das vezes tentamos esconder a nossa “identidade” através de opiniões com o intuito de nos inserirmos numa relação social. Esta técnica de “disfarce” infelizmente tornou-se tão comum perante a sociedade que é vista como um contributo essencial para a obtenção de uma saudável experiência de vida. No entanto, será esta técnica de “disfarce” saudável para nós mesmos?

Graças aos livros de história e à internet conseguimos ter acesso ao facto de que a sociedade já fora controlada desde monarquias até ditaduras, o que porventura são dois governos com uma semelhança bastante interessante, a de ambos restringirem o livre arbítrio de pensamento e de expressão.

Como toda a gente sabe e pode comprovar, em pleno século XXI temos uma forma de governo que nos fornece uma grande vasta quantidade de liberdade, porém, por incrível que pareça nem sempre expressamos o que realmente queremos expressar. Por isso mesmo desafio-o agora leitor, a imaginar-se numa situação caricata em que num bar lhe é apresentado um indivíduo que nunca antes havia visto. Tanto você como o indivíduo, começam a conversar e passado uns minutos de conversa casual, ambos entram numa troca de ideias e o que acontece é que você dá por si a discordar parcialmente ou na totalidade das suas opiniões pessoais. E agora é que a coisa fica interessante, nunca se perguntou porque é que você fez isso? Passo a explicar.

Vamos imaginar que dentro de nós existe um invisível circulo amarelo gigante e dentro desse circulo encontra-se um circulo vermelho ligeiramente menor que o anterior, que corresponde às nossas opiniões.

Quando você começou a conversar com o indivíduo lhe fora apresentado, como o seu objetivo era criar um laço de amizade com o mesmo, um novo circulo muito pequenino, correspondente às opiniões desse indivíduo, apareceu dentro do seu circulo amarelo e consequentemente à medida que o indivíduo ia dando as suas opiniões e você leitor, ia oprimindo as suas, este circulo pequenino armou-se em pac-man e começou a comer o seu circulo vermelho tornando-se ele o gigante.

O que aqui aconteceu foi a aniquilação das suas opiniões acerca do assunto em questão para dar lugar as opiniões adversas.

Isto é o que acontece quando cedemos inconscientemente e de livre vontade aos caprichos de alguém que se tornou no “alpha” de uma conversa, porém é extremamente importante realçar que esta situação só ocorre quando temos um objetivo em concreto definido que visa à afinidade com o indivíduo em questão.

Podemos notar que o mesmo não ocorre no nosso parlamento onde frequentemente ocorrem debates entre os vários partidos existentes na república portuguesa. A defesa do ponto de vista próprio feita com o objetivo de destronar o do “oponente”, tem uma semelhança com a situação anterior, o facto de ambas terem um objetivo, porém repare o leitor que a essência do objetivo é diferente, ou seja, devemos ter a peculiaridade de escolher a essência um objetivo antes de iniciar ou entrar em qualquer conversação. É importante mantermos-nos fiéis às nossas opiniões, afinal de contas são elas que nos distinguem na sociedade. Por isso mesmo vamos pegar neste conceito de debate e aplicar-lhe uma espécie de transmutação de espaço que vise preencher as nossas necessidades, a fim de solucionarmos o problema anterior.

Porque não utilizarmos o debate diariamente, em qualquer lugar? Não devíamos estar preocupados em criar amizades e sim em espalhar a nossa opinião, afinal de contas um amigo não é aquele que concorda com o que nós pensamos, mas sim aquele que aceita a maneira como olhamos para um determinado assunto. Tanto no meio laboral como em qualquer outro meio, o debate é extremamente importante e essencial de modo a transmitir uma ideia nítida, se assim o desejarmos, ao próximo da nossa visão interna acerca do assunto em questão. Por esse mesmo motivo penso que esta transmutação de espaço associada ao debate descrita acima deve ser posta em prática de maneira a providenciar positivamente quem a pratica.

Quando falo em providenciar positivamente quem a pratica refiro-me ao facto de que por vezes a dissimulação das nossas opiniões possa gerar um conflito emocional onde o indivíduo em causa sofre por não ter manifestado a sua opinião. Isto pode desencadear problemas de forro psicológico, o que como é óbvio não é de jeito nenhum bom. Afinal de contas, o que estamos a fazer connosco mesmos é nada mais nada menos de que fazer de nos mesmos, o nosso próprio opressor.

Maior parte de nós passa uma vida inteira a fingir ser algo que não é e quando se dá conta disso, arrepende-se. É uma pena que ainda não consigamos desenvolver um carro para controlar o tempo como no “Back in the Future” de Robert Zemeckis.