O que é o pensamento conservador?

Russel Kirk é considerado o pai do pensamento conservador

Para um conservador, não existe liberdade individual e política se não houver liberdade de mercado. Essa crença na sociedade de mercado se deve a percepção de que o comércio é uma atividade ancestral do homem e que a relação de trocas é a responsável pelo enriquecimento da humanidade — com o comércio vem ideias, dinheiro, oportunidades e tolerância cultural.

Conforme o filósofo e ensaísta Luiz Felipe Pondé, o pai da tradição conservadora é o filósofo norte-americano Russell Kirk (1918–1994). Outros pensadores ancestrais dessa tradição são os escoceses David Hume (1711–1776) e Adam Smith (1723–1790) — fundador da ideia de free market society — e o francês Alexis de Tocqueville (1805–1859).

Essa corrente é edificada em valores tradicionais — “sociedade de virtudes” — e na liberdade — “política da liberdade” –, enquanto que os progressistas, descolados da realidade com ideias abstratas, pretendem “refazer” o mundo como eles entendem que deveria ser, uma “ideologia da razão”.

Pondé crítica o progressismo:

“Outro traço desta tradição é criar “teorias de gabinete” (Burke), que se caracterizam pelo seguinte: nos termos de David Hume (“Investigações sobre o Entendimento Humano e sobre os Princípios da Moral”), o raciocínio político é idêntico ao fanatismo calvinista, e nesta posição a razão política delira se fingindo de redentora do mundo.”

O analista político Denis Rosenfield aponta que é característica da esquerda querer impor o primado coletivo sobre o individual:

“Foi a ideologia de esquerda que construiu a ideia de que o Estado é uma encarnação moral, tendo, em sua elaboração primeira, a tarefa de realizar o Bem maior da história, o que implica impor o primado do coletivo sobre o individual. Segundo essa concepção, cabe ao Estado determinar aquilo que é o bem de cada um, como se os indivíduos fossem incapazes de, racionalmente, escolher o que é melhor para si.”

Com efeito, o pensamento conservador se caracteriza pelo ceticismo com relação às engenharias político-sociais. Acredita que o Estado não deve interferir nas liberdades individuais das pessoas. O papel do Estado é de um “guardião”, garantidor das leis, de contratos, da propriedade e da ordem pública e não de um “regulador” da economia e da atividade social. Sobretudo, o Estado não é um ente superior à sociedade — pelo contrário, é seu servidor e agente.

Um dos ícones do pensamento conservador contemporâneo, o filósofo Roger Scruton aponta que o conservadorismo é uma política de costume, compromisso e firme indecisão e lembra que, para todo conservador, “a associação política deve ser vista do mesmo modo que a amizade: ela não tem um propósito primordial, mas muda a cada dia, de acordo com a imprevisível lógica do curso das coisas entre os homens”.