Aparte

A partir de mim
A segunda metade da minha alma
Segue o rio invisível do tempo

A partir de mim
A segunda metade do meu século
Segue sem que ninguém a entenda

A partir de mim
A segunda metade do meu rosto
Segue sem felicidade 
E não segue o sangue que corre

A partir de mim é que boa parte dos homens
Seguem a vida 
E sinto em mim o peso de boa parte dos dentes
Aqueles que se sobresaltam

Torrões de areia simbilam
Ao tocar o metal, tintilam
Não há tinta, mas escrevem com som
Não há sentido, mas estão na mesma direção

Há um encontro colossal de mentes
Quando dentes se abrem
Mentes fechadas se soltam
Portinholas se desencantam

Brilhantes de rubi tem cor mais forte
Pontam entre si como num bussolar
Entreflecham-se como num ensolarar
Feito animais de grande porte

Sempre ao fim procuro
Encerrar e por desfecho
Iria e tinha o que fazer
Mas por pura desistência
Acabo por aqui
Sem rima, sem novidade
Por vontade Pura

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