Catábase

Eu descobri uma palavra nova: catábase. E junto com ela tenho experimentado as idades novas em meu corpo. Hoje faço 38 anos, muito além do que imaginava a minha criança. E ainda assim continuo criança.

Catábase (do grego κατὰ, “baixo”, βαίνω, “ir”) corresponde a qualquer forma de descida. Porém, na mitologia o termo é usado para se referir à descida ao mundo inferior (mundo dos mortos). Vários personagens na literatura baixaram aos infernos, como Orfeu, Odisseu, Aquiles, Eneias e mesmo Dante, na obra Divina Comédia.

Parece ruim, mas a catábase é um mergulho em si necessário. Uma respiração. Uma renovação. Nossa sociedade hoje evita a morte a todo custo. Sustenta para além do tempo coisas que já deveriam ter ido. Que já deveriam ter renovado. Que já deveriam ter aberto a porta ao jovem.

Comecei a me relacionar com a morte de uma maneira muito viva.

Junto com tudo descobri que vou morrer. Não que já não soubesse. Mas meu corpo evitava saber. Vou morrer. Como qualquer outro ser que pisou nessa terra eu vou passar. Como a primavera. E como o inverno rigoroso. Comum. Corriqueiro. Banal.

Talvez eu vire adulto de vez depois dessa viagem. Ou uma criança enorme. Mas sinto que algumas coisas começam a apodrecer. E poderão servir maravilhosamente bem de adubo.

Parece fúnebre esse meu papo. E nem é. É um mergulho, uma descida. Um impulso. É a morte. Mas é a morte viva.

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