É, não tinha que ser com você.

É... A gente se engana tanto, não é mesmo?

A gente vê a pessoa com quem um dia a gente se envolveu de repente “assumir compromisso” com outra pessoa, e é bem estranho. E aí isso se repete várias e várias e várias vezes, porque você tem um coração vagabundo que acaba se apaixonando por uns três ao mesmo tempo. Mas sempre tem um ou outro que é mais sério. Que o coração bate mais alegre. E geralmente é porque ele corresponde, vocês criam uma historinha, um je ne sais quoi, até que PÁH. Tinha uma outra ali na jogada o tempo todo e ela é alçada à primeira dama.

Aí você se sente tão trouxa. Justo você, que achou que estava fazendo “tudo certo”. Mas diacho… o que é a coisa certa?

Você bebe com ele, come toda a sua porção e arrota na mesa. Nada.
Você joga com ele. Manja do jogo, platina a parada. Nada.
Você é toda mocinha girly, comportada, educada, exemplo da nação. Nada.
Você fala palavrão pra caralho. Nada.
Você já foi loira / morena / ruiva / cabelinho natural. Nada.
Você faz loucuras na cama. Manja do que tá fazendo. Nada.
Você tem um corpo “padrão”. Não é gorda. Não é magrela. Nada.
Você fala sobre política, religião e futebol com desenvoltura. Nada.
Você sabe trocar um pneu. Nada.
Você tem as unhas longas, se maqueia lindamente. Tira o batom vermelho, bota o batom vermelho. Nada.

Então o que diabos faz você ter tantos “ex” que mal consegue contar, mas no final das contas ninguém “oficializa”? Como você não evita o pensamento daquela maldita frase “O que há de errado comigo?”.

Miga. Não tem nada de errado com você. Na verdade, talvez seja justamente o contrário. Deus me puna com a ausência de pão e feijão pro resto da minha vida — minhas comidas favoritas no mundo — se eu estiver mentindo, mas quantas vezes eu já ouvi dos ex-qualquer-coisa “Você é muito boa *insira aqui algum elogio à algo que eu tenha feito naquele instante*. EU NÃO MEREÇO VOCÊ”.

A gente fala de uma forma meio jocosa que os homens não aguentam as mulheres que são mais ‘poderosas’ que eles. Que são mais independentes. Que eles tem medo. Vai ver é verdade. Vai ver eu e você, que somos livres e vivemos a vida dessa forma ‘masculinizada’, não somos a mulher ideal pra estampar um status de relacionamento no Facebook. Vai saber.

Ou vai ver não é nada disso! Vai ver é o contrário da música da Elis: “É, Não tinha que ser com você”. Vai ver o destino te livrou de um Exu e você tinha mais é que agradecer pelas ciladas evitadas.

Mas se tem uma coisa que posso dizer, por experiência própria, é isso: Nós somos a lasanha. Evento especial. Não nascemos pra ser arroz com feijão. Só que aí tem aquela: Ninguém come lasanha todo dia, não é mesmo? Todo mundo gosta, mas quem é que aguenta? Muitos podem até sonhar com isso, mas no final das contas a realidade é bem diferente.

Então aceite que você é diferente. E foda-se o rotineiro, foda-se o arroz com feijão, foda-se o básico! Seja a melhor fucking lasanha que você puder ser. Seja inesquecível!

E se algum dia ele chegar com a barba cheia de molho… Well, oops. I did it again.

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