A MELHOR RECEITA É UMA BOA HISTÓRIA.

Tielo Rios
Jul 25, 2017 · 2 min read

O México sempre me fascinou.

E nada tem a ver com El Chavo Del 8.

Embora confesse, sou fã declarado.

Aliás, tenho pouca confiança em quem não moldou seu caráter vendo o menino do barril tomar cascudos.

Mas o ponto aqui é outro.

O México tem cores, músicas, sombreiros e ponchos, e aquelas igrejas pequenininhas — bem no meio do nada — que só poderiam existir lá.

Ninguém farreia como o mexicano. A música é sempre animada, el tequila sempre abundante (sim, é “o tequila” e não “a tequila”) e a comida é sempre quente.

O México sempre me fascinou. Principalmente pela comida.

Uma paixão que levou à outra.

Foi meio que por aí que conheci minha namorada.

Não teve novela mexicana. Nem drama, nem teatro.

Mas sempre teve comida. E a do México, é a nossa favorita.

Então a gente decidiu: vamos fazer um curso. Daqueles com chef de cozinha bacanudo, que manje das paradas e tenha uma barriga de respeito.

A gente não confia em quem cozinha e não tem barriga.

Conhecemos o Eduardo Ogro. Que de Ogro não tem nada.
Mas é um monstro de cozinheiro.

Aprendemos sobre pimentas, ingredientes, emulsão e, principalmente, história.

Eu não sabia, por exemplo, que o burrito foi um prato criado para ser levado no bolso de operários mexicanos, que precisavam passar dias na estrada até chegar à fronteira do Texas e tentar um trampo por lá.

Por isso, o nome Tex-Mex. “Mas nunca repita isso. Os mexicanos se ofendem. É pejorativo”. Palavras do Eduardo. Falei que não era Ogro?

Na América a comida é cara, o trabalho era pouco e a conta não fechava.

Por isso, os trabalhadores mexicanos pegavam o feijão, o arroz, um pouco de carne, pico de gallo (um tipo de vinagrete apimentado), enrolavam em uma tortilla de trigo, metiam no bolso, montavam no burrinho e caiam no mundo.

Daí o nome burrito.

Talvez, se eu não conhecesse a história, não teria entendido a mecânica de como montar um burrito.

Tem que ficar bem firme, se não os ingredientes não se amarram e o prato desmonta.

No meu trabalho, sempre que um cliente novo aparece, preciso e procuro saber tudo a respeito dele. Geralmente, a solução do problema, está no próprio problema.

O processo criativo não existe sem o processo perceptivo.

Portanto, se você quiser desenvolver algo para o futuro, mudar a fórmula, ou como dizem na cozinha, fazer uma bela emulsão. Bem, antes de tudo, conheça e domine a história do seu produto.

E aqui vou eu, dia após dia, juntando os ingredientes, montando o meu burrito.

Ou talvez eu seja o burro.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade