Esse é sobre abraços.

Porque no momento tudo que eu tenho nos braços é um monte de memórias e eu não sei o que fazer com elas.

  • Aquele terceiro lugar que pareceu primeiro. Fazia muito tempo que eu não ficava tão feliz. Na verdade, acho que menos de um mês, mas um mês em depressão, um mês chorando todos os dias, um mês sem conseguir falar com ninguém, um mês sem ter resposta de “por que coisas ruins acontecem com quem não machuca ninguém?”. Pra mim, toda a corrida contra o tempo, todas as pequenas vitórias, todo o pintar cartazes pra tirar a cabeça da vida, tudo teve um quê a mais de sentido: me mostrou que ainda havia esperança. O teu abraço foi a cereja do bolo, prolongou o sentimento, me deixou leve por um ou dois dias, até eu perceber que não ia ser tão fácil.
  • Teve uma vez em que nós estávamos naquela nossa coisa de deixa-eu-sentar-no-teu-colo-aí-a-gente-conversa-sobre-a-vida-e-se-pega-ao-mesmo-tempo e tu me envolveu com os teus braços, admirado como o meu corpo parecia minúsculo junto do teu. E ali, ali foi um dos melhores momentos da minha vida.
  • O segundo dia do enem foi cruel comigo. Fazia tempos que uma prova não me deixava tão nervosa, do tipo “pelo amor de deus vai acabar o tempo eu não sei o que fazer alguém ajuda”. Quando eu saí, com míseros quinze minutos de folga, não conseguia mais pensar, estava num completo burnout. Mas eu sabia que lá fora tu estaria me esperando com os nossos amigos pra irmos comer o mais merecido sushi de todas nossas vidas. Desci as escadas correndo e ignorando o fato de que quase ninguém sabia da nossa proximidade relâmpago, porque tudo que eu queria era me encolher nos teus braços pra me sentir segura de novo.
  • Nós tínhamos almoçado naquele restaurante que era chique demais e sério demais pra dois babacas como nós, que fazem brincadeira com tudo que têm ao alcance. Decidimos comer um chocolate e isso te levou a passar a tarde inteira no meu apartamento. Em um momento tu levantou e voltou segurando o celular, pesquisando qualquer coisa. Passou um minuto e tu me contou animado que eu tinha acabado de passar na faculdade, ganhando bolsa. “Levou um segundo pro mundo inteiro mudar. De repente eu estava lá, nua, te abraçando com tanta força que o ar me sumia”. Esse foi um daqueles instantes em que eu me senti pequenina-e-também-gigante.
  • O último. Tinha que ser forte, apertado, longo, eu nas pontas dos pés, como o primeiro. Não dava pra ser deitado.

Publicando porque eu ouvi que “escrever só pra si mesmo é inútil”.
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