ATÉ ONDE VAI A CRISE NO BRASIL

O pior já passou e podemos vislumbrar um cenário pouco mais otimista para 2016. Com o cenário de alta na inflação e taxa de juros, abre-se uma janela enorme de oportunidades para o investidor, que pode obter uma remuneração maior nos seus investimentos. Para isso, precisamos entender o que nos espera nesse ano no Brasil.

por Simone Mota, economista.


Não é novidade que o país vem em cenário de forte desaceleração econômica, enfrentando dificuldades no orçamento público e com uma crise política que se estende ainda sem resolução. O fator político tem sido um grande entrave para o desenrolar dessa crise. A perda do poder de compra das famílias leva as pessoas a repensarem suas estratégias de consumo e de investimento. Boa parte da culpa é da má condução do gasto público no passado e da política monetária e fiscal.

Encerramos o ano de 2015 com uma inflação de 10,67% ao ano o que acende o temor de uma nova fase de inflação alta.

O brasileiro já conviveu com esse fantasma no passado recente e teme muito a sua volta. O instrumento usado para “segurar” essa alta inflação é a taxa básica da economia. Quando a inflação sobe o governo sobe também a taxa de juros. Pode parecer paradoxal, mas o remédio para controlar a inflação é frear a economia. O juro alto tem o objetivo de frear o crédito, porém, esse é um remédio amargo que, como consequência, desestimula o investimento.

O juro básico é uma referência importante para os agentes (pessoas, empresas, bancos) e, assim, todos criam expectativas sobre seus desdobramentos. Ao não serem cumpridas, o mercado muitas vezes se decepciona e o resultado dessa incerteza é bem danoso. Quando um banco não tem muita convicção quanto o juro no futuro, ele passa a se disponibilizar a emprestar dinheiro somente com muita margem de erro, para garantir seus lucros. Por exemplo, se a taxa que o gera lucro hoje é de 20%, a instituição bancária vai pedir 25% , contabilizando a incerteza quanto ao futuro e garantindo uma margem que poderá ser importante no cenário em que ele não consegue prever os próximos passos da economia.

Nesse sentido o banco central decepcionou a expectativa do mercado de aumento na taxa de juros no início desse 2016. Acreditamos que apenas mais uma elevação de taxa não seria a solução. Precisamos de um conjunto de ações, políticas, monetárias e fiscais que devem andar juntas. Além disso, o ajuste fiscal nas contas públicas e a redução dos gastos do governo são muito importantes para tornar mais saudável nossa economia. É importante uma ação de curto prazo para arrumar a casa, mas ela não altera o fato de que são cruciais as reformas políticas e tributárias.

De 2008 até 2012, o governo forçou a queda da Selic ao patamar de 7,25%, o que estimulou artificialmente o consumo e vem provocando uma nova escalada da inflação.

Em meados do ano de 2012, na tentativa de preservar o Brasil da crise econômica externa, o país fez uso de alguns incentivos que, de certa forma, mantiveram a economia aquecida. Dentre esses artifícios estão a política de crédito fortemente incentivada juntamente com a expansão da política fiscal (aumento de gastos do governo). Além disso, o consumo das famílias também foi incentivado — através do crédito — para manter o nível de crescimento. Com esse processo, foi injetada mais moeda no mercado o que gerou a tão temida inflação, que é a desvalorização do dinheiro ou a perda no poder de compra dos brasileiros. Todo o avanço parece ter sido perdido com esse último recuo de renda e PIB.

Segundo o estudo feito por Ana Maria Barufi, estima-se que mais de 3,7 milhões de brasileiros deixaram a classe C, voltando para classe D e E, conforme dados da Pesquisa Nacional de domicílios (Pnad) e da Pesquisa Nacional de emprego (PME). Esse é o efeito danoso da inflação, as mais afetadas são as famílias de menor renda. Resultado de políticas expansionistas de curto prazo, que apenas apagam o incêndio dando a falsa ilusão de crescimento, mas que são insustentáveis no longo prazo.

A expectativa é uma retração na produção industrial e de serviços internos do país que vão intensificar a redução de 3,5% do PIB em relação ao ano passado. Consequentemente, as demissões e o desemprego vêm aumentando consideravelmente. O relatório emitido pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) — que colocou Brasil e China como desaceleradores da economia mundial — reflete a inconsistência do país em fazer políticas para reverter essa situação.

Para esse novo ano, temos como desafio a estabilização da economia, volta da confiança dos investidores e dos consumidores. O reajuste da política fiscal é algo bastante desejado e que, espera-se, que seja realizado.

Quanto às oportunidades, títulos atrelados a inflação continuam sendo uma grande escolha. Conforme o perfil do investidor, pode-se buscar ativos de diversos prazos e riscos. Contudo, hoje é possível ganhar, de forma conservadora, a taxa de inflação mais 7% ao ano, resultando em um rendimento anual de 18%. Essa taxa já é relativamente atrativa, mas outros investimentos podem ser até mais.

Contudo, além de saber sobre o cenário atual, a capacitação financeira se torna cada vez mais necessária para toda a sociedade. Muitas pessoas não conseguem controlar o seu orçamento, gastam mais do que ganham e acabam ingressando em dívidas e levando uma vida de dificuldades financeiras. Outras até conseguem administrar suas dívidas, porém não sabem onde e como investir seus recursos para otimizar seus rendimentos. No contexto em que a economia se encontra é importante estar atento as mudanças na política econômica do país e nas mudanças e tendências do mercado.

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