COLOCAR TODOS OS OVOS EM UMA CESTA OU UM OVO EM CADA

O quanto é importante investir em conhecimento do mercado e no entendimento profundo de seu perfil de investidor para o seu sucesso financeiro.

Ao começar a investir não demora para surgir uma série de dúvidas: como devo montar minha carteira, qual será o meu perfil, onde devo buscar informação, qual fonte de informação é confiável? A verdade é que essas dúvidas nunca param de surgir. É claro, elas vão mudando conforme vamos entendendo mais o mercado e a nós mesmos, mas elas acompanharão toda nossa vida. E isso é ótimo. Investidores e profissionais de investimento concordam que as perguntas são muito mais importantes do que as respostas e são o único caminho para a satisfação nos investimentos.

Uma das perguntas mais recorrentes é se devemos diversificar ou pulverizar nossos investimentos.

Diversificação ou pulverização

Pulverizar é escolher uma grande quantidade de ativos aleatórios e sem uma lógica na combinação deles. Por exemplo, um investidor que tenha seu dinheiro investido em fundos de renda fixa de seis instituições diferentes. Na prática, ele não está diversificando, mas sim investindo em um único produto em lugares diferentes. Outro exemplo, um investidor busca diversificar seus recursos, porém leva tudo para o mercado imobiliário: compra terreno, galpão, sala comercial, estacionamento e casas. Na prática, todos esses bens possuem a mesma correlação, andam juntos e, sendo assim, não há uma diversificação e sim a pulverização dos recursos.

Ao contrário, podemos afirmar que estamos diversificando se estruturamos nossos investimentos de modo que, ao obtermos um mau resultado em determinada parte, ele for compensados por outros produtos financeiros que possuírmos na carteira. Investir em ouro e ações é um exemplo: no caso de uma crise, espera-se que o ouro suba e as ações caiam.

Sou um investidor conservador ou agressivo?

É de se esperar que o investidor mais agressivo obtenha maiores retornos do que o conversador em um cenário positivo, entretanto, ele enfrenta maiores riscos. Nem todos temos o estofo emocional e o tempo necessário para conseguir manter uma atitude agressiva em relação aos investimentos, já que ela demanda energia e tempo altos. Poderíamos listar uma centena de empresários com esse perfil e com grande sucesso.

Assim, podemos pensar nos seguintes quesitos na hora de entender nosso perfil:

Pensando em quatro combinações de perfil de investimento, os potenciais de rentabilidade seriam os seguintes:

Conhecimento e perfil sob o ponto de vista do potencial de retorno nos investimentos

Com o gráfico, deixamos claro o óbvio: quanto maior o conhecimento e maior o envolvimento com os investimentos, maior o potencial de retorno.

Entretanto, podemos afirmar algo que não é tão claro:

A pior combinação é um investido arrojado com baixo conhecimento.

Não existe nada mais arriscado do que ser agressivo em um campo que não se conhece, diferente de quando o nível de conhecimento é elevado e o arrojado pode aproveitar oportunidade únicas e ousadas. Fica evidente o alto impacto do conhecimento no retorno dos investimentos.

Caso a escolha seja não investir em conhecimento a melhor opção é ser conservador e se contentar com alternativas que ofereçam um rendimento muito próximo da inflação. O Brasil é hoje o maior pagador de juros do mundo, o que torna a renda fixa uma alternativa segura e altamente rentável.

Porém, podemos afirmar sem sombra de dúvidas: o investimento em conhecimento ainda é o que obtém maiores resultados. Livros, cursos e ajuda especializada são ótimas maneiras de aumentar o seu entendimento sobre o mercado e sobre o seu perfil de investidor.

Entender o seu perfil é tão importante que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), entidade responsável por gerir e desenvolver o mercado de capitais no Brasil, obriga que as instituições financeiras mantenham sempre atualizados os perfis de investimento de seus clientes, de modo que eles só possam adquirir produtos financeiros que estejam dentro de seu perfil e de sua tolerância ao risco.

“A CVM editou, em 13/11/13, a Instrução nº 539, que trata do dever de verificação da adequação dos produtos e serviços ao perfil do cliente (suitability) na esfera dos valores mobiliários. A partir de 5 de janeiro de 2015, os referidos participantes terão, obrigatoriamente, que avaliar e classificar seus clientes e produtos em categorias específicas, de modo a determinar a compatibilidade entre os objetivos, situação financeira e conhecimento dos primeiros e as características dos segundos.” (site ANBIMA: http://www.anbima.com.br/informe_legislacao/2013_019.asp )

Ao abrir uma conta em uma instiruição financeira o cliente responde a um teste e esse será um rótulo limitador dos produtos financeiros que serão possíveis de acessar. Um cliente que ao responder o questionário e o teste indicar como conservador não poderá comprar debêntures ou ações com nenhum valor. Um conservador não pode ter nem 5% do seus recursos em um título de dívida de uma empresa.

É claro que existe uma saída, preencher o perfil novamente com outras respostas. Pode parecer estranho, mas o posicionamento das instituições para um cliente que reclame do resultado do teste é a que o teste deve ser respondido novamente. Se tratando de uma obrigatoriedade a instituição financeira não tem escolha e deve seguir as normas.

O assunto, perfil do investidor e conhecimento, são tão sérios que foi preciso uma lei que tratasse do assunto como obrigatório. Em parte porque os investidores não reconhecem e exigem saber mais sobre o assunto e em parte porque as instituições financeiras não estão muito preocupadas com o auto-conhecimento de seus clientes. Evidente que isso é uma generalização, mas existe uma lógica por trás dessa ideia. Pensem em qual seria o sentido de um banco promover o auto-conhecimento dos investidores. O que ele ganharia com isso?

Os consultores e assessores financeiros são profissionais que podem ter o interesse de conhecer o cliente, visto que frequentemente não estão ligados a uma única instituição, e seu o interesse maior é prestar um serviço de auxílio nos investimentos. Contudo no Brasil somente 6% da população procura ajuda especializada, conforme resultados obtidos pela “Pesquisa Global de Sentimento do Investidor”, realizada pela Franklin Templeton no primeiro trimestre de 2015.

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