Por que o medo do mobile?

Trabalhando como Social Media em agência de publicidade, sempre precisei conferir o desempenho e engajamento dos anúncios. Ao passar os dados para relatórios, percebia a predominância do acesso por dispositivos móveis. Em algumas páginas, quase 100% dos acessos. Quando elaborava o briefing para produção de novas peças, adaptadas para smartphones (fontes mais claras e legíveis, formatos adequados), eu ficava surpresa, pois recebia imagens que só funcionariam em desktop. Parecia que adaptar para mobile era um bicho de sete cabeças.

As pessoas gostam de dizer que não sabem trabalhar com mobile, mas elas sabem trabalhar com pessoas, certo?

É só pensar na sua rotina diária. Quem trabalha na frente do computador por muitas horas não deseja passar o restante do dia na frente do mesmo. Você fica grudado no smartphone, isso sim. Mobile é só um novo local, mas tem as mesmas características. São as mesmas pessoas fazendo as mesmas coisas de sempre, apenas de uma forma mais instantânea.

Nós continuamos nos conectando para conversar, conhecer pessoas, namorar. A diferença é que antes usávamos o chat do Terra, o mIrc, ICQ, MSN Messenger. Hoje temos Facebook, Happn, WhatsApp, mas sabe-se lá até quando. Afinal, qual a diferença entre o Instagram e os fotologs? #Reflita

Continuamos conversando com amigos, pagando boletos, anotando lembretes, assistindo vídeos e fotografando. Agora usamos aplicativos novos, mas sempre fizemos isso.

Mobile é um novo local (e convenhamos que não é tão novo assim), que acompanhou as transformações tecnológicas. É apenas uma forma mais rápida de fazer tudo o que já se fazia. E é provável que, dentro de poucos anos, já estejamos nos conectando de outras formas, por novas plataformas.

Há pouco tempo, conheci uma senhora de cerca de 70 anos nas férias. Ela me mostrou seu smartphone de última geração, cheio de recursos e com TV integrada. Sabe por que ela optou por um modelo tão avançado e tecnológico? Ela queria poder assistir às novelas da tarde, do Vale a Pena Ver de Novo, mesmo quando estivesse fora de casa. E esta motivação foi o suficiente para aprender a manusear um aparelho novo para ela. São as mesmas pessoas, fazendo as mesmas coisas, com os mesmos interesses, apenas acessando de outro jeito.

As empresas que vendem produtos e serviços precisam acompanhar e entender as mudanças. O importante é definir o que você vende, realmente. Por exemplo, se você quer vender meios de transporte hoje, provavelmente não venderá carroças e, sim, itens mais sustentáveis e práticos, conforme o que seu público procura. Daqui a algum tempo, estes novos itens já terão versões mais modernas, econômicas e adequadas ao momento atual.

Na comunicação, acontece a mesma coisa. Se uma empresa deseja distribuir conteúdo de valor para seu público, ela deve distribuir onde este público está, em vez de ficar engessada nas mídias que mais conhece ou gosta.

O importante é lembrar que, no fim das contas, ainda somos pessoas. Fazendo as mesmas coisas, de novas maneiras, com novas tecnologias. Mas sempre pessoas, vivas e conectadas.

Mariana Reis