Atiradores de elite em frente a filial do banco Kreditbanken, na praça de Norrmalmstorg, Estocolmo.

Aqueles 43% de Estocolmo

Tudo começou com Jan-Erik Olsson entrando com uma metralhadora e explosivos na agência bancária que ficava na região central da cidade de Estocolmo na Suécia, no dia 23 de agosto de 1973. Olsson disparou contra o teto e imediatamente fez três funcionários como reféns para tentar, em troca da liberdade deles, conseguir uma boa quantia em dinheiro com a polícia e, assim, fugir do país.
Por exigência do assaltante, Clark Olofsson (um dos bandidos mais famosos da Suécia), que Olsson tinha conhecido na prisão, foi levado ao banco para fazer parte do esquema e conseguir fugir também.
Acontece que após seis dias de assalto, algumas partidas de baralho e longas conversas dentro da agência bancária, os criminosos e os reféns eram praticamente amigos de infância. Na saída do cárcere eles protegiam os assaltantes rodeando Clark e Jan-Erik para que não fossem machucados pela polícia.

Essa história é real e deu origem à Síndrome de Estocolmo, batizada com este nome pelo criminologista sueco Nils Berejot (que trabalhou com a polícia no assalto). Lendo novamente sobre o caso encontrei semelhançans intensas com os dias atuais aqui em terras tupiniquins às vésperas da escolha de nosso novo chefe de estado:

  • Tem gente sendo assaltada sem se dar conta do que está acontecendo;
  • Tem gente exigindo que preso seja libertado para fazer parte do assalto;
  • Tem gente defendendo o assaltante, mesmo sabendo que ele está errado;

Sobre o título que dei a este texto? A última pesquisa IBOPE divulgada nesta terça-feira (23) mostrou que considerando apenas os votos válidos, Jair Bolsonaro (PSL) tem 57% das intenções de voto, contra 43% de Fernando Haddad (PT).

ARAGUAIA, Mariana. “Síndrome de Estocolmo”; Brasil Escola. Disponível em <https://brasilescola.uol.com.br/doencas/sindrome-estocolmo.htm>. Acesso em 24 de outubro de 2018.