Filmes Doidimais: Two-Lane Blacktop — Corrida Sem Fim (1971), All Quiet on the Western Front — Nada de Novo no Front (1930),Bau Travail — Bom Trabalho (1999) ‪#‎resenha‬

Assisti nas últimas semanas vários filmes, e os que seguem abaixo são os mais doidimais! :D Recomendo todos!

Two-Lane Blacktop (1971) — USA, Diretor: Monte Hellman

Assistimos Two-Lane Blacktop (1971) ou Corrida Sem Fim (uma ótima tradução brasileira, as traduções de títulos feitas na década de 50,60 e 70 no Brasil são as melhores de todos os tempos). É um dos 250 Melhores Filmes pela lista da Sight & Sound | The International Film Magazine

Classico do cinema da contracultura dos anos 70, James Taylor (novim e bonitão) é um corredor de carros que entra em uma disputa com um produtor de tv que abandonou tudo para cruzar os Estados Unidos. Um filme muito original, existencialista, silencioso, e influente pra caralho, dá para ver de onde veio a cinematografia do primeiro Mad Max, por exemplo.

O filme também é quase um documentário da cena de corrida na Rota 66, com tomadas bem realistas, interação dos atores com pessoas de verdade. Como muitos filmes dos anos 60, os personagens de Two-Lane Blacktop estão perdidos, em busca de suas identidades, cada um isolado e desconectado emocionalmente dos demais, tentando construir algo novo dos fragmentos da explosão cultural dos anos 60. Um filme muito interessante e originalíssimo, recomendo! 4 Estrelas em 5!

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All Quiet on the Western Front — Nada de Novo no Front (1930) | Diretor: Lewis MIlestone.

Um dos melhores, senão o melhor filme de guerra (ou melhor, anti-guerra) de todos os tempos, um marco importante do cinema, e até hoje, pela versão remasterizada da The Criterion Collection, repleto com algumas das melhores cenas de guerra que já vi (diferente da confusão de imagens e câmeras sacudidas que ficaram tanto em moda a partir dos anos 90).

O filme, baseado no clássico da literatura alemã de Erich Maria Remarque (que tem até uma sequência, The Road Back) é uma obra prima, mostrando o ponto de vista dos jovens alemães que foram levados a entrar na guerra entre a Alemanha e a França iludidos pelos delírios nacionalistas do Kaiser.

Incrível como um filme desse naipe, com uma mensagem clara de que a Guerra é uma coisa horrenda que não deixa vencedores, apenas perdedores de todos os lados, que deixa cicatrizes e traumas, e que, no final das contas, é sempre movida por interesses econômicos e políticos de poderosos que estão pouco se lixando para os jovens que enviam para o sacrifício, não conseguiu conter a ascenção do Nazismo e o sacrifício de mais uma geração de jovens alemães nessa insanidade. Um detalhe : o livro original e sua sequência foram banidos e queimados pelos nazistas.

Fica a recomendação, é um dos filmes da lista dos 250 melhores filmes de todos os tempos da Sight and Sound, e eu posso dizer sem medo, um dos melhores filmes que já vi na minha vida!

Assistido em 27/05/2015. N.N.

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Beau Travail — Bom Trabalho (1999) | França, Diretora: Claire Denis

Um filme originalíssimo, poesia visual pura, onírico e existencialista ao extremo, e que me faz querer assistir mais filmes, muito mais filmes de diretoras (para quebrar a festa da salsicha que ainda compõe grande parte da história do cinema). Beau Travail é uma recriação da história do marinheiro Billy Budd, do Herman “Moby Dick” Melville, mas usando a Legião Estrangeira como cenário da rivalidade entre Galoup (representado pelo fabuloso Denis Lavant, de quem sou tiete absoluto, principalmente depois do Holy Motors e do Les Amants du Pont-Neuf) e seu ódio irracional por Sentain (o Billy Budd do filme).

A partir dessa narrativa de rivalidade, a Claire desconstrói tudo que se imagina em um filme de soldados. Tudo é virado de ponta-cabeça, mostrando o lado mais frágil da alma masculina, cenas onde o corpo masculino é tratado como um objeto de arte, cenas expondo a irracionalidade da cultura militar, a agressão silenciosa do colonialismo francês, a dissonãncia cognitiva da trilha sonora.

Para mim foi legal demais assistir Baeu Travail depois do All Quiet on the Western Front, de uma certa forma são dois filmes anti-guerra e críticos da maluquice machista de uma cultura marcial descontextualizada de suas origens tribais e submetida a falta de sentido da existência contemporânea, uma fábrica de neuroses e auto-destruição.

Juntando esses filmes com o maravilhoso e absolutamente assustador Come and See (1985) — Elem Klimov), é incrível como ninguém escuta esses alertas contra a brutalidade que se esconde na psique masculina. Incrível e medonho, mas fazer o quê? Recomendadíssimo! Mais um filme dos 250 Melhores Filmes da Sight and Sound assistido!

Assistido em 30/05/2015. N.N.

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Os 250 Filmes Mais Importantes da História do Cinema Mundial — De Acordo com a Revista Sight and Sound


Originally published at tionitroblog.wordpress.com on June 1, 2015.

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