A primeira semana da nova 'Coordenanta'

Ahhh o verão nas montanhas…

Por ter sobrevivido a estes 7 dias acho que vai rolar mais 358.

Voltar de férias nunca é fácil, mas existem contextos em que isso pode virar um enorme desafio. Agualinda teve 2 semanas de férias, para muitos pode não parecer muito, mas aqui já foi suficiente para mudar a rotina de todos, e alterar muito mais que seus horários.

Eu nem imaginava o que estava por vir. Cheguei das minhas férias flutuando, nem percebi o frio, queria mais era compartilhar meu bronze do verão. Minhas duas semanas foram no Brasil e foram muito intensas. Nada de férias para as emoções, na verdade eu acabei vivendo situações importantíssimas e encontros maravilhosos para o meu desenvolvimento emocional. Sério. Nunca achei que pudesse viver tantas lições em tão poucos dias, parecia que precisava limpar e resolver tudo que estava mal acabado daquela vida para começar algo novo. Ou seje, foram férias bem intensas.
Mas que me encheram de energia quando voltei percebi a saudade de Agualinda. Me sentia tinindo para começar logo minha nova função: coordenanta (esse é um nome carinhoso cunhado por minha grande amiga boluda, o nome verdadeiro é Assistente de Agualinda).

Eu já falei um pouco sobre a rotina e algumas funções dos que trabalham por aqui. Então o que rolou foi que eles já buscavam uma nova pessoa para a vaga de assistente pois a que estava havia decidido sair no final do ano. Então algumas pessoas foram entrevistadas e durante este processo seletivo surgiu o meu nome. Conversamos e foi dito que além das minhas qualificações (waldorf quase de nascença e facul de psico no diploma e no coração) tinha também a maneira como eu estava com os residentes, as demonstrações de iniciativa e responsabilidade, liderança e brilho no olho… Bom, q estavam me propondo o cargo e se eu aceitaria. Po, fiquei emocionada. Achei um enorme reconhecimento. Me senti vista, valorizada e desafiada, mas principalmente, senti que eles confiavam muito em mim. Disse que sim na hora. E depois de umas semana eles também. :)

Então esse ano eu já começaria com as novas funções. Bom, além do que eu já estava fazendo, agora eu deveria atuar mais no cuidado da casa: criando o menu semanal, lista de compras, sabendo todos os segredas da luz, água, fossa, etc e sendo a responsável master na saída da fundadora e fazendo as arepas do desayuno (!!!). Também teria novas funções no cuidado com os residentes: manejo das crises, saber da rotina e necessidades de cada um, cuidar de 4 espaços de aprendizagem, dar medicamentos (!!!!!!). E também pensar o cuidado com os voluntários: orienta-los, ouvi-los, organizar as reuniões de quarta feira, repassar queixas e necessidades a fundadora. Só de descrever assim de memória já me da uma azia de medo. Então não queria mais pensar nisso, queria ver como seria eu fazendo…

E ai começou, assim valendo, já! Na tarde de segunda os residentes já começaram a chegar. Nem todos, esta semana tivemos 4. Mas o problema todo foi que éramos também apenas 4 trabalhadores. Importante lembrar que nossa equipe mínima é de 7. E essa semana deu pra ver porque. Além do cuidado individual de um trabalhador com um residente, há muitas tarefas paralelas que são essenciais para o fluxo da rotina. Por exemplo, cozinhar as refeições, alimentar os animais, limpar a casa, lavar as roupas, pensar nas atividades para cada espaço de aprendizagem…. Era praticamente impossível dar conta de tudo.
E além de tudo isso adicionemos também o fator de ser a volta a rotina para os residentes. E estes são muito sensíveis a qualquer mudança, logo as reações são das mais diversas. Tivemos desde episódios explosivos como puxadas de cabelo, seguidas por óculos sendo partidos pela metade no meio do circulo da manha, feridas, arranhões, sangue… até episódios mais sutis de atrasos ou de correria antes da hora, e intestinos soltos… de todos da casa. Óbvio que tudo isso também refletia na gente então lanches foram esquecidos, uns despertadores estavam muito fracos, e foram alguns cigarros a mais. Mas aí rolou. Óbvio que tivemos que sacrificar muitos momentos de descansos, que também percebi serem bem valiosos. E assim foi.

Bom, resumindo me assustei pra c%ˆ&#, me esgotei, me exaustei e aí descansei. E confesso que foi um dos momentos mais lindos colocar minha vitrola finalmente pra funcionar ouvindo, obviamente, “the great gig in the sky” no volume mais baixo possível porque já era tarde mas a melodia maravilhosamente cantada ficou escondida atrás do som da minha chaleira enquanto eu preparava uma bebidinha quente sentada numa almofada no chão, ao lado do meu aquecedor, numa segunda-feira a noite e pensando que eu sou foda e que venha a segunda semana.

Meu reino, meu refúgio, meu quarto!!!

Tissy Carrião Guimarães

Written by

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade