
Virtual ou real?
A tecnologia e a educação são parceiras nas interações com as crianças. O que antes nos parecia desconectado do aprender, atualmente vemos seus benefícios sendo adquiridos no ato de “jogar”. O brincar sai do real e se posiciona nas telas. O questionamento é: Quanto tempo? Que tempo é esse? Questionamos as crianças e adultos quanto ao tempo utilizado na rede? Perguntamos para que serve e o que estão fazendo? Tais perguntas perpassam a facilidade mesmo aos pequenos de dois anos. Eles também precisam compreender a respeito do aproveitamento desses momentos.

Como responsáveis, deveríamos examinar os aplicativos, pois nem sempre o que distrai é o que realmente parece viável para as nossas crianças. Acompanhar esse processo nos faz ter uma posição. Antes brincávamos na rua, no quintal de casa ou no play. Se buscarmos em nossa memória, tinha sempre um adulto que era pai ou mãe de uma das crianças que estava ali. E se a varredura fosse maior, era possível ver o rosto de um dos nossos pais dando uma olhadinha no que estava acontecendo.
E hoje? Confiamos no aplicativo e na rede social para solucionar nossa demanda de tempo e gerenciar horas de uso na internet? Mas o que aconteceu com a olhadinha? O assegurar que não sairíamos do campo de visão ou até mesmo a desconfiança quando pessoas que se aproximavam da garotada. Ao deixarmos nossos pequenos a deriva, damos oportunidade ao acesso indevido de informações e também o aliciamento na rede. Acostumamos a deixar as crianças a navegarem sozinhas, mas não deveria ser assim. A melhor atitude que podemos ter para uso da tecnologia de modo adequado é fazer indagações. O uso dos aplicativos deveria ser o começo das investigações. “O que estou fazendo com isso? Por quê? Pra quê?”
Para que essas investigações façam sentido, os conteúdos precisam ser de interesse da criança, com variedade de aplicativos; nos cabe proporcionar os que tenham conteúdo que inquietem os pequenos para instigar e que ressalte o desejo de saborear o aprender. Quando pensamos em sorvete, temos a lembrança de sabores, texturas e coberturas. Não há uma criatura que tenha em mente o sabor do jiló, por mais que você goste de jiló, ele não cabe em tal experiência, porque pensamos em desejos e o aprender precisa ter algo mais. Temos na rede repetições e conteúdos insípidos. Qualquer um sabe o contexto, as informações sobre, mas só faz sentido para a criança quando se vive uma bela experiência, o envolver-se com o conteúdo é diferente de fazer repetições, é o sabor, é o testar, é o argumentar.
Um aplicativo diferenciado é desafiador, você olha e sabe que é um sorvete, mas sabemos que há algo mais, que te encoraja a descobrir, a experimentar. É um sorvete completo! A diferença está em descobrir entre o que é necessário e o ideal para os pequenos, e o que é o nosso desejo como pais. Uma coisa é certa, nossas crianças precisam de conteúdos divertidos, desafiadores e instigantes.