AS TRÊS NOVAS LINHAS DO METRÔ
(uma ficção com espírito pretensioso de se tornar realidade, já que a mesma está incomodada com a zona de conforto das tradicionais palestras)
LINHA: AQUARELA

Cena no exato momento no qual Toquinho cantava a estrofe:
“Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá,
O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela”.
Mais um passageiro do Metrô pegava a sua mensagem. Aquele simples gesto, repetido por outros quase 4 milhões de ‘Mensageiros da Paz’, compunha uma grande sinfonia inaudível composta pelas falas decorrentes de cada mensagem, degustadas na plataformas metropolitanas desta gigantesca capital.
As estações desta hipnótica LINHA AQUARELA era palco de relatos e de testemunhos que refletiam o quanto é possível a aplicação da Psicologia no urbano, contribuindo-se assim para que a Saúde Emocional, seja também foco dos gestores da mobilidade urbana, principalmente em grandes concentrações e contaminando em uma rede real e invisível até os parceiros e familiares de usuários.
Deve-se considerar que justamente neste cenários de grandes concentrações de pessoas é que elas perdem seu poder de sentir-se membro de uma comunidade e em geral passando a ser um ser só, isolado na multidão, estressado por esta ansiosa solidão e sob um convite, não expresso, para cultivar cada vez mais este neurótico isolamento.
Quanto tédio vivenciamos a ponto de não sabermos mais o que é uma aquarela, pois só pintamos a vida com cores sem vibrações.
Então o isolamento é refletido nos celulares, nas fisionomias rabugentas, na predisposição para a defesa e o ataque quando outros nos incomodam.
Antes da LINHA AQUARELA
Sim, este era retratado antes da LINHA AQUARELA que passou a ser pintada por todos os usuários do Metrô, que logo após passarem pela catraca eram convidados a colher a sua mensagem diária.
Mas esta ficção não para por aqui.
Além da colheita gratificante, compartilhada com amigos e colegas até nos cenários do trabalho (que passaram a ser também influenciados pela iniciativa metropolitana); mais outra janela proativa se disponibilizava para todos.
Um canal de comunicação via internet vibrava 24 horas por dia, como um grande cenário de expressões e opiniões, causos e fatos eram compartilhados tendo como origem mensagens colhidas na catraca do Metrô.
Então como uma saudável e utópica guerrilha afetiva, as pessoas compartilhavam suas impressões e expressões, sob o risco de serem premiadas ao longo de algum tempo.
Mas o mais gratificante, antes de qualquer premiação material, era a exposição da produção de seu próprio “Eu” se destacando diante da multidão. Uma simples frase com efeitos multiplicadores nas relações interpessoais estende seu conteúdo nas redes sociais e contamina proativamente toda uma comunidade.
Postar na Janela da LINHA AQUARELA
As notícias triviais começam a serem substituídas pelos espaços ocupados pelas mensagens, pelos causos contatos na net e então, como que em um processo gradual e persistente, vira uma bolha de reflexões, tornando-se ‘moda’ comportamental, pois colher mensagens também vicia.
Eis a ficção da grande metrópole que já é realidade vivencial, presencial e afeto-emocional em uma pequena cidade do interior.
Da vivência real de uma cidade de 70 mil habitantes, com o registro de mais de 2 milhões e 400 mil mensagens distribuídas em uma calçada, desde 23 dez 2017; transportando-se esta mesma experiência para o cenário da grande metrópole, mais especificamente para as linhas do Metrô de São Paulo.
Claro que a ficção atropela procedimentos, mas isto ela deixa para as consultorias, já que teremos que visualizar análises, diagnóstico logístico e adaptações para o funcionamento sob o prisma de alguns paradigmas essenciais.
Entres estes paradigmas temos:
a. A liberdade de escolha por parte do usuário no momento da coleta da mensagem. Este poder e momento parecem tornar concretos energizadores de uma ‘abertura mental’ que fortalece a adesão e aceitação do conteúdo da mensagem.
Segundo observações empíricas, diretamente colhidas no cenário da mais famosa calçada de uma pequena cidade (onde o painel de mensagens fica á disposição do pedestre ou condutor), as impressões e impacto desta ação é proativo, entusiástico e de gratificação.

b. O Poder de compartilhamento. Este potencial é fator de referência que fortalece todo o sistema que se inicia com a coleta manual de uma mensagem, passando por micro eventos tais como: leitura + reflexão + comentários + postagens (eventuais) + gratificação interior + expectativa de uma nova mensagem. Este círculo se torna condicionante e valorativo, passando ser importante na rotina cotidiana.
Antes não existia tal necessidade, após a implantação das mensagens disponíveis os ‘mensageiros’ passaram a contar com tal poder de escolha, reflexão, introspecção, compartilhamento.
Alguns chegam a relatar sobre suas ‘coleções’ ou que levam duas ou mais para filhos, esposa, amigos, colegas de trabalho, etc.
c. A Interatividade provocada. Esta constatação é de uma simplicidade absoluta, mas refere-se a um cenário que vai na contra-mão dos costumes condicionantes dos celulares. A posse material da mensagem, que naturalmente estimula a sua leitura, provoca em sua grande maioria das vezes a troca de opiniões, ou compartilhamento de percepções. Então bem dentro da realidade temos referências verbalizadas do tipo: “Ah. Eu estava precisando ouvir isto mesmo!”, ou “Esta foi exatamente pra mim!”, ou “Caiu em cheio…é o que precisava!”, ou ainda, “Legal, vou guardar para colocar no meu espelho!”.
Outras expressões mais são similares ao nível de calor humano interiorizado, ou de uma ‘massagem interior’ através da palavra escrita. E tal encanto é compartilhado, revelado com expressões emocionais de satisfação, que não é nada comum encontrar em uma fila qualquer; ou mesmo no caixa do supercadinho da esquina.
Estas mensagens, disponibilizadas de forma a permitir escolhas, depois de terem sido objetos de análise, filtragem e definição de acordo com um perfil que provoque momentos de auto-valorização, da auto-reflexão, da ampliação de visões, de mudanças atitudinais, poder da escolha, de provocações perceptuais, etc.
d. A Rotina que surpreende. O sistema de distribuição é sempre o mesmo; as tiram com impressão de mensagens proativas são sempre as mesmas; mas o conteúdo das mensagens surpreende, inova, gera motivação adicional.
Este ingrediente comportamental tem um impacto derivado de algo que poderemos encontrar justificativas ao nível do subconsciente: busca do novo, satisfação alcançada (com a mensagem anterior) x insatisfação presente, curiosidade latente e permanente, busca da gratificação material (posse de uma mensagem impressa no papel). Estes, entre outros ingredientes, parecem gerar um cenário místico e de forte adesão ou fidelidade a ponto de se tornar rotina que é incrementada por efeitos surpreendentes e gratificantes.
e. A SIMPLICIDADE. A receita é simples, mas os impactos ainda merecem estudos mais profundos que venham a esclarecer e justificar por exemplo:
1. Que razões reais e objetivamente concretas justificam o ‘consórcio’ entre pedestres e/ou condutores diante de um painel que disponibiliza mensagens em uma calçada?
2. Como esclarecer que o autor e coordenador do citado evento (painel de mensagens) não tem o poder de ‘dirigir’ uma tal mensagem para um tal pedestre ou condutor. Tal como é relatado por vezes algo como: “Você colocou esta exatamente pra mim!”
Aqui somente uma manifestação, entre outras que não revelam racionalidade objetiva como: desejo de que o autor escolha mensagens para a esposa do mensageiro; ou no caso de uma mãe que desejava que seu filho recebesse um ‘benzimento’ do autor.
Ou como explicar, sem achismos, que três mensagens semanais eram enviadas pelo correio para Buenos Aires, por uma idosa e tal rotina estaria promovendo momentos de prazer para a amiga distante. Deve-se complementar que a amiga argentina queria exatamente as mensagens reais, as coletadas no painel, sem que a mensageira brasileira lesse as mesmas…
Vejamos assim o grau de contaminação proativa e de sensibilização que potencialmente poderemos implantar nas rotinas das pessoas.
Vejamos tal cenário individual e coletivo multiplicado por 4 milhões de pessoas, (usuários do Metrô), adicionando-se outros milhões com seus familiares; mais seus colegas de trabalho, seus parceiros de escolas, seus companheiros de bares/salão/internet etc.
Podemos visualizar nós corinthianos e os palmeirenses entrando nos estádios da capital com mensagens proativas, torcendo para seus respectivos times e no final do jogo todos juntos num grito só bradando: “Gooooooooooool do Metrôôôôôôôô!”
Assim esta utopia pode provocar uma nova rede de reflexões que, mais dia ou menos dia, haverá de ser implantada no Metrô de São Paulo tornando-se exemplar e modelar para a construção da paz individual, comunitária e mundial.
“As utopias existem para serem superadas!”
Através destas assertivas pode-se visualizar então o grau de contaminação proativa e de sensibilização que pode ser implantado nas rotinas das pessoas mediante um projeto que está no momento entre a realidade de uma cidade pequena e a ficção de uma grande metrópole.
Tito-Francisco Henrique de Oliveira, psicólogo CRP 06–1631–3
email fhoo@uol.com.br
Fone (19) 3807 55 26
PS. As outras duas linhas utópicas do METRÔ, a LINHA ARCO-ÍRIS e a LINHA NOVOS HORIZONTES estarei delineando-as o mais breve possível.
