Corinthians 10 x Juiz 0 (ZERO)

Tito Psicólogo
Feb 23, 2017 · 6 min read

Mensagens Subliminares

O jogo do Timão contra o Palmeiras nesta última quarta (22/fev) possibilita algumas abstrações com significados ampliados para outros cenários da vida cotidiana.

Um ingrediente, e creio que o mais dramático foi a expulsão de um atleta do Corinthians sem qualquer razão lógica segundo todos os canais esportivos.

O juiz da partida, inexperiente conforme comentaristas esportivos, foi o ator principal de um jogo que naturalmente sabíamos, corinthiano ou não, que seria extremamente complicado e de alto risco para ambas equipes.

Embora a equipe do Palmeiras fosse considerada em melhores condições técnicas e a favorita segundo boa parte da imprensa, o Timão é uma espécie de incógnita permanente no subconsciente de seus torcedores, como eu, que não garante previsões alguma.

Mas voltemos para a ação do juiz.

Quase no final do primeiro tempo ainda, este personagem toma uma decisão inapropriada ao expulsar um atleta corinthiano, sem que o mesmo tivesse participado de uma falta contra a equipe palmeirense. Daí começa uma série de confusão, o que seria natural, com atletas do Timão pressionando e expondo ao árbitro que ele estava errado e deveria consultar o 4º árbitro.

Jogo interrompido, muito empurra-empurra, muita fala, juiz sendo pressionado pelos atletas e pela torcida alvi-negra, até que parece acatar a sugestão de ouvir o seu auxiliar.

Muita pressão e presença de atletas no diálogo entre o juiz e o auxiliar até que aquele indica que irá manter a decisão da expulsão, mesmo diante da informação do 4º árbitro que teria afirmado que o atleta expulso não se envolveu na falta que motivou a punição.

Diante de tamanha aberração, creio que até Vicente Mateus, hoje nos céus, ficou com uma cara de abestado e deve ter pensado algo como:

“E se o Corinthians perder, como vai ser depois?”

Foi o que me ocorreu em relação a suposta derrota, já que com 10 jogadores iria sofrer uma pressão enorme do adversário e com uma provável derrota, em seu estádio, alguns torcedores raivosos poderiam agir com atos nada aceitáveis, como represália pela injustiça do apito dentro de campo.

Mas o que fica subentendido nas entrelinhas ou nos níveis subliminares como consequência do desempenho do juiz é que o modelo comportamental exposto publicamente foi o do autoritarismo exacerbado de um profissional que poderia ter contaminado milhares de pessoas para atos de vandalismo e outros similares. Tudo por falta de humildade, de competência para ouvir atentamente seus auxiliares, por adotar uma postura arrogante típica e muito frequente em casos como quem veste uma farda ou uniforme de autoridade em outros cenários.

O poder trazendo para o público um repertório bem distante do provável comportamento enquanto um cidadão comum, antes de ‘vestir a camisa’ de um integrante de uma classe especial.

Erros no futebol são comuns e alguns tão claros que provocam momentos de debates durante a interrupção do jogo, mas o que tento trazer a tona para reflexão é esta postura teatral da vida real na qual o ator se transforma e desempenha um roteiro previamente concebido.

No caso, o juiz de uma partida o roteiro ‘fala’ no plano subliminar de algo com a autoridade máxima, inquestionável e que somente está ali dentro de campo para punir eventuais faltas ou quebra das regras esportivas.

Seu papel de punidor exemplar tem equivalência com papéis de algumas autoridades constituídas que no inconsciente coletivo não podemos contestar ou debater, pois elas tem o poder, mesmo diante de erros graves e claramente constatados.

No caso do jogo em questão ressalta a ‘olhos vistos’ a postura teimosa e arrogante do árbitro que não cedeu ao clamor das declarações dos atletas, e mais que isto, não deu a devida consideração e respeito á informação de seu auxiliar que ‘dizia’ que sua decisão era errada, sem base, sem lógica e muito menos sem alguma justificativa observável.

Não podemos inferir que assim agia por má fé.

Mas pode-se inferir sim que a falta de experiência e principalmente a falta de controle emocional o levou para uma decisão que poderia gerar ações de torcedores com atos de selvageria. Não estamos aqui promulgando que o juiz deve agradar a torcida da casa para evitar transtornos posteriores.

O que se declara e fica explicito é o poder sendo colocado em prática por um ator com um script previamente declarado com seu conjunto de instruções.

A partir daí vimos a exacerbação para o exercício do autoritarismo, da surdez prepotente, da teimosia sem base de sustentação e o pior, sem uma avaliação ampla e holística, com inclusões (consulta aos auxiliares) permitidas pelas regras; gerando-se assim um clima favorável para reações nada desejáveis na convivência humana, seja esportiva ou psicossocial.

A vitória de um, a derrota do outro ou o empate são resultados que aqui ficam em segundo plano, pois tivemos em campo e transmitido ao vivo pelas telas de TV um péssimo exemplo comportamental da prática do poder extravasando limites socialmente aceitáveis.

O jogo de futebol não está fora do sistema social que compartilhamos, mesmo que alguns leitores não sejam torcedores de nenhuma equipe. O teatro esportivo que semanalmente são encenados em todo mundo revelam modelos comportamentais que são seguidos por muitos; seja por exemplo ao vestir a camisa do clube de preferência, ou do jogador nº 1, ou da bandeira do clube hasteada no carro e assim por diante.

Modelos comportamentais são inseridos com alta frequência nos repertórios de muitos a partir dos cenários esportivos que compartilhamos em nossas vidas.

Alguns optam adicionar em seus papéis comportamentais o uso tatuagens ou vestimentas que reflitam força e energia muscular; outros optam por símbolos de destaques e ostentação (exemplo Fórmula 1 ostenta mais que o símbolo do time dos Veteranos do Floresta AC.); outros buscam a exposição de suas imagens pessoais com nomes estrangeiros tipo “LA Lakers”, mesmo sem saber onde fica Los Angeles e muito menos em que ‘lagoa’ está mergulhando.

Tais considerações nos servem para reflexões sobre um ato aparentemente isolado da vida social de muitas pessoas, mas que faz parte do teatro esportivo que determina influências comportamentais, por vezes invisíveis ou desvalorizadas; mas que em casos extremos do fanatismo até provoca mortes.

Para fundamentar ainda mais esta exposição lembramos de uma tragédia causada pelos “Hooligans” que eram os agressivos torcedores ingleses. Em 1985, em um jogo na Bélgica foi registrada a morte de 38 torcedores, além de centenas de feridos e os tais “Hooligans”, fãs do Liverpool, foram condenados pela corte civil.

Deve-se considerar que tais torcedores não tinham como foco somente o esporte, pois registra em seus desempenhos conteúdos políticos e fortes posturas preconceituosas.

Claro que temos entre nós casos inúmeros registros de conflitos e mortes decorrentes de jogos de futebol, que poderiam e deveriam ser combatidas, através de algumas estratégias de “marketing comportamental” que revelasse em seu planejamento procedimentos de prevenção e de manutenção (pós-evento).

É possível isto?

Sim, é só levar em consideração os preceitos da psicologia de massa e algumas experiências de contaminação proativa geradas com sucesso em outros cenários sociais.

Mas é claro que para que tais projetos sejam colocados em prática há que se considerar todos os atores envolvidos dentro e fora de campo, atletas, juízes, boleiros, diretores, jornalistas, torcedores, vendedores de cachaça na porta do estádio, vendedores de crack e cocaína na esquina antes do campo, etc, etc, etc….

Assim encerramos mais esta partida com o resultado:

CORINTINHAS 10 x JUÍZ 0 (zero)

Tito, psicólogo CRP 06–1531–3 fhoo@uol.com.br

Autor do Projeto “UMA MENSAGEM PRA VOCÊ”, inédito em todo mundo, registro ao Ministério da Cultura (2013) e Direitos Autorais Reservados. Registro de mais de 2 MILHÕES E 200 MIL MENSAGENS, distribuídas gratuitamente numa calçada de Amparo-SP desde 23/dez/2010, sem vínculos comerciais, institucionais, partidários e/ou religiosos. Diversas reportagens e documentários comprovam este histórico, além de como premiações como: Troféu da Paz-Divaldo Franco & Ypê, Mãe Símbolo 2011, Documentário Fundação São Pedro, destaque Rádio Bandeirantes-SP “Você é Curioso”.

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