Diversos olhares e uma ética com nome de “Marcos Eliano”

De imediato declaro um sentimento honroso diante do convite para a posse de um superintendente da FUNDETEC-Crato, no Ceará, sendo que tal fato para mim ultrapassa os limites de uma simples formalidade.

Então submeto ao compartilhamento público da comunidade caririense algumas impressões que estimo justificar meu júbilo e respeito.

Verdade seja dita, tal destinação é uma elegante provocação, além do respeito e valor que está intrínseco no ato oficial patrocinado pelo eminente Reitor da URCA, o Professor José Patrício Pereira Melo.

Eis então o ator principal deste querido cenário nordestino: o Professor Marcos Eliano Tavares Ribeiro que ao ser designado para o cargo de Superintendente da FUNDETEC, ocupa assim mais um degrau de sua eloquente caminhada cidadã e eminentemente ética.

Agora a FUNDETEC, com esta presença, terá no presente a marcante figura deste emérito docente nordestino que com sua típica brasilidade e serenidade exemplar certamente irá compor a história futura desta conceituada instituição reforçando seus valores dignos de credibilidade.

Ao colocar a público as impressões deste caipira paulista, claro que as faço decorrente das inúmeras oportunidades que tive ao compartilhar de momentos interpessoais e profissionais junto ao amigo e professor Marcos Eliano.

Desde 2008 em Mauriti, entre outros tantos momentos, me lembro da vivência em uma comunidade distante do centro, onde ainda tenho na memória algumas expressões faciais de participantes confrontando-se diante das dinâmicas que foram a eles disponibilizadas. A confiança e entusiasmo do Prof. Marcos foi o fato gerador de tal contato tão gratificante para mim.

Também a oportunidade de receber feedbacks espontâneos dos alunos de uma classe do 3º ano de Economia da URCA-Juazeiro do Norte, onde pude curtir outros momentos de provocações existenciais foi situação marcante, decorrente do cativante contive para um “Café com FÉ” feito pelo nobre docente aqui reverenciado.

Aliás, tanto esta experiência extra-classe, como as aulas de Psicologia em um curso de extensão pela Universidade Regional do Cariri, em Picos, faço registro em meu curriculum com franco orgulho e respeito.

Então a figura do Prof. Marcos Eliano entre seus alunos registro como exponencial, com destaques conferidos de forma natural das expressões e posturas daqueles jovens graduandos.

Creio que pelas referências de seus alunos, posso afirmar que ele naturalmente dispõe da boa semeadura conforme dístico proferido pelo professor José Newton Alves de Souza, no brasão da URCA que declara explicitamente: “Felix Ad Satum”

“Felix Ad Satum” e Professor Marcos Eliano Tavares Ribeiro tornam-se assim nesta análise os elos de uma simbiose proativa e cativante. Ele, Marcos Eliano, ‘encarna’ sem dificuldades e com pragmatismo ‘o semear a boa semente do saber’, o que pode parecer estranho hoje me dia, mas não é tão comum como poderíamos concluir.

Educador contaminado por visões abrangentes e por um modo de lidar com as coisas da vida que implica em calor humano, respeitabilidade, empatia inerente às situações que compartilha e um jeito nordestino que me traz sempre à lembrança o poeta pernambucano: João Cabral de Melo Neto.

O que tem de comum o Prof. Marcos Eliano e o diplomata-poeta João Cabral?

Não sei explicar, mas sei sentir com profundo significado, pois ambos circundam as ‘pedras’ pelos caminhos e as enfrentam na seara da Educação.

Então misturo neste momento João Cabral de Melo Neto com a figura de Marcos Eliano Tavares Ribeiro, no poema “Educação pela pedra” quando diz:

“Outra educação pela pedra: no Sertão

(de dentro para fora, e pré-didática).

No Sertão a pedra não sabe lecionar,

E se lecionasse, não ensinaria nada;

Lá não se aprende a pedra: lá a pedra,

Uma pedra de nascença, entranha a alma.”

Temos nesta altura das palavras as entranhas da alma de uma pedra de nascença com discursos cheios de sinceridade, perfilados por atos de lealdade e a objetividade sem perder seu lado sonhador e algo romântico.

Não tenho esta competência e creio que poucos de nós teremos também, mas como num ato mágico busco um passado e imagino o menino Marcos Eliano pisando nas terras do quente Cariri e sonhando seus futuros e ‘afiando’ suas pedras, transformando-as em palavras e atitudes de proatividade.

Neste cenário algo poético e também profético eis que a FUNDETEC-Crato recebe como uma premiação a indicação e posse de seu mais novo Superintendente, o Professor Marcos Eliano Tavares Ribeiro, ou mais precisamente o Senhor “Felix Ad Satum”, conforme sua honrada história confirma.

Lamento verdadeiramente não poder declinar ao honroso convite para a posse deste querido professor o qual tenho com orgulho e satisfação de tê-lo como amigo também. Sim, esta ausência para mim é sentida, pois todo e qualquer contato com Marcos Eliano sempre foi recheado de oportunidades de apreender algo mais. Os registros que fazem parte desta assertiva são diversos e de impacto.

Destaco um deles que sempre gosto de citar em meus contatos. O fato ocorreu há uns anos atrás, em uma calçada da famosa avenida Paulista, em São Paulo. Enquanto compartilhávamos um cafezinho, bem na entrada do Conjunto Nacional, curtíamos um senhor que tocava uma sanfona defronte á entrada do prédio.

Comentamos algo sobre aquele contraste, um músico diante de centenas de pessoas que passavam, iam e vinham, sem ao menos olhar para aquele solitário e dedicado artista na surda multidão.

Resolvi, mediante provocação de Marcos Eliano, ir até aquele senhor e lhe oferecer uns trocados e uma mensagem. Ao ler a frase o músico que havia lhe dado, como que gratificado pelo momento afirmou:

“Esta frase é do livro Horizonte perdido”. E sorriu voltando para tocar “Asa Branca”, atendendo a meu pedido.

Justamente a partir do contato com Marcos Eliano, naquele cenário ocasional, eis que surge uma bela provocação, tal como um ator que exercita a “Educação pela Pedra”, sem declamação, sem canção, mas com encantamento e credibilidade de um cidadão coerente.

Ah! Se eu pudesse ter a retórica de outro Eliano, falo do sofista italiano de mais de 800 anos atrás. Se assim fosse certamente estaria tratando esta declaração com mais delicadeza, porém com menos arrogância; com mais encantamento e cores, mas com menos saturação e eventuais dissabores.

Professor Marcos Eliano Tavares Ribeiro então, por gentileza e por ter se tornado responsável ao me cativar, queira receber deste caipira os sinceros protestos e reais desejos de plenas realizações neste novo palco que passas a assumir como ator principal e assim lhe transfiro neste momento uma fala de Ariano Suassuna, que ainda não encontrei uma forma de esquecê-la, quando ele disse:

“O sonho é que leva a gente para a frente.

Se a gente for seguir a razão, fica aquietado, acomodado.”

Ao finalizar esta manifestação, declaro que a mesma passa de imediato a compor a totalidade de um livro de minha autoria, em fase final de conclusão, denominado “República do Cariri”, no qual relato minhas percepções e ‘causos’ das relações nordestinas em minha formação e vivência.

Fica assim aqui explicitado o meu afetivo presente diante de minha efetiva ausência neste digno e nobre ato de posse.

“Felix Ad Satum”, Mestre Marcos Eliano!

Amparo, SP 28 jun/2017

Tito, psicólogo CRP 06–1631–3

e-mail fhoo@uol.com.br

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