O ASNO E A DONA DEMAGOGIA

Estava o Asno a caminhar meio sem rumo quando numa beirada do trajeto encontrou a Dona Demagogia. Esta parecendo algo desgastada, ou com ‘ar’ de desiludida cumprimentou Asno com um sorriso típico dela: aquele sorriso demagógico, velho conhecido de Asno. Este respondeu com naturalidade e foi logo perguntando à Dona Demagogia, o que ela estava fazendo ou esperando ali ao lado da estrada.

Dona Demagogia foi respondendo que fazia algumas reflexões sobre o uso que muitos tem feito de seu nome ou em seu nome. Algo que a incomodava, pois esta sendo comum em qualquer divergência alguém citar que o outro era ‘demagógico’, ou demagogo, ou algo assim.

Asno deu um riso meio irônico que não foi bem compreendido por Dona Demagogia. Ficou inseguro em comentar ou dar a sua opinião sobre a fala de Dona Demagogia. E a mesma continuava a citar casos nos quais ela era usada como exemplo, ou citação, ou rótulo. Asno novamente deixou escapar alguns risos contraídos que logo foram alvo de perguntas de Dona Demagogia.

Ela perguntou: “De que está rindo Asno?”. “Porque ri do que estou falando?”

Asno então respondeu: “Dona Demagogia, acha que é só de você que falam neste mundo?” “Você acha que é só de você que eles usam como exemplo?” “Ei, Dona Demagogia, pare com esta mania de querer ser o centro do universo!”

E Asno continuou: “Esta turma quando entra em discussão ou debates uns falam dos outros também. Ou melhor, usam outros como exemplos na falta de melhores argumentos”.

Dona Demagogia com um olhar espantado, em silêncio escutava Asno falar, até que ele num certo momento disse: “Entendeu, é assim mesmo, um acha que o branco é o certo, o outro acha que o preto é o correto e como ninguém convence ninguém de repente um chama o outro de ‘burro’, ‘tapado’, teimoso, e daí pra frente.”

Asno completou: “E, o outro como resposta vai rotulando o primeiro como ‘demagogo’, ‘arrogante’ ou ‘antipático’ por querer impor uma cor que não um deles não concorda e assim vão se agredindo. A coisa não chega a um ponto comum”

“Entendeu?”, disse Asno para a sua ouvinte, a Dona Demagogia.

Esta balançou a cabeça, como que não concordando e foi esbravejando:

- “Ah! Asno, tudo isto que você falou, isso é tudo uma grande asneira!”.

Asno deu novo riso, agora num tom mais claro e respondeu: “Veja só que absurdo, agora é você que está me usando para me criticar. Chamou tudo ouviu de ‘asneiras’, justamente o que foi dito por um asno. Não é redundância?”

Dona Demagogia, com um olhar daqueles que só se aprende nas novelas da televisão, revelava postura condenatória e arrogante. Ficou em silêncio, como estivesse buscando melhor resposta, quando de repente falou para Asno: “Você está incitando esta discussão!”.

Asno, novamente com um riso irônico, não respondeu de imediato, mas falou para Dona Demagogia:

- “Cara Dona Demagogia, foi bom ter me dito isto, pois quero te contar uma história.”

E, diante do silêncio de sua ouvinte foi contando sobre o tal ‘incitar’ que tinha levado a lembrar de um de seus ancestrais, o cavalo Incitatus.

Asno falou que Incitatus era o nome do cavalo de Calígula, imperador romano de 37– 41 d.C. Contou também que de acordo com a história, Incitatus tinha cerca de dezoito criados pessoais, era um cavalo enfeitado com um colar de pedras preciosas e dormia no meio de mantas de cor púrpura (a cor púrpura era destinada somente aos trajes imperiais, ou seja, era um monopólio real).

Disse ainda que também lhe foi dedicada uma estátua de mármore, em tamanho real, com um pedestal em marfim.

Asno concluiu, nesta história de Incitatus, que Calígula inseriu o nome dele no rol dos senadores romanos. Então assim o cavalo Incitatus passou a ser um senador romano para o resto da história.

E acrescentou sobre a Demagogia ao citar o filósofo Platão, que em sua obra chamada Politéia, no livro V, ele relata que o demagogo é qualificado como o animal que chama boa às coisas que lhe agradam e más às coisas que ele detesta.

Dona Demagogia, como que deslumbrada pelo falatório de Asno com o tal do cavalo Incitatus e a tal de Politéia demagoga, exclamou:

-”Nossa como você é inteligente, né!”.

Asno de imediato retrucou: “Que inteligente que nada, Dona Demagogia!. Tudo isso é resultado da minha xeretice que fica ‘martelando’ na cabeça e leva a gente a ter a iniciativa de procurar no Google, né!”

Ele ainda destacou que, ao invés dela ficar na beira do caminho só ‘choramingando’ pelo fato de usarem de sua imagem para críticas aos outros, ele achava que mais interessante neste papo todo eram as ‘coisas’ escondidas além de suas asneiras e dos pensamentos demagógicos da própria Dona Demagogia.

Neste ponto Dona Demagogia arregalou seus olhos e foi logo perguntando:

- “O que é isto?”. “Como ver além das asneiras e dos pensamentos demagógicos?”.

Asno com serenidade foi tentando aliviar a tensão de Dona Demagogia e deu como explicação o voto numa eleição. Disse da visão curta e medíocre do eleitor. Ele vota num candidato, sem saber que aquele candidato ao ter milhões de votos acaba por eleger também outros candidatos de seu partido, mesmo que não tenham tantos votos. Falou de um palhaço que elegeu a si mesmo e muitos outros de seu partido desta forma. Deu outro exemplo de uma candidata a vereadora no interior, que teve somente um voto (nem o próprio marido votou na mesma) e foi empossada neste ano ao substituir o titular do cargo.

Explicou que tais situações tinham algo a ver com o caso de Calígula com seu cavalo Incitatus. Dona Demagogia logo apontou:

- Mas isto não é demagogia, é asneira!”

O Asno concordando disse que era através da demagogia os candidatos incitavam o eleitor a ver somente uma parte da história e não além do simples voto. Completou ainda, com mais seriedade, ao fazer um questionamento referente a quantos que com um ‘microfoninho’ na mão não ficam fazendo demagogias e mais demagogias, induzindo os ouvintes a aceitarem ou acreditarem em asneiras das mais absurdas.

Daí neste ponto, não mais suportando ouvir tantas asneiras a Dona Demagogia comentou com o Asno:

- “Sabe de uma coisa? Enquanto você falava tudo isto, não sei por que eu me lembrei daquele papagaio do programa de televisão, o tal Louro José, que geralmente faz tanta demagogia e fala tantas asneiras e o povo aceita e acredita, né?”

Asno, sem contestar, acenou com a cabeça e disse:

- “Isso mesmo, você está certa!. Mas isto chama-se ‘papagaiada’, que é assunto pra outra hora”. E completou que toda esta papagaiada que alguns fazem nos microfones, jornais, TV, rádios e até na internet é para fazer com que o povo continue ‘capacho’ dos governos, tal qual fazia o tal Calígula, com o seu cavalo Incitatus.

Ao afirmar isto, Asno disse para a sua ouvinte:

- “Mas a conversa está boa, porém tenho que ir agora.”

Despediu-se de Dona Demagogia, com um breve sorriso demagógico, claro, e lá foi Asno para sua caminhada diária refletindo sobre asneiras e demagogias dos tempos de hoje.

Durante seu caminho algumas palavras pareciam fazer eco em seus ouvidos. Elas pareciam como que brincarem de ‘ir e vir’. Ora era a palavra ‘demagogia’, ora a ‘asneira’, em outro momento era a palavra ‘capacho’, que lembrava a palavra ‘arrogância’, e logo vinha outra mais, como a palavra ‘fofoca’ e a ‘leviandade’ também fluía em seus pensamentos.

Enquanto isso lá foi Asno em busca de um lindo filme chamado “Gênio Indomável”, com Robin Williams, que por mero acaso (embora possam não acreditar, naturalmente) trata da questão da demagogia, entre outras asneiras mais.

Eis aqui um pequeno retrato (em preto e branco), do momento em que Asno se encontra com a Dona Demagogia. O colorido do mesmo fica a critério do leitor, pois deve-se entender que seria uma asneira do autor impor as cores no tal retrato, restringindo-se assim o poder de imaginação do perspicaz leitor.

PS. Se alguém encontrar no texto alguma asneira ortográfica ou semântica, favor me comunicar por escrito. Neste caso não há a necessidade de se fazer abaixo-assinado e nem petições.

Ouro detalhe importante é que se alguém quiser ‘vestir a carapuça’ favor solicitar autorização antecipada do autor, mediante justificativas e/ou argumentos desde que não sejam asneiras e muito menos demagógicos.

Tito, psicólogo CRP 06–1631–3 email fhoo@uol.com.br

Autor do Projeto “UMA MENSAGEM PRA VOCÊ”, inédito em todo mundo, registro ao Ministério da Cultura (2013) e Direitos Autorais Reservados. Registro de mais de 2 MILHÕES E 200 MIL MENSAGENS, distribuídas gratuitamente numa calçada de Amparo-SP desde 23/dez/2010, sem vínculos comerciais, institucionais, partidários e/ou religiosos. Diversas reportagens e documentários comprovam este histórico, além de como premiações como: Troféu da Paz-Divaldo Franco & Ypê, Mãe Símbolo 2011, Documentário Fundação São Pedro, destaque Rádio Bandeirantes-SP “Você é Curioso”. 

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