O roxo escuro que cobria o olho e parte do rosto haviam sumido. Porém, toda maquiagem do mundo não poderia esconder o quão inchado seu rosto estava. As lagrimas de dois dias atrás já secaram. As novas marcas no corpo se mesclavam com as antigas. As dores se tornaram suportáveis. As feridas começavam a fechar. Ele entrou no ônibus olhando para baixo, evitando todos os outros olhares.

Ainda havia lugares vagos. Ele preferiu ficar em pé. Logo o ônibus encheu. Todos os espaços foram ocupados. O contato era inevitável e nauseante. Uma mistura de mijo, suor, cerveja e desodorante tomava suas narinas. Os corpos eram usinas de calor.

Da janela não via o céu. Apenas ruínas de humanidade que se afastavam. Um rastro de memorias ficava pelo caminho. Ele queria apenas que elas não o seguissem.

O ônibus voltou a esvaziar. O vento limpou o ar. Ficou frio. O céu surge em uma curva no caminho. Chegou ao seu destino quando o sol chegava ao dele. Um ponto de luz amarela escondido entre nuvens de algodão cor de rosa. O céu se modificava a cada segundo.

Tirou os chinelos assim que pisou a areia. Uma onda veio lamber seus pés nus como um beijo de boas-vindas. O sol gastava seus últimos raios cobrindo o céu de vermelhos e dourados.

Ele voltou a caminhar. O mar calmo, forte, imenso e acolhedor. Suas águas mornas e ondas gentis. A maresia pairava em forma de nevoa. Quando a água chegou a sua cintura, começou a nadar. Ninguém via ele.

Nadou até o céu se cobrir de estrelas e a Lua banhar o mundo em prata. E se deixou levar. O vestido o arrastava para baixo. Ele olhava para Lua.

O mar o abraçava.

O vestido o matava.

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