Uma carta não tão anônima assim

Em alguns momentos da vida me pego pensando na infinidade de possibilidades que temos ao nosso redor. Cada escolha, cada passo, cada gesto, poderia se transformar em algo completamente diferente do que é, completamente diferente do que foi. Pessoas que passam pela gente na rua e a gente nem se da conta. Pessoas que passam e deixam algo que levamos junto. Pessoas que passam e resolvem ficar, as vezes pra sempre, outras vezes nem tão pra sempre assim. E esse é um desses momentos.

Resolvi escrever essa carta -apesar de que, pelo que parece, está se transformando em tudo menos uma carta, né-, porque recentemente passei por algo que me deixou com aquela sensação de não querer fazer nada e querer fazer tudo ao mesmo tempo, sabe? É uma sensação muito ruim, diga-se de passagem. E agora que esse turbilhão de sentimentos está se acalmando, fiquei muito pensativo na forma em que trato as coisas que me fazem bem durante o meu dia a dia. Não das coisas obvias até pra quem está olhando de fora. To falando daquele pequeno momento que te tira um sorriso de canto de rosto. Daquele gesto de carinho que te passa despercebido e você acaba não retribuindo.

Ou talvez esse texto seja mais específico.

Fiquei pensando na gente, em todos os momentos que passamos.

Foi rápido, intenso. Até que não foi mais. Foi real, verdadeiro. Até que deixou de ser. Onde foi que poderia ter sido diferente? Porque não foi diferente?Talvez se eu tivesse dito tudo aquilo que não percebi que queria dizer? Falar da sua capacidade de dormir linda e acordar ainda mais. Do seu jeito de ser, jeito de falar, que me deixava com vontade de gritar ao mundo como eu achava aquilo maravilhosamente único?

Eu quero dizer todas as coisas que não disse quando deveria ter dito. Quero. Queria. Já não importa mais. Agora são só lembranças lindas que levarei comigo e que quem saiba me faça ter mais noção do que é especial na minha vida.

Agora só posso desejar, aqui de longe, que você fique bem. Com todo meu amor,