Cerca

O céu parecia ter sido pintado de rosa e azul na direção de onde eu queria ir. Queria e não podia, porque existem milhões de obstáculos dentro e fora de mim que impedem meus pés de caminharem as estradas que não foram demarcadas por outrêm.

As cercas invisíveis me prendem e me forçam a ficar em terrenos onde a água e a comida todo dia têm o mesmo gosto, às vezes saboroso e às vezes tão amargo que faz a língua se contorcer dentro da boca. É o mesmo gosto que sinto quando me sinto inseguro. A minha própria saliva quer me castigar, não bastasse o centro de mim dando chicotadas de autoflagelo. É proibido.

Os sons que me tiram o sono fazem lembrar por que fico acordado. Se mexo pra um lado e pro outro incomodo mas não posso chorar e nem dizer minhas dores. Fica tudo dentro de mim, até mais uma vez eu implodir e me desfalecer sem ninguém à minha volta notar, sem ninguém nem desconfiar.