O nazismo travestido de cristão

Hitler era tão cristão, que, para ele, qualquer um que não seguisse a bíblia piamente, deveria morrer. Este texto não fala sobre Hitler.

Passo os dias úteis (e metade de um dia inútil) trabalhando numa empresa que provocou polêmica por veicular, em horário nobre, um anúncio de dia dos namorados mais realista do que o brasileiro médio está acostumado a ver nas novelas que imitam a realidade agradável e inexistente (agradável porque não sabem que é inexistente) de um mundo onde só é permitido amar pessoas do sexo oposto.

Abandonar a famíla, negligenciar os frutos de um casamento, agredir física e psicologicamente: OK. Um casal gay se beijando: não.

Num país onde a zuera não tem limites -- e onde este mesmo ditado atual foi formado --, disfarçam de brincadeira os próprios preconceitos, enquanto verbalmente explanam o que gostariam de fazer com rapazes homossexuais "pra aprender a ser homem", ou como as lésbicas devem ser tratadas por todos, "já que acha que é homem, vai ser tratada como um". Falam agressivamente, com paixão nos olhos que lacrimejam ao pensar em como seriam estes, autointitulados 'cidadãos de bem', vivendo num futuro utópico de novela das 9 em que os personagens são mocinhos que não pensam duas vezes antes de fazer qualquer coisa que vá contra a constituição.

Amém.


Uma vez, no ano passado, eu estava no ônibus que me levava do metrô até próximo do ponto emnque eu pegava um ônibus pra casa. Foi exatamente no dia em que o casamento gay foi liberado nos Estados Unidos. Fiquei sabendo da notícia pelo Facebook, quando todos estavam com as cores do arco-íris sobrepostas nas suas fotos de perfil. Não era uma vitória minha, mas eu estava feliz por todos os meus amigos que amam pessoas do mesmo sexo, por agora terem direito de meter Deus e o governo no seu amor.

Aleatório que sou, mostrei a notícia pra pessoa que estava sentada ao meu lado no ônibus. Não lembro o nome dela, nem seu rosto, mas lembro que ela ensinava educação musical para crianças. Ela disse que era contra, porque está na bíblia que isso é errado, que quem se deitasse na cama com uma pessoa do mesmo sexo iria ter uma conversa com Satanás.

Talvez Satanás seja compreensivo.

Tomara.


Mas enquanto persistir o pensamento nazista (sim, você leu certo: N A Z I S T A) dos já mencionados autointitulados cidadãos de bem, não existirá a liberdade para amar ou para fazer qualquer coisa que não esteja de acordo com um livro escrito e editado ao gosto de líderes de povinhos de baixa capacidade intelectual e senso crítico.

Mas de volta ao primeiro parágrafo, me senti muito mal em estar vendo em que nível chegou a idolatria por ideais forçados e implantados por pastores e políticos que se escondem por trás de ternos bem cortados e palavras mansas de um conforto falso. Meus amigos sendo agredidos ali na minha frente, e eu não podendo fazer nada, por estar com a bandeira de uma minoria.

Abrindo um parênteses, esses mesmos cidadãos que pregam e praticam a violência aos homossexuais (violência não é só agredir fisicamente) são aqueles que pedem a posse e o porte de arma de fogo. Imagine só.

Amém.

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