Nighthawks, de Edward Hopper. Pintura em óleo sobre tela, datada de 1942. Domínio público.

Por que decidi ficar só

Certo, a princípio não foi uma escolha minha.

Depois de ter saído de um relacionamento de dois anos, o que me deixou em depressão profunda pelo ano seguinte, passei a questionar se esse seria o real sentido da vida. Conhecer alguém que vai te mudar completamente e te moldar ao próprio gosto, para ainda haver cobranças infindáveis por razões completamente fúteis. Claro, também tem alguns pontos positivos.

Cheguei a pensar durante uns meses que sim, que ainda era isso o que eu queria.

Criei contas em infinitos sites de namoro, que ainda me mandam dezenas de emails por dia, com as melhores solteiras da região — se algum dia esbarrar com um TedMosby por esses sites, muito prazer, sou eu. TedMosby, talvez, fosse o nome da minha síndrome desesperada por encontrar a pessoa certa a qualquer custo; a mulher que eu passaria nove temporadas contando aos meus filhos sobre como a conheci.


E depois de ter tentado algumas vezes, descobri que eu estava pensando de uma forma muito errada. As plantas não crescem se ficarmos olhando o tempo todo. Foi quando analisei tudo o que eu vivi até aquele momento, e me perguntei se aquilo valeu a pena. Sim, valeu a pena para eu entender que não era a vida que eu queria. O que eu queria era a liberdade.

Tanto ansiei pela liberdade, que a ideia de prender-me a alguém começou a me dar arrepios. Não que eu não vá querer ficar com alguém daqui muitos anos, mas, antes disso, quero experimentar tudo o que o mundo tem para oferecer, e tudo o que eu posso experimentar deste mundo. Quero histórias para contar, receitas para preparar, lugares para revisitar, etc.


Uma vez, quando estava no terminal rodoviário Novo Rio, esperando pelo ônibus que me levaria até São Paulo, tive o insight que eu gostaria de ter tido muitos anos atrás. “O mundo é grande e a vida é curta. Colocar uma cerca no quintal é opção. Dá pra viver muito antes de se prender”. E este breve pensamento mudou bastante a minha forma de pensar sobre a vida. Acho que não é necessário dizer que fiquei inquieto durante toda a minha estada em São Paulo.


Experimento a liberdade diariamente, nos aspectos que me são permitidos. Posso ser livre nas horas em que não estou trabalhando, e decidi que essas seriam as melhores horas dos meus dias. Resolvi puxar assunto com estranhos no transporte público e em alguns outros lugares, como livrarias, e, assim, descobri que existe um mundo diferente dentro de cada pessoa.

Não deixei de me apaixonar, afinal, sou humano. Mas agora eu passei a conhecer melhor as pessoas antes de cair de cabeça. Um café, um passeio, muitas horas de conversa — e nada de cinema! — , para descobrir o que se passa pela cabeça da candidata, e decidir se vale a pena encerrar meu aprendizado da liberdade.


A ideia de casamento, atualmente, tem embrulhado o meu estômago. Seriamente, o conceito de tomar alguém para si, tal como citei no primeiro parágrafo deste artigo, e impedir formalmente, envolvendo Deus e o Governo, que o seu cônjuge tenha a liberdade de conhecer novas pessoas, e também como citei anteriormente, implica no direito de exploração de novos mundos.

Sei que minha mente vai mudar, talvez dentro de dez anos, mas estamos vivendo no presente, e, sinceramente, acho o casamento uma crueldade para aqueles que têm o wanderlust cravado em si.


Em referência a How I Met Your Mother, dentro de mim existe, mesmo com a rebeldia emocional latente, uma pequeníssima esperança tola de ter uma alma gêmea. Isso explica meu nickname nos sites de namoro. Não. É ridículo. Desculpe, querido leitor, mas o conceito de alma gêmea é estúpido. Não existe alguém lá fora com os mesmos gostos que você, ou que coma as azeitonas da sua salada — outra referência a How I Met Your Mother, primeiro episódio.

A verdade é que a gente constrói essa alma gêmea. Gostos iguais não querem dizer nada, e mapas astrais também não significam muita coisa. Você sagitariano pode encontrar alguém leonino e não dar certo porque as opiniões políticas são extremamente diferentes e vocês não vão conseguir falar sobre ideias de governo sem tentarem se atacar nas entrelinhas do debate. Desculpe, mas se não souber lidar com as diferenças, nada vai dar certo.

Você pode conhecer alguém quando se sentir preparado, e se essa pessoa desconhece as constelações do seu universo, ensine. Se essa pessoa não sabe comer com raxi, que mal há em fazer com que a pessoa aprenda, se ela estiver disposta? Ninguém nasce pronto para ninguém, e, como sempre, caso se sinta pronto para entrar de cabeça num relacionamento, esteja preparado para ser um professor e aluno ao mesmo tempo.

Mas não leve este artigo como um manual de como viver a sua vida. Saiba o que é o melhor para você. Se não souber, descubra.


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