Todos os dias se tornam iguais

Observando os urubus em cima do mesmo outdoor pela quarta vez seguida na semana, percebi que o mundo funciona diariamente da mesmíssima forma. Pela manhã os atores acordam e encenam a mesma peça dos outros dias. Levantar, tomar café, realizar sua ocupação, etc. Na mesma ordem, como faziam seus pais e seus avós, e como talvez também farão seus filhos e netos.

Quando uma noite em claro fez com que dormir ao nascer do sol se tornasse uma rotina, passei a perceber que todos os dias o despertador de um vizinho tocava às 5:15 da manhã, e que este vizinho devia ter o sono muito pesado. Uma vizinha saía às 5:30, sempre bem vestida. Eram seus papéis diários.

A vida acaba parecendo um relógio, fazendo o mesmo caminho diariamente, em torno de nada, só esperando a pilha acabar. Monotonia.

Então, se os dias forem diferentes, a vida será diferente. Mais experiências, mais histórias, reclamações sobre o trabalho menos constantes. O mundo terá mais conteúdo, e haverá vontade de viver para além da sobrevivência.

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