três

Descrição acessível: foto em preto e branco de cinco guimbas de cigarro amassadas.

Era um dia comum. Ele acordou com o som alto do despertador. Olhou o relógio de pulso, o número digital marcado no pequeno visor LCD: 3. Grunhiu com raiva, mas nada disse. Ele sabia. Depois da discussão na noite anterior, depois de ter dito palavras que se arrependeria de ter usado, depois de não se preocupar em ter gritado tanto, ele agora sabia.

Tomou seu banho, fez a barba, vestiu-se, pegou sua mochila e saiu pela porta. Voltou para pegar a chave que havia esquecido. Entrou no elevador e desceu ao térreo.

No ônibus, o motorista, velho conhecido, desejou-lhe um bom dia. Ele sorriu e acenou com a cabeça. O motorista sabia, mas não quis ser chato em falar daquilo àquela hora da manhã.

O porteiro do prédio onde trabalhava também lhe cumprimentou, e ele apenas fez um sinal de positivo com o polegar. Se apressou para não perder o elevador.

Em sua sala, olhou novamente o relógio. 3. Ele sabia, mas não queria acreditar. Tinha só que aceitar o fato. Pegou o telefone e discou os números que estavam perdidos em sua memória.

A ligação foi atendida. Respirou fundo. "Eu amo você", ele disse.

E onde havia um número no relógio agora estava vazio. Seu corpo estava caído no chão, já sem vida.

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