DIÁRIO DE BORDO— quarta, 21

Chuva, enfim…Caiu precedida e acompanhada de trovões assustadores (para quem não conhece a sua arrogância). Durou 20 minutos, se tanto. Bastou para despertar a ninhada de bem-te-vis de peito amarelo, agitados, assanhadíssimos do outro lado do muro, secando as asas…Reflexões sobre a palavra "lembranças". Elas só existem quando você as usa. É como "saudade". Se você não sente, ela não existe. Do que eu sinto saudade? De momentos, um aqui, outro ali. Da figurinha do Max, eu assistindo tevê no chão da sala, esticado numa almofada, ele arrastando outra almofada numa das mãos, na outra o seu "paninho de cheiro", inseparáveis… Senta ao meu lado, estica as perninhas e faz exatamente como eu, cruza a direita sobre a esquerda. A vida são momentos, dizia o Giovanni Bruno. Esse, para mim, foi um momento…Hoje é uma lembrança, uma saudade…