Aposentadoria precoce: Como? Quando? Por quê?

Que tal largar o emprego e ter mais tempo pra você, sua família, saúde e gostos pessoais? Bom demais pra ser verdade?! Aposentadoria precoce é possível e estamos aqui para mostrar que você não precisa ganhar na loteria para conseguir.

Minha mãe sempre diz: “O trabalho dignifica o homem!”, mas as vezes se tornar “digno” não é motivação suficiente para passar 10 horas por dia de terno ouvindo pedidos absurdos de um cliente, cansado sofrendo pressão de um chefe estressado, ou ainda sentado atrás do computador vendo o mundo atrás das janelas. Existem infinitos motivos para estar insatisfeito com o emprego, mas existem poucas maneiras de larga-lo de forma economicamente sustentável, se você quer ser bem sucedido nesse projeto de vida, não deixe de ler este texto.

Por quê?

Você tem um objetivo de vida? ele é de curto ou longo prazo? você estará mais perto ou longe dele se aposentar agora? É preciso saber essas coisas antes de dar o primeiro passo no caminho da aposentadoria. Sim, porque como em todo projeto você precisará de: esforço, dedicação e disciplina e é provável que em alguns momentos você se pergunte “Por quê eu estou fazendo isso?”, então conheça essa resposta e mantenha o foco nela, pois voltar atrás nessa jornada não será fácil.

Na primeira vez que escrevi esse texto, eu fiz uma seção sobre “Bons e maus motivos para se aposentar” e na hora da revisão percebi que era um absurdo dizer isso. Primeiro porque os motivos que são bons ou maus pra mim, não refletem a sua realidade, logo nenhum motivo é melhor que outro de maneira genérica. Mas também não será 1 fator que lhe levará a tomar essa decisão e sim uma conjunção de fatores. Você precisa sim analisar seus motivos e refletir se são fortes o suficiente para lhe apoiar numa mudança radical de vida. Mudança radical de vida foi o meu motivo!

Meu porquê

Eu tenho hoje, aos 26 anos, um excelente emprego com um ótimo salário na empresa com o maior faturamento do meu país, uma posição que humildemente eu nunca imaginei que fosse atingir na vida e que dificilmente eu vou encontrar melhor na minha carreira. Mas de alguma forma eu não estabeleci uma “zona de conforto” com esse cenário e para entender isso é preciso lembrar o caminho até aqui.

Sempre tive em mente que precisava ficar rico para dar mais conforto a minha mãe, ter tudo aquilo que “sempre quis” e porque não seria capaz de me virar em sete como ela fez(minha mãe trabalhou, cuidou da casa e criou um filho sozinha). Então no ensino médio eu estudava para entrar numa boa faculdade, na faculdade para ter a chance de fazer mestrado e faltando um ano para me formar fui aprovado no processo seletivo que me trouxe aqui.

Durante os três anos da curta vida da minha carteira de trabalho, acumulei um patrimônio igual ao que minha mãe levou a vida inteira de trabalho para conseguir (e ela mesmo aposentada nunca parou de trabalhar). Estou acumulando receitas numa velocidade maior do que preciso gastar e infelizmente o modelo das relações trabalhistas brasileiras(CLT) não me permite tirar uma licença sem vencimentos(um período do ano onde você não recebe, mas também não trabalha e pode usufruir do que poupou para então regressar ao emprego).

Hoje eu sinto que pulei algumas etapas da vida, não deitei na grama e olhei as nuvens ou fui imprudente e precipitado enquanto as pessoas da minha idade o era. Somando tudo isso com a influência cultural dos turistas que conheci no Rio de Janeiro e a experiência que tive na Tailândia, decidi me permitir usufruir a vida enquanto sou jovem, mesmo que para isso precise pagar com a redução o padrão de consumo e do conforto.

Quando?

Encontrar o timing certo é muito importante para o êxito do projeto, você precisa de 1 mês, 1 ano ou uma década para realizar seus sonhos? Você está antecipando em quanto a contribuição de 35 anos do INSS? Que outros projetos paralelos estão em andamento na sua vida (esposa, filhos, saúde)?

Para entender o perigo de tomar a decisão na hora errada vamos dar um exemplo: Você casou há 6 meses e vive frustrado porque seu emprego te mantém longe da sua esposa, ou você tem um filho pequeno e quer curtir mais ele. Em ambas as situações você passou por uma transformação grande na vida num curto espaço de tempo e ainda não está apto a medir o impacto que isso traz a seu orçamento. Mesmo com o melhor planejamento, uma aposentadoria leva a redução do padrão de vida, conciliar isso com uma nova(e permanente) despesa não é uma boa estratégia.

Analise o atual estágio da sua vida e quais seriam os próximos passos(segundo o modelo padrão da sociedade). Particularmente eu diria que um ótimo momento é se você tem pouco mais de 40 anos, aproximadamente 20 anos de INSS e filhos maiores de 18, neste cenário você pode antecipar em 10 anos(aproximadamente) sua aposentadoria e usufruir dela com mais saúde e disposição. Mas se você é um jovem adulto, sem filhos e esposa que teve oportunidade de poupar dinheiro, você pode considerar a possibilidade de uma aposentadoria temporária.

Lembre-se! se você é como a maioria dos trabalhadores(gasta 8 a 11 horas por dia com o trabalho), esse tempo a mais por dia, pode se tornar entediante muito rápido se você não tem um plano de vida.

Como?

Primeiramente é preciso estar ciente que largar o emprego para ser dono do próprio tempo é algo que exige organização, disciplina, auto-conhecimento e planejamento. As perguntas a responder são: Quanto dinheiro eu realmente preciso? Quais minhas despesas recorrentes? Que despesas eu posso reduzir por não precisar mais trabalhar? Eu posso/pretendo rentabilizar parte do meu tempo livre?

A maioria das pessoas não conhece o próprio fluxo de caixa(mesmo assim urramos de raiva e batemos panelas por conta do balanço da Petrobras) e por isso vivemos reclamando que precisamos de um salário maior. O dinheiro que você tem é o resultado da diferença entre o dinheiro que você ganha e o dinheiro que você gasta, então se não pode(como a maioria) aumentar o próprio salário, controle as despesas (é mais fácil do que pode parecer). Quando se conhece o “caminho” do próprio dinheiro não é difícil encontrar vazamentos ou maneiras de reter uma quantia maior. Ao identificar as despesas, marque aquelas que você não teria se não precisasse trabalhar: muitas pessoas tem um carro bom com baixa kilometragem que conhece apenas o caminho entre a casa e o trabalho, terno, roupas e perfume também tem o peso reduzido se você não trabalha, sem falar é claro na alimentação.

Que habilidades/conhecimentos você tem que são rentáveis? Sempre tive inveja dos nativos de língua inglesa, pois, muitas vezes, conseguem financiar suas viagens internacionais dando aulas de inglês para os nativos dos locais que visitam. Diversas habilidades são passíveis de trabalhos temporários e podem complementar sua renda. É possível se entreter com um trabalho quando define a própria rotina e não é pressionado pela necessidade do salário. Competências muito úteis para aqueles que gostam de viajar são aquelas que podem ser oferecidas a outros turistas/hotéis: professor de dança, fotógrafo, promotor de eventos…

Não existe mágica, exceto aqueles que se aposentam pela mega-sena, sua renda vai diminuir, estar disposto a isso é um requisito obrigatório, eu tenho um grande amigo que uma vez disse: “Eu adoraria ter mais tempo livre e até acho que dá pra viver de renda, mas me sentiria frustrado e com inveja de ver meus colegas progredindo financeiramente e eu não”.

Informe-se, depois de conhecer seu próprio balanço é preciso aprender mais sobre a economia nacional(essa é possivelmente a parte mais difícil), ou você aprende a fazer seu dinheiro trabalhar para você ou trabalhará a vida inteira para tê-lo. Não é necessário um curso superior, entretanto é importante disposição para ler ja que maioria da informação útil sobre o assunto pode ser encontrada na internet, em blogs, fóruns, jornais e revistas.

Meu projeto

Acompanho minhas finanças bem cuidadosamente há 3 anos e sei que minha maior despesa mensal é o IRPF, logo em seguida aluguel e o fundo de previdência privada que possuo, itens que eu posso facilmente reduzir ou eliminar se largar o emprego, também sei que adquiro uma nova despesa quando o fizer: plano de saúde. Ainda assim o saldo contabiliza uma folga no orçamento e como nunca tive luxo nem faço questão de tal, o impacto no padrão de vida será baixo.

A minha estimativa prevê que o período ideal para a minha aposentadoria é entre 2 e 3 anos a partir de hoje, deste modo teria uma renda estável para toda a vida (considerando que não haja um colapso na economia), entretanto por motivos bastante pessoais decidi antecipar para inicio de 2016 o que impacta no valor dos meus investimentos e torna-os não suficientes para uma renda vitalícia, portanto meu projeto pessoal prevê a possibilidade de voltar ao mercado de trabalho em 4 ou 5 anos, o que pode não ser fácil, mas como tenho uma formação bastante aderente e posso inclusive trabalhar em qualquer país do mundo sem grande dificuldade esta re-inserção pode inclusive não se dar no mercado formal de trabalho.

Com 17 anos ouvi de um professor a seguinte frase: “Se rico jovem é muito melhor que ser rico velho”, isto é verdade, mas hoje com a pouca experiência de vida que tenho me arrisco a dizer:

Ser um velho rico não é tão bom quanto ser um jovem livre!

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Originally published at www.tomatechines.com.br on May 20, 2015.

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