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O novo coronavírus é um vírus. Talvez seja também um soro da verdade.

Prestes a completar um dia e meio de trabalho em home office, rodando todos os pratinhos sob minha responsabilidade de empresária, executiva, líder de entidade empresarial, prestadora de serviço, esposa, filha, irmã, tia, condômina na pessoa física e jurídica, cidadã e nerd em tempo integral, vejo as reações das pessoas à nova doença e seus impactos. Me lembra as cinco fases do luto (negação, raiva, barganha, depressão e aceitação) que vêm e vão em grupos distintos na minha timeline do Twitter e nos grupos de WhatsApp.

Está claro que o novo coronavírus não é um vírus como o da gripe. Que a pandemia não é um exagero, que a adoção de medidas de isolamento social não é histeria e que a imprensa nacional e internacional não quer instaurar o pânico, apenas refletir o que acontece nas diversas arenas do mundo real.

O que me parece também cada vez mais evidente é que esta pandemia tem uma dimensão tamanha que nos desafia não só a agir de outro jeito, mas também a pensar de uma nova forma.

O novo coronavírus (e é importante continuarmos a chamá-lo assim, pois é justamente por ele ser novo e não termos anticorpos contra ele, muito menos vacina no curto prazo, que ele é tão devastador) não tem nacionalidade, crença religiosa, filiação partidária. Não pertence a uma classe social, não torce para um time de futebol. Não fala uma língua específica e muito menos lê o que líderes mundiais publicam em suas contas de Twitter. Ele se comporta como um fato, essa coisa que andaram dizendo que não existia. Ele não está sujeito a guerras de narrativas. Segue sua vida se multiplicando de hospedeiro em hospedeiro em uma escala que também custamos a alcançar.

Nesse caminho, esse organismo vai como que levantando um véu e mostrando, para quem quer ver, aspectos soterrados da nossa realidade. Mais, da nossa humanidade. E, principalmente, das nossas prioridades. Ficamos aí revelados em tudo o que somos capazes de fazer. Por nós e contra os nossos iguais. Todas as crenças e ideologias postas à prova: qual o valor da vida? Qual o valor do dinheiro? Qual o papel de cada um? Como agimos quando diante de dilemas e escolhas impossíveis?

Neste cenário de uma verdadeira guerra, sem dúvida “a” guerra da nossa geração, veremos quem é capaz de agir de acordo com um novo jeito de pensar. E quem sabe, conseguiremos sair desta transformados e prontos a reconstruir nossas vidas, cidades, estados, países e mundo em bases mais sólidas e solidárias.

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