Ser pai e a aquisição do amor

Ser pai foi um processo de aquisição de amor e como tal, não me apaixonei instantaneamente por nenhum dos meus filhos, ainda que ambos tenham chegado até mim de forma e em momentos diferentes, a aquisição foi muito parecida, veio quando eu consegui reconhecer a conexão que tenho com cada um.

Em um eu reconheço os olhos, a curva das sobrancelhas, formato das órbitas. Já no outro, reconheço o olhar, a forma de franzir a testa e a convicção no que ele acredita.

A experiencia que eu tenho como pai com ambos é diferente na coisa prática, mas é muito parecida em várias aspectos. Acho que poderia escrever um capítulo de livro falando sobre isso, mas o que eu quer deixar aqui é que, eu aprendi que ser uma referência forte, te tornar tão parte de alguém quanto a genética, na verdade, pode te tornar até mais, muito mais, quando pensamos em pessoa como um conjunto de atitudes, valores, formas de pensar.

Eu me vejo em ambos, me vejo na semelhança dos olhos, me vejo na semelhança dos olhares.

Há toda diferença na forma como amo cada um, e nenhuma diferença na natureza do amor que tenho por ambos, porque ser pai não é uma mescla genética, não é participar de um momento na vida da mãe, é participar de todos os momentos da vida dos filhos.

Ser pai não é uma ação, é uma decisão.

Sou um apaixonado, e sempre serei, e como meu pai um dia me disse, os filhos são a verdadeira eternidade, algo de mim sempre seguirá neles.

Até a próxima!