eu e a guerra.

-O mundo está em guerra! - Disse histérico, uma mão passeando em seus cabelos imprudentes e com os olhos vidrados, o pavor se tornando uma espécie de insanidade que o fazia querer rir, gargalhar alto e ter tremedeiras, tanta era histeria que sentia ao ver aquele caminhão cuja traseira lhe lembrava um vagão dos trens que há muito só ouvia falar, desejando estar pulando entre eles e suas histórias, mas não, o mundo estava em guerra. Até mesmo ele entendia que isso queria dizer que nenhum lugar estava seguro. -Não é seguro onde estou também então de que importa? - Era o seu questionamento dia e noite ao considerar todas as suas possibilidades, que, na verdade, eram apenas de sua imaginação fértil e seus desejos fervorosos de ir embora. Ir e ir e ir até que não haja mais lugar nenhum, ir até o fim do mundo e então ao começo e então todos os lugares. Seu ser já tinha uma seta, um grito, um sopro de vida, mas e seu corpo? Sua realidade, esse exterior sem sentido onde você mal tem controle algum sobre nada? 
Estados Unidos, idiotice completa, ele sabia. Quais as chances? Algo lhe dizia que eram muitas, porém e se não fossem? E se, e se, e se, a humanidade muitas vezes vive de 'e se' enquanto está parada no mesmo lugar, todos os dias, em suas 24 horas, para onde ele estava indo se perdera toda sua perspectiva e já não queria coisa alguma em hora nenhuma qualquer dia? Quem diria, logo ele perdera sua perspectiva e seu coração continuara batendo, um milagre realmente, já que surtara ao pensar que nada nunca muda, era um pensamento tão anti-ele! Em conjunto lhe atravessava a histeria, ah, sempre a histeria! O choro, o medo, estava se perdendo, mais uma vez ao não dizer um rapaz na rua o quão bonito o achara, não se desviou de seu percurso e assim finalmente deu por si, havia se perdido, tudo e nada, tudo e nada, o que havia para perder afinal? Seu espírito, sempre fizera isso, o arranhava até sangrar e o mesmo até conseguia se regenerar, embora nunca fosse o mesmo que era da última vez. 
Pensava que queria um novo rumo, novas coisas, sempre o novo, mas desistira, olhava apático para o ver de um amanhã agora e ele sempre fora constituído de amanhãs, de hojes, de ontens, principalmente amanhãs, onde o Sol não iria incomodá-lo tanto, surpresas o aguardavam enquanto cores mudavam, surreais e belas, sendo mais que apenas cores. Isso era apenas o amanhã. Muitos hojes o recordavam de ruas escuras e sem vida, cores desbotadas e céus achocolatados, se sentia triste, não conseguia segurar a felicidade de certos hojes e ontens em um amanhã se ele não fosse feliz também, se não fosse bom, se não passasse irreal e intocável. Se sentia miserável, mal tentava ficar nesse mundo por uma semana e já queria ficar na cama durante um ano, a escuridão o aconchegando como sempre fez, lembranças que não se lembrava salpicando toda vez. 
Tinha uma fé cega demais esse rapaz, nunca conseguiu fazer com que vissem o que ele via e talvez isso fosse característica de INFP, embora ele não queira acreditar que para os outros seja possível nunca enxergar. Mal tinha dinheiro e, para ser sincero, trabalharia sem ganhar um cruzeiro se estivesse fazendo o que ama, mas o que ele amava mesmo? Estava quase perdendo as esperanças, triste para quem tivesse o conhecido quando era criança, não prestavam atenção nele dessa forma de qualquer maneira. Pensava tanto, sempre pensou, era menininho de muitas perguntas sem resolução, hoje diz que as coisas são embaçadas na sua visão, embora se lembre que talvez não, é nítido o quanto, talvez, fosse sua primeira vez nesse mundo caótico, tanto que ele próprio virou um caos. Poderiam lhe dizer que era belo, seria em vão, as pessoas não entendem que para ele entender deveriam conquistar e tocar seu coração, só sentimentos o traziam à razão, que nem era razão de verdade, ele ignorava a lógica em sua maior parte e ouvira muito que esse era seu erro. -Mas para quê lógica - Pensava consigo mesmo - se tenho minhas emoções para dar o tiro certeiro? 
Não entendia, talvez nunca entendesse, talvez pudesse até tocar nesse mundo e fazer, fisicamente parte dele, mas nunca estaria aqui por completo, tinha e era seu próprio mundo, suas estrelas e planetas e cometas, sentia que era tudo isso e muito mais, porém aqui não sentia paz, não é assim que funciona. Passava muito tempo dentro de si mesmo, na velocidade da luz ou em anos de cachorro, um dia era um mês, enquanto os outros tinham vinte ele tinha dezesseis. Era tão jovem... Às vezes parece que é dois, faz carinho em si mesmo enquanto pensa que gostaria de sua própria proteção, sendo que ele mesmo era o motivo de sua destruição. Um paradoxo. Tudo era assim de onde viera, porém branco e lilás, leveza e beleza, sorrisos e nada de tristeza. Um lugar perdido e distante, nada aqui é como antes. É tão estranho.

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