Julgando o desempenho de um técnico enquanto espectador

Coaching ainda é um território inexplorado nos esports. Começamos em diferentes times, em diferentes níveis, e com diferentes planos de fundo.

A segurança de trabalho para técnicos é extremamente baixa e opiniões públicas podem, às vezes, acabar com uma carreira da noite para o dia. Diferentes técnicos possuem diferentes métodos de trabalho e, quando julga-se a qualidades destes profissionais, é fácil ligar tal qualidade ao histórico de vitórias/derrotas de seus times, especialmente na OWL.


Não há nada errado em ter opiniões. O problema se dá quando um técnico é rotulado por seu histórico de vitórias/derrotas, sem que haja estudo das tendências dos jogadores e times abaixo dele. Aqui estão duas definições que penso serem importantes de se ter em mente quando pensar sobre técnicos e qualidade:

  1. “Qualidade” significa características de ténicos que suprem as necessidades do time e que, assim, promovem satisfação na equipe. Neste caso, o significado de qualidade é alinhado a vitórias. O propósito de se ter tal qualidade em maior escala é promover maior satisfação no time e aumentar a probabilidade de se vencer partidas.
  2. “Qualidade” significa liberdade das carências — liberdade dos erros que requerem ter o mesmo trabalho sempre e que resultam em partidas perdidas, insatisfação de equipe, menor confiança de time e mais.

Imagine um time da OWL no qual um técnico, com sucesso, reduz em grande escala a taxa de erros, deixa o time mais satisfeito e também aumenta a probabilidade de vitória da equipe. Digamos que este time ainda é mais fraco do que o restante na competição. Isso faz com que o técnico seja ruim?

Sem que haja acesso à entranhas da equipe, é seguro assumir que a equipe técnica tem alguma influência sobre a maneira que um time se desenvolve ao decorrer de uma temporada da OWL. Entendendo as diferenças entre as duas “qualidades”, podemos, agora, indagar questões mais aprofundadas.


Exemplo 1:

Um time mostra certo padrão consistente em estratégias fracas. Um novo técnico assistente é contratado e, de repente, a equipe joga com mais profundidade tática. O time também consegue aumento de 20% na taxa de vitória.

É seguro dizer que este suposto assistente técnico é a força motora por trás dos resultados? Não é. O que podemos assumir seguramente? Podemos concluir que o montante de trabalho está delegado de maneira mais efetiva e que a equipe como um todo está mais eficiente — resultando em estratégias mais avançadas.


Exemplo 2:

Assuma que uma equipe possui um histórico de V/D de 50/50. O time produz o mesmo tipo de erros independentemente de vitórias e derrotas? A taxa de erros mudou ao decorrer da temporada ou há algum padrão? O padrão é consistente por múltiplas semanas ou meses? Há qualquer outra mudança em tendências pelo mesmo período de tempo?

Não podemos tirar conclusões válidas ou inválidas enquanto espectadores, porém é possível construir argumentos fortes e fracos. Digamos que o time pareça desorganizado em uma partida oficial.

Podemos nos perguntar: “Quando foi a última vez que o time pareceu organizado e quais são as diferenças?”. Isso nos permite fazer novas suposições e provavelmente indagar algo do tipo “O pilar da desorganização vem de alguma jogada que o oponente fez?”.


Assim como nos exemplos, a teoria se aplica quando observa-se técnicos e seu desempenho. Não podemos ligar o sucesso de tais técnicos somente ao histórico de V/D porque a realidade não é baseada em conclusões derivadas de declarações falsas ou verdadeiras. É baseada em probabilidades, que são derivadas de argumentos fortes e fracos.

As entranhas de um time importam muito quando o assunto é avaliar o desempenho de técnicos, mas isso não significa que não podemos analisar melhor enquanto coletivo. Esteja atento a que podemos descobrir e a que não podemos descobrir.

Este artigo é uma tradução do texto escrito inteiramente por Emanuel Uzoni, técnico de Overwatch ex-Dallas Fuel|twitter.com/GosuPeak
Link para o original: https://bit.ly/2QvuMA2