Meditação Tech

Photo credits Muse

Em 2013, antes de me mudar para Nova York, onde começaria o meu mestrado em Educação no Teachers College Columbia University, fiz um curso de meditação no Rio de Janeiro. Durante uma semana, um grupo de pessoas e eu, passamos por um experiência de aprender a respirar, focar e concentrar-se no nosso próprio corpo. Estar mais presente e calmo. Foi um processo muito interessante, de muito aprendizados para mim.

A prática meditativa tomou conta da minha rotina e passei a meditar 1o minutos todos os dias. É bem verdade que isso durou apenas 2 semanas. Eu tinha muita dificuldade de meditar e acabava me cobrando muito. Além disso, sentia falta de um espaço silencioso e de um guia que me ajudasse.

Em setembro do mesmo ano, me mudo para Nova York. E, durante meu mestrado, comecei a estudar neurociência. O cérebro sempre me fascinou. E, por ter relação direta com o meu campo de estudo multidisciplinar, as competências socioemocionais, mergulhei a fundo para entender um pouco mais do que se passa na nossa cabeça.

Deparei-me com estudos do cérebro e da meditação. Os resultados comprovados por pesquisas demonstram que a meditação reduz o stress e a ansiedade, além de promover mais foco — resultados que parecem bastante intuitivos. Mas alguns dos resultados, realmente me impressionaram.

O cérebro de pessoas que meditam alteram em sua forma. Ao comparar um grupo de pessoas que meditam com um grupo controle, os pesquisadores perceberam que quem meditava tinham mais massa cinzenta no córtex frontal e no hipocampo, região que está associada à memória de trabalho e à tomada de decisões executivas. Além disso, mais massa cinzenta pode levar a emoções mais positivas, a estabilidade emocional mais duradoura e o foco aumentado durante a vida diária.

Outro resultado comprovado em pesquisa da prática da meditação é que ela está associada está melhorando a recuperação rápida da memória. Pesquisadores descobriram que as pessoas que praticavam a meditação conseguiam ajustar a onda cerebral que protege as distrações e aumentavam sua produtividade mais rapidamente do que aquelas que não meditavam.

E ainda tem mais: uma pesquisa sobre meditação mostrou que a empatia e a compaixão são maiores naqueles que praticam a meditação regularmente. Parte disso vem da atividade na amígdala — a parte do cérebro que processa estímulos emocionais, cuja atividade é reduzida durante a meditação. Outro estudo descobriu que as pessoas que meditavam regularmente apresentavam níveis de ativação mais fortes uma parte do cérebro ligada à empatia quando ouviram os sons das pessoas que sofrem, do que aqueles que não meditavam.

Outra análise constatou que oito semanas de treinamento de meditação melhoraram significativamente a qualidade do sono em pacientes com insônia.

Diante de tantos resultados positivos, eu PRECISAVA voltar a meditar. Ainda que fosse difícil para mim, recomendaram um app que me ajudaria a guiar a minha meditação, chamado Headspace. [Recomendo assistir ao TED Talk do criar desse app, Andy Puddicombe aqui.] Baixei o app e ele me acompanhou durante parte do período que fiz meu mestrado.

Aqui, na Singularity University, tive a oportunidade de conhecer o Muse. DE forma simples, é um device que permite você monitorar suas ondas cerebrais enquanto medita, junto com um app, que te guia na meditação. Você escolhe um cenário, que pode ser praia, floresta, etc. Você ouve o barulho do cenário que você escolheu e quando seu cérebro vai acalmando, você ouve menos barulho, sons mais calmos. Do contrário, as ondas da praia, por exemplo, ficam mais fortes. Quando você alcança um estado meditativo, você escuta passarinhos (birds na figura abaixo)…

Hoje foi o primeiro dia que usei. Confesso que fiquei mais nervosa em meditar com um “aparelho” na minha cabeça do que sem. Sabe aquela sensação de saber que sua pressão está sendo medida e você fica mais nervoso por isso? Então, foi um pouco isso. Abaixo, mostro as minhas ondas cerebrais.

Confesso que pretendo aumentar minha quantidade de passarinhos, mas sem pressão! Quanto mais tensa eu ficar, menos passarinhos vou ouvir.

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