Numa época estranha da vida…

Antes de deixar a cidade, decidiu escrever. Escreveu uma daquelas cartas que não se enviam mais. Após aprontá-la, dobrou-a e deixou na portaria do prédio da garota mais legal daquele lugar esquecido. Satisfeito, fumou um cigarro. Tomou uma cerveja. Depois partiu atrás da sorte. Tentou ser bem sucedido. Tentou o amor. O tempo passou. A sorte não veio, tão pouco o amor.

Enfrentou mais de 24 horas de distância. Depois de muito procurar, ouviu a melodia da voz dela. “Você me conheceu numa época estranha da vida”, pensou. Mesmo assim, sentiu saudade. Encontrou a cópia da sua última carta. Será que ela leu? — questionou-se. Na dúvida, ficou com as mensagens antigas, cheias de amor. E lembrou: nem sempre ficamos com os amores de nossas vidas.