aquele da palavra como ruído

Tony Marlon
Jul 24, 2017 · 3 min read

dieter rams que disse, uma vez: quase tudo é ruído, pouquíssimas coisas são realmente essenciais. pra ele. é que cada uma de nós tem aí o seu essencial, a sua régua de essencial. mas pensando que cada um tem o seu essencial, é interessante olhar de novo, se provocar pra isso: quase tudo é ruído, pouquíssimas coisas são realmente essenciais.

eu ia andando até uma reunião de conselho, pensando no que falar depois de oito meses longe de algo que foi a minha vida durante… 5 anos; ou mais e antes: a escola de notícias.

eu estava indo, depois de seis meses de licença, me despedir oficialmente também do conselho, sair de tudo, sem nunca mais ela sair de mim. e estava lendo mais sobre o dieter, sobre as ideias dele. imaginando dentro de mim o que ainda era preciso ser dito, se havia, naquele momento. o ônibus virando ali no terminal campo limpo, e eu ainda lá: o quê mesmo, e mais, eu ainda preciso dizer agora?

e foi que vi que nada.

eu fui acreditando no caminho que era exatamente isso: eu não precisava dizer mais nada. já havia dito tudo, não só com as palavras, nos 5 anos antes. e daí que foi assim: eu entrei na sala, me sentei, recordei tudo que aquele lugar, aquelas pessoas e aquele nome haviam feito por mim e comigo, sorri pra dentro, falei menos que dois minutos, oficializei mais esta saída, me despedi e foi isso e assim que foi.

se a gente bem se conhece, você sabe bem que eu falar menos que dois minutos é uma raridade. ainda mais para algo tão potente e importante pra mim, como é a escola de notícias. para coisas importantes eu preciso de muitas palavras. mas foi bem isso: menos de minutos, e fim. um sonho de uma vida inteira coube em menos de dois minutos.

mas tem aquilo né: quase tudo é ruído. poucas coisas são essenciais.
e tem também outra coisa: não foi o sonho que coube em menos de dois minutos, né?

tenho ficado nessa atenção aí, do quanto a gente fala, publica, republica pra contar a gente pro mundo. quando a gente já se contou pro mundo só de existir, mesmo. que às vezes nem precisa de palavra nenhuma, mesmo. que o silêncio tem dia que fala mais que qualquer substantivo. que a gente enche o ouvido dos outros, das outras, de um monte de coisas para, às vezes, não dizer nada. ou quase nada.

e outra que é:

se eu contar o que for essencial ser dito, e as pessoas compreenderem, para quê mesmo que eu ficaria aqui enchendo a minha mensagem de um caminhão de mais palavras que podem, inclusive, confundir quem me escuta? quando é, mesmo, que eu já contei o que eu queria e já posso me silenciar? foi sobre isso esse dia: sobre como é bom fazer o essencial, e continuar andando pro futuro.

escutar mais, postar menos, observar mais, palestrar menos.

fiquei pensando nessas coisas antes de chegar até lá. mas aí quando saí me esqueci. só lembrei agora, de novo.

    Tony Marlon

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    Formado em Jornalismo pela Unisa, mora e desenvolve a partir do Campo Limpo, SP, a Historiorama: Conteúdo & Experiência. I @tonymarlon

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