Aceitar
Que em meio a esse mercado de
corpos
O meu nada tem de único ou especial
Aceitar
Que em meio a esse mercado de
corpos
O meu é só mais um corpo
Mais descartável que os outros
Aceitar
Que com interesse não se barganha
E que as coisas simplesmente
morrem
Aceitar
Cada agora
Porque nunca há um depois
Aceitar
Que os momentos são plenos
Até que não mais o sejam
Até que deixam de existir
E as lembranças se tornam
vazias.
Aceitar
Que o que me sobra
É o líquido das lágrimas
E a lubrificação inútil da minha carne
Que me resta somente o anseio
Da sua mão firme sobre a minha
Do seu suor escorregando sob o meu.
Aceitar
Que o gozo já não supre
O pedido que me devora
Todos os instantes em que respiro.

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