Oração ao tempo

Vitória Rodrigues
Nov 2 · 2 min read

Vivemos em uma sociedade tão automática e que impõe tantas coisas sobre a própria sociedade que esquecemos de observar o que está ao nosso redor e perceber como, cada um de nós, possui uma singularidade inexplicável e geralmente passada despercebida.

“Temos nosso próprio tempo” é o que canta Renato Russo e também, o que deveria ser entendido por todos (inclusive por mim, que escrevo agora). Cada um tem o seu tempo, seu tempo de brilhar, seu tempo de refletir, mas, ao menos da minha perspectiva, todos precisamos ter o tempo de viver, o qual deve estar de mãos dadas conosco em toda a nossa vida.

O tempo é valioso de uma maneira indescritível, cada segundo conta, cada momento. Quando o tempo passa, temos menos tempo de vida restando, mas vivemos mais um ao mesmo tempo. Uma reflexão engraçada, quem sabe? Mas penso assim. É necessário tentar aproveitar cada segundo, mas isso também não significa que você tenha que viver sempre assim, até porque cada um tem seu tempo.

E uma das coisas que mais faço é observar ao redor de mim para aproveitar o tempo. Não observo só com os olhos, mas com o tato: o famigerado tato. Ou, também, só fecho os olhos e sinto. Não sei definir, mas é algo singular pra mim. É tão único que não consigo, ao menos, achar uma explicação para tal coisa. Você não precisa observar, sentir, só as coisas que não partem de você! É bom perceber o que vem da gente! Quando faço isso, me sinto viva: significa que não estou apenas sobrevivendo.

Quando sentimos o que vem da gente ou o do outro, nos tornamos mais humanos (seria essa a descrição ideal?). E quando nos colocamos no lugar do outro? Ah, é genial. Não pensamos ou agimos como o outro, mas tentamos ver como seria ser alguém diferente. É uma perspectiva diferente da qual estamos acostumados (a nossa) e quando faço isso, contribuí de uma tremenda maneira para a minha construção. É pensar além.

E quando pensamos? Pensar. A cada momento estamos pensando, e um exemplo claro disso é que estou pensando antes de digitar esse texto: não saio simplesmente escrevendo, pois cada uma dessas palavras teve origem de algum momento. Quando foi esse momento? Foi na parte do dia em que eu sento, escuto o silêncio e percebo que o que não possui barulho também fala algo. Fecho os olhos e vejo o escuro, e que mesmo com as pálpebras tampadas, enxergo algo: a paz. Todo mundo precisa de um momento de paz, e o meu é esse.

Talvez seja um texto doido, quem sabe? Não posso definir se é ou não pois eu e você, leitor, possuímos perspectivas diferentes: pensamos de maneira singular. Até agora penso se o que escrevi faz sentido, se possuí algum nexo… não sei.

Ah, e sobre o tempo: o tempo que você passou lendo este texto (possivelmente) doido já passou. Você teve mais tempo de vida lendo esse texto, mas agora você possui menos tempo não para gastar, mas para viver. Viva. Viver é liberdade: seja livre.

    Vitória Rodrigues

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    Estudante do ensino médio integrado ao técnico de Gerência em Saúde na EPSJV/Fiocruz, ama direito constitucional e gosta de pensar.