Para o cowboy
A minha primeira vez.

Oi A.!
Tudo bem?
Estranho eu estar te escrevendo né? Eu sei. Bizarro. Mas a história é essa…
Durante pelo menos três anos da minha vida eu estive apaixonada por você. Na época eu realmente achei que fosse amor, mas agora entendo a diferença. De qualquer forma, vejo que o meu sentimento era quase construído porque precisava acreditar naquilo. Ou não era. Não sei… Era verdadeiro na medida que poderia… Que tal?
Tudo em relação a você é confuso.
Eu lembro a primeira vez que você veio falar comigo no MSN. Fiquei tão animada. Conversamos por duas semanas inteiras. UAU!!! Eu estava na sétima série, você no segundo colegial, e aquilo era incrível. Os meninos da minha idade não se importavam comigo, então devia ser uma questão de idade… “Os mais velhos gostam de mim”.
E era tão intenso, e eu estava tão feliz, simplesmente permitia muita coisa acontecer. Eu queria experimentar o meu corpo, mas ao mesmo tempo consigo ver uma garota sem autoestima aceitando qualquer negócio. Dizia sim em parte porque eu queria, mas também porque achava necessário.
Agora sendo bem honesta, nada daquilo era bom. Pegar no seu pinto pela primeira vez foi uma das piores experiências da minha vida. Eu achei nojento. Você tentou me ensinar como ‘mexer’, queria que eu fizesse barulhos, e eu não tinha ideia do que estava acontecendo. Ser tocada pela primeira vez — a sua única tentativa de achar o meu clitóris — também foi horrível.
E lembra da mensagem ‘te amo’ no celular? Que colocou na minha saudação? Porque fez aquilo se não sentia? Nunca vou entender. Foi dolorido na época, mesmo com 14 anos eu sabia que era mentira. Eu fiquei feliz, mas sabia que era mentira.
O pior encontro de todos foi logo após o natal. Eu achei que você quisesse me ver, para ser fofo de alguma forma… Porque era natal… E você / a gente terminou a noite tentando fazer espanhola. Tipo… O quê? Qual era o seu problema? Provavelmente viu isso em algum filme pornô, tentou reproduzir, e claro não deu certo. Eu nunca saberia lidar.
Nesse mesmo dia a gente quase transou. Eu desisti, mas você gozou na minha perna. Nas semanas seguintes eu pensei estar grávida. Foi por meio segundo, foi estúpido (o pensamento), mas aterrorizante. Existem essas histórias de pessoas que ficaram grávida sem penetração, e a minha menstruação atrasou quase três semanas. Tinha sido tão perto da virilha, a gente chegou tentar, e se…
Sabe o que eu não lembro? Você fazendo sexo oral em mim, tentando realmente me masturbar, ou me dando qualquer forma de prazer. Nunca foi uma preocupação né?
Enfim.
Vamos para a parte principal.
21 de abril de 2007.
Agora eu já tenho 15 anos.
Era mais ou menos 16:30. Estava quente e nublado. Eu coloquei uma saia jeans (tenho até hoje), e minha camisa do São Paulo. Eu não lembro o que a gente falou antes, mas eu sabia o que estava indo fazer. Não era certo, mas imaginava que não haveria mais voltava. Era quase um… “Eu não consigo mais enrolar ele”.
Não vou negar: eu também queria. Não sei se necessariamente transar com você, mas sei que não queria mais ser virgem.
Voltando.
Você me buscou em casa e fomos parar naquele canto ao lado da rodovia. Quer coisa mais deprimente do que isso? Do lado da FUCKING rodovia. Perder a virgindade é superestimado, mas você podia ao menos ter pago um motel. Dentro do carro é foda.
A gente começou a se beijar. Eu subi em cima de você no banco da frente. Tirei a minha blusa, calcinha, mas não tirei a saia. Fazia TANTO calor. Aquele cheiro de sexo. E foi. Sem pré-eliminar, seu pênis dentro de mim. Indo e vindo. Eu de olhos fechados. Minha respiração ao lado da sua orelha. Me concentrava para não gritar, e rezava para acabar logo. Doía muito. Indo e vindo. Você beijava o meu pescoço e os meus seios enquanto tentávamos fazer alguma espécie de movimento. Você não beijava a minha boca. Fazia muito barulho. Eu estava quieta, concentrada para não chorar.
Foram 8 minutos? 10 minutos? Tinha sangue? A gente usou camisinha?
Quando acabou, você ainda estava duro (?). Lembro de olhar e você se gabar do tamanho do seu pênis. Eu provavelmente devia estar com cara de choro, estranha, e foi quando disse: “Você acha que foi a primeira que perdeu a virgindade dentro de um carro?”.
Foi tragicamente engraçado rever isso com outras palavras em Lady Bird.
Assim que entrei no meu condomínio desabei. Cruzei com um amigo, conversamos de forma estranha, ele me julgou muito, e eu continuei chorando. Tomei banho. Coloquei um absorvente. Sangrei e fiquei dolorida por três dias.
Dormi. Acordei. Dormi. Acordei. E depois era realmente uma nova pessoa. Não acontece com todas, mas aconteceu comigo. Estava diferente. Com raiva de você, prepotente com os outros, e ainda mais insegura… Se isso é possível. Decidi que nunca mais iria ficar com você. “Te amava”, mas nunca mais iria ser tratada daquela forma. Por você ou por ninguém. Você veio atrás de mim, pediu desculpas, mas no minuto que eu te vi vulnerável fiquei com ainda mais raiva.
Agora era tarde demais.
Foi isso. Essa é a nossa história. Você precisava ler o meu lado.
Beijo
P.S.: Eu não precisava ter ficado com o D., mas ele me tratava melhor que você.
