Por que estou fazendo isso?

Neil Young é um dos caras mais badass que eu conheço (Michael Putland/Getty Images)

Na primeira vez que entrei no Medium, li um texto do Matheus Laneri, não lembro qual. Na hora eu pensei que isso fosse seu blog, um cara que filosofava sobre diversos aspectos do nosso país usando subcelebridades para explicar qual o quê dos quais e poréns dos afins e que Medium era um nome engraçado que ele tinha dado ao blog. Levou um tempo para eu entender que isso na verdade se trata de uma rede social (se é que eu posso chamar assim) focada em publicações de textos, para quem quiser postar, seja qual for assunto. Uma rede social de escritores, talvez? Na verdade eu ainda estou tentando aprender como isso funciona.

Indo ao título. Por que eu estou fazendo isso? Por que eu comecei a escrever? Por vários motivos.

Primeiro para procurar me conhecer melhor. Isso mesmo. Alguém as vezes tem a impressão de que não se conhece bem?

Eu acho máximo quando as pessoas vem me falar sobre seus filmes, livros e discos favoritos e como elas consegue justificar isso de uma forma totalmente justa. Não precisa ser nenhuma conexão sentimental, ou algo que te relembre o passado, por exemplo, mas por qualquer simples motivo.

Eu nunca consegui expressar bem sobre meus gostos ou desgostos. Eu comecei perceber que na verdade, nem eu sabia bem o porquê de gostar ou não de muitas coisas. E escrever vai me ajudar? Acredito que sim. Sempre fui uma pessoa muito metódica. Eu gosto de escrever as coisas para que elas fiquem bem claras na minha mente. Organizar as ideias. Aparentemente eu não consigo fazer isso só na minha cabeça.

Talvez isso não seja um motivo válido. Mas honestamente, eu não sei ao certo o porquê estou fazendo isso. E não vejo nenhum problema nisso. Há algum tempo estou a lendo a autobiografia do Neil Young. No começo do livro ele diz que não sabe ao certo o motivo de estar escrevendo, nem o que vai fazer com aquilo, mas que escreve todos os dias. Aprendeu com o pai dele, que era jornalista, a escrever um pouco todos os dias. Eu pretendo fazer isso. Não necessariamente irei postar um texto novo todo dia, mas pretendo rascunhar alguma coisa todos dias. Vou conseguir? Não sei. Vai valer a pena? Não sei também. Talvez eu faça isso por um tempo e depois pare. É uma caminhada ao desconhecido.

Ir ao desconhecido pode ser assustador, é verdade. Mas ao mesmo tempo é empolgante. Há muito por vir e eu mal posso esperar. Afinal, as melhores coisas na vida vem quando menos esperamos. Numa busca interior eu também busco algo novo, algo que me tire da rotina, da mesmice e do tédio. Creio que se você não sente um certo frio na barriga ao fazer algo, você está fazendo errado. Significa que não importa. E se não importa é melhor não fazer (nota mental: o Trent Reznor falou disso uma vez. Ou foi o Josh Homme? Não lembro).

Do que eu pretendo escrever? Tudo. O que vier na mente. Música, filmes, séries, histórias que eu vivi, histórias que eu inventei e por aí vai.

Também quero exercitar esse lado criativo do cérebro. Sempre fui muito a ligado a música e basicamente me dediquei só pra isso. Escrever pode ser um escape. Mesmo que eu escreva sobre meus álbuns ou artistas favoritos (e isso com certeza vai acontecer bastante), é bom levar a mente a outros lugares. Não tentar compor/tocar por um tempo e me dedicar mais a escrita, vai ser útil. Quando voltar a isso estarei com essa parte do cérebro descansada e totalmente focada. O Neil Young, Paul McCartney e o Dave Grohl fazem isso. Ninguém consegue ficar fazendo a mesma coisa por muito tempo. Aliás esse é o segredo para fazer algo bem, não fazer só isso. Não sei porquê demorei tanto.

Em resumo, tenho uma mente confusa e nenhuma certeza. E isso é bom, eu me sinto bem. Que continue assim.