Escrevo.

Escrevo e não escrevo.

Quanto mais escrevo, menos escrevo. E nisso, tenho o pressentimento.

O pressentimento de que o tempo não vai à frente. Vai pra trás, e só pra trás. Anda entre memórias e dores.

Dores que estão no futuro. Que estão num tempo além do hoje, e só existem, existirão, por já terem habitado aqui. No passado.

E quanto mais escrevo, menos escrevo. Quanto menos escrevo, mais escrevo, e perco os tempos. Perco o tempo.

O tempo do proveito e do hoje, do tempo gasto e do disponível. O entreposto com o determinismo e a lógica, a loucura e o resquício de sanidade. E, também, do tempo, o antigo e o que ainda virá.

E quanto menos escrevo, mais escrevo.

Por não saber o que vem, e não saber o que está. Só por ter o que já foi e o que teve. E, por isso, escrevo.

Mas, quanto mais escrevo.

Maior o tempo é.

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