rascunho de homem besta.

Tothi.
Tothi.
Aug 22, 2017 · 3 min read

a construir a casa num terreno tão grande como este, sem nem saber onde o sol bate. do entendimento, parece que importa só saber manipular a terra, das ferramenta tudo, o povo pensa que conhece, usa, desusa e só pensa em avançar. e dos bicho mais besta só planeja futricar, sempre avançar. o povo num vê que difícil de viver num lugar é conseguir amarrar o diabo do desejo do homem que não sabe o que quer, e tudo quer. não o entende, não acerta no que faz e só faz. segue a fazer. esse pensamento de progresso, avanço e crescimento parece ser importante pro povo que vê de fora. mas pro homem que vive de dentro, amadureceu? barriga verde que é, segue na ganância dos outros mais que na sua. a morada dele parece mais simples na cabeça. parece uma tapera de palha e pau que desarma em qualquer vento de vontade de seguir outro rumo. não que o sujeito seja preguiçoso, ou fracote — e pode ser também — e não queira firma a morada, mas entende que a vida sopra mais forte a cada dia, e num é tijolo duro que é capaz de amortecer isso. sabe da importância de ser fraco, mesmo sabendo que todo o povo espera que seja forte, e ele sendo forte ou fraco prefere escorrer pelas mão do pé-de- vento, do que derriar ali e se fazer de alguma coisa que não é. pensamento de gente besta de quem tem medo de assentamento na vida. enquanto não sabe onde o sol bate não há de quê levantar parede.

disse uma vez sobre fazer as coisas diferentes. de construir o tal do sonho. é assunto de rir. crente que se realizaria naquele dia, e descobriu que é comum. a cavucada na terra dura achando que ia descobrir coisa de valor, só trouxe mais coisa comum. o homem que achou que iria voar não passou de um pulo do monte de terra que cavou o próprio buraco. não é ali que ele também pensa em fazer morada, mas olhando em volta do terreno só viu que o tempo todo só havia cavado buraco. e este que ele viu pela primeira vez do alto do monte era só mais um. homem comum, aceite. ser especial exige que arraste uma cruz. mas não é desejo ser grande e especial. não sofre disso. esse véu perigoso que é se amostrar pro povo de todo mundo sendo capaz de percorre-lo todo e se diz capaz de arar todas terra por onde anda é perigo que se corre nessa vida besta. falam de projeção como se no meio do caminho não tivesse barreira. a desconfiança é só mais um castigo que sofre o homem que nasceu filho dela sem ter escolha. todo cuidado é pouco na hora de assentar o primeiro tijolo enquanto não descobre de que lado o sol vai bater.

é muita terra, mais terra do que gente. ser homem mediano é equilibrar o alcance do que se pode ver. e no raso ainda avistar a margem das coisas. quem muito do alto se vê, pouco se enxerga, se perde na dilatitude. só vê o belo horizonte do próprio buraco comum que passou a vida cavando pra queda de si.

nesse meio metro de terra que assinou a nota promissória da vida, por fim fez a inevitável divida que é seguir viver. armou a rede e foi esperar de que lado o sol vai bater.

imagem da unica página salva de um livro de titulo esquecido que foi queimado numa noite no centro de Goiânia.

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    Tothi.

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    só mais uma narrativa, mas, tentativa.

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