Febre.

De choque e espanto.

Porque roubam o canto

à população.

Porque levam ao pranto

essa grande nação.

Porque não veem além da sua vida finita.

Porque para eles o futuro é agora

e quem se der bem não chora

e não vai estar aqui amanhã.

Febre.

Das que dão cólera.

Febre de dor e tristeza

porque toda aquela beleza

está indo embora.

A beleza do sorriso

e da esperança,

destruída,

esquecida,

sem espaço de dança.

Febre que invade o coração.

De ver a “dádiva” da ração.

De ver o escravagista a rejubilar.

Febre.

Da impotência contra o narcisista

que ninguém consegue cassar.

Febre.

De tanto chorar.

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