lavo teu corpo com meus olhos

está sujo de dor de sobrevida,

de falta dela.

lavo tua mente com meu toque

está dolorida de espaços vazios,

disformes.

acomodo tua cabeça no meu colo

está apetrechada de pensamentos

de agrado ao alheio.

lembro ao teu respirar para ser profundo

está superficial de tantas semimortes

de apneia cardíaca.

toco teu coração sob teu tórax elegante

digo pelas mãos que pode desacelerar,

desabafar as veias,

para o sangue fluir

para o riso fluir

para o amor fluir

solto

simples

líquido.