Saiba como é trabalhar na Brasileirinhas

Produtora de filmes pornôs conta com uma equipe de comunicação que realiza um trabalho como qualquer outro.


As oportunidades da Brasileirinhas Distribuidora de Filmes divulgadas no site trampos.co inevitavelmente geram um grande buzz de comentários. Das observações mais criativas às piadinhas clichês, a curiosidade impulsiona centenas de compartilhamentos na internet.

Atualmente, é a empresa que recebe o maior volume de interesses dentro do serviço. Desde abril de 2013, foram divulgadas 19 oportunidades totalizando 8.323 interesses enviados. Com isso, até o mês de janeiro de 2015, a soma de contratados pelo site chegava a 13 pessoas, entre programadores, tratadores de imagem, redatores e web designers.

Mas, em resumo, o trabalho é legítimo e sério como qualquer outro. Portanto, como será que os recrutadores lidam com essa zoeira sem limites? Adriana Cecchi, analista SEO e responsável pelas equipes de conteúdo e tratamento de imagem, gerencia os processos seletivos e tem um grande trabalho para escolher os profissionais.

“Acontece com frequência de marcarmos a entrevista e a pessoa desistir. Para nós, além da competência, o maior requisito é que o profissional não tenha nenhuma restrição com conteúdo adulto. É engraçado ter que dizer isso, até parece óbvio, mas é importante frisar”.

Apesar de tamanho barulho, as oportunidades são para o escritório e não para o estúdio. Conforme Adriana, dificilmente acontece o contato direto com as atrizes e atores. A rotina é semelhante a de qualquer outro setor de comunicação ou agência.

Ambiente de trabalho da Brasileirinhas, em São Paulo

Considerada uma das maiores produtoras de vídeos pornográficos do Brasil, a empresa investe na produção para internet, com vídeos e conteúdos para assinantes, o que exige tratamento de imagem e textos, por exemplo. São lançados dois filmes por mês, o que gera ao site 5 milhões de usuários únicos mensais.

“Começamos com a edição de vídeo, depois de pronto, o filme chega para a redação, que descreve e otimiza todos os textos. Em paralelo, o tratamento de imagem, seleciona, escolhe e trata as fotos para, assim, atualizar o site”, explica Adriana.


TABU

A principal dificuldade de contratação é atribuída aos candidatos brincalhões. “Às vezes a vaga é para estágio e graduados também enviam currículo, isso já reduz boa parte. Recebemos muitos candidaturas de brincadeiras ou com intenções não profissionais”.

Para a empresa, o causador de todo esse agito é o tabu em torno do sexo e da indústria de filmes eróticos. “Já que o pornô gera tanto clique e interesse, por que não falar abertamente sobre o tema? É um preconceito bobo”. Em cada nova demanda de contratação da empresa, canais de notícias online (como Folha de S. Paulo, R7 e G1) reproduzem a vaga como matéria — um escape para falar de “pornô” de forma indireta e ganhar mais acessos.

A produtora acredita que a grande mídia deveria explorar e desmistificar o assunto de maneira séria. “O (serviço de anúncios Google) Adsense não trabalha com conteúdo adulto e, com isso, ignoram a palavra mais buscada no engine deles. É um absurdo”, avalia a analista.

Texto originalmente publicado em Tutano, por Juliana de Brito.

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