As impressões

É meio torto ser rápido, imediatista, levado, em última análise, pelas impressões. Todavia, as impressões se impõem como pressões em minha cabeça. Pressionam-me, por um lado, a não levá-las em considerações. Por outro lado, pressionam-me a relatar, sabendo da superficialidade desse labor, o que estou vendo.

Esse ver, nem um pouco anódino e desconexo do meu viver, é o que me leva a ter impressões. Estas, neste momento, não são as mais felizes. É muito difícil olhar para as pessoas que você cresceu e dizer que a situação presente está certa. No entanto, falta-me a intrepidez de dizer que está errado. O que me atravanca, em certa medida, são os efeitos colaterais das duas ações.

A primeira ação, sem sombra de dúvidas, nas condições ambientes, para usar uma expressão/condição cara à físico-química, poderiam me colocar em duas chaves perigosas, genericamente dizendo: a primeira, em contradição, visto que as atitudes tomadas não correspondem a uma defesa dos interesses desses meus companheiros; enquanto que a segunda, é a de continuar deseducando essas pessoas, mantendo-as em uma espécie de letargia política, ao não despertá-las contra as injustiças que são, diariamente, avassaladoras em seu cotidiano complicadíssimo.

A segunda ação causaria, a meu ver, um efeito nebuloso nas percepções dos meus companheiros. Eles andam desacreditados e uma ação nesse sentido poderia, de modo catastrófico, obliterar as possibilidades deles compreenderem que o buraco é mais embaixo.

Então, diante dessa condição arrefecedora e dúbia da minha alma, fico com as impressões; guardo-as comigo, assaz triste. O sentimento do mundo drummondiano, isto é, ter apenas duas mãos diante de uma realidade tão cruel, enclausura-me nesse ambiente com um opaco sol, no qual as impressões são as mais consternadas possíveis.