Mito: Mercados de conveniência são o futuro do varejo alimentar.

Tribanco
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Jul 28, 2017 · 2 min read

Recentemente, temos notado no Brasil a proliferação dos mercados de conveniência, promovida principalmente por grandes redes como Pão de Açúcar e Carrefour. Estas lojas apostam no modelo de proximidade e praticidade da experiência de compra: ou seja, se misturam mais facilmente à paisagem dos bairros do que os super e hipermercados, prometendo agilidade e comodidade ao consumidor.

Outra coisa que este modelo de loja vende é uma ideia de modernidade. Através de um bom marketing, ele nos dá a impressão de ser melhor gerido e mais lucrativo. E, por isso, anda gerando a noção de que irá, cedo ou tarde, dominar o varejo alimentar brasileiro.

Só que enquanto esse argumento anda nas bocas de alguns comerciantes, o modelo de loja de que mais cresce no Brasil é o “atacarejo”.

Como todo bom varejista sabe, a comodidade também tem o seu preço. Ou seja, o que chamamos de “experiência de compra facilitada” é, no final das contas, algo que está incluso no preço dos produtos. Não à toa, o consumidor desenvolve a visão de que os mercados de conveniência são mais caros.

Ora, em tempos de crise, um marketing que remete a melhores preços — em oposição à conveniência — deve seduzir mais os clientes. É assim que os “atarejos” têm prosperado.

Olhando essa questão em um patamar internacional, a verdade é que todos os dados sobre o varejo alimentar nos EUA nos dão conta de que a tendência é de maior sucesso dos mercados maiores, tanto é que, de 1994 até 2014, observa-se um aumento ininterrupto do tamanho médio das lojas. Em 1994, segundo o FMI (instituto que estuda o varejo alimentar dos EUA) o tamanho médio de um supermercado no país era de 3,200 M ², em 2014 esse tamanho aumentou para 4,200 M ².

Mas por quê esse contexto cabe para a gente aqui no Brasil? A verdade é que — particularidades à parte — os EUA são o país onde os supermercados encontram maior concorrência. Por isso, nas análises econômicas, costumamos a olhar os EUA como quem olha para o futuro — não porque o país é mais ou menos “avançado” –, mas porque o ambiente de negócios mais competitivo do mundo é também o mais impiedoso para os modelos de insucesso.

Ou seja, estar atento ao comportamento dos consumidores aqui e no mundo deve ser um bom indicador de mercado para quem quer prosperar.

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