Sertão de oportunidades

Formada por filhos de agricultores que conseguiram mudar de vida através dos estudos, a Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel) transforma a realidade do semiárido do Ceará abrindo caminhos para jovens do campo

“Lá no meu pé de serra
Deixei ficar meu coração
Ai, que saudades tenho
Eu vou voltar pro meu sertão
No meu roçado trabalhava todo dia
Mas no meu rancho tinha tudo o que queria
Lá se dançava quase toda quinta-feira
Sanfona não faltava e tome xote a noite inteira”
(trecho de Meu Pé de Serra, Luiz Gonzaga”)

A água era pouca, o verde não existia e sua companheira era a poeira amarela. Pela terra batida e castigada pelo sol do semiárido nordestino, um menino abria os caminhos para um futuro que nem mesmo ele esperava. A única escola da comunidade rural Monte Alverne, em Apuiarés, no Ceará, no fim da década de 80, ficava distante. Não havia transporte escolar, nem mesmo o tradicional pau de arara. Ele era guiado por um sonho: sair de sua terra e ‘’ser alguém na vida’’.

Com apoio dos pais, Francisco Wagner Gomes de Sousa foi crescendo e sua dedicação com os estudos também foi aumentando. Após gastar sola de chinelo pelo chão sertanejo durante a infância, foi a vez de deslocar-se para o centro da cidade para concluir o ensino médio.

“Eram cinco quilômetros diariamente. Cinco para ir, cinco para voltar. A sala de aula era composta por alunos de várias séries. Os desafios eram constantes, mas os professores tinham uma frase: eu deveria estudar porque através dos estudos eu poderia ir embora da comunidade”, relembra Wagner Gomes.

Nascido naquela comunidade, filho de agricultores — o do meio de três irmãos -, já sabia seu destino após terminar o ensino médio, ou, como diz no interior: “terminar os estudos”. Ele iria morar em São Paulo com os tios que já tinham firmado-se por lá. Ainda naquela época, migrar para o Sudeste do país ainda valia a pena. Emprego para sertanejo era o que não faltava.

“Já estava tudo certo. Eu iria para a ‘cidade grande’ logo após terminar o Ensino Médio. Na época, já estava até demorando, pois meus tios diziam que viriam em um determinado ano, mas nunca dava certo”, relata Wagner. Mas o destino guardava uma revolução na vida dele.

Com apoio dos pais, que mesmo com quase nenhum estudo incentivavam os filhos a aprender cada vez mais, Wagner decidiu tentar vestibular em Fortaleza. Naquela época, a universidade pública era a única condição. Concorrida, seria difícil um jovem do interior garantir uma vaga. Em 2003, ele já tinha tentado vestibular duas vezes. Sem sucesso, ele decidiu aprimorar o conhecimento em outra cidade.

Wagner arrumou as malas e se mudou para Pentecoste, cidade vizinha a Apuiarés, que abrigava o Programa de Educação em Células Cooperativas (Prece). Uma organização sem fins lucrativos, formada por estudantes de comunidades rurais e municípios do interior do Ceará que, através do estudo em células, ingressam na universidade e retornam para ajudar outros jovens através das associações estudantis chamadas de Escolas Populares Cooperativas (EPCs). Criado em 1994 na comunidade rural de Cipó, Pentecoste, o programa já levou mais de 500 estudantes para a universidade.

A aprovação veio um ano depois, em 2004. Wagner, junto a outros colegas do Prece, foi aprovado entre os primeiros colocados para curso de Economia da Universidade Federal do Ceará (UFC). O menino que andou por terra batida foi para a capital obter o diploma de nível superior.

“A experiência do Prece me fez abrir novas visões. Agora eu queria me formar e voltar para minha comunidade. Eu precisava ajudar outros jovens a conseguir uma vaga na universidade e poder sair do sertão”, comenta o hoje economista.

Foi pensando no desenvolvimento de outros jovens do semiárido cearense, que Wagner Gomes resolveu, já em 2005, com um ano de faculdade, expandir o Prece para Apuiarés, sua terra natal. “Quando eu coloquei o pé na UFC, eu já tinha como meta voltar para minha comunidade. Não sei o que eu iria fazer. Não sei se seria apenas um voluntário ou montar um negócio. Só sei que eu iria voltar”, relembra com sorriso no rosto.

Wagner, de branco, viu o sonhos de vários jovens do campo virar realidade (FOTO: Divulgação)

Com uma vontade de empreender em um negócio social, Wagner juntou-se a outros três jovens sonhadores — Adriano Batista, Helano Luz e Evilene Abreu — e fundou, em 2007, a Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel).

“Na própria faculdade eu gostava de dividir ideias com pessoas de trajetória como a minha. Eram jovens que tinham o desejo de criar uma comissão que pudesse agregar o conhecimento universitário em um laborativo. A Adel nasceu com esse desejo. O desejo de aplicar esse conhecimento”, explica.

Sem sede fixa, dinheiro para investir ou veículo para se deslocarem, mas já registrada oficialmente como empresa, a primeira ação do quarteto com a Adel foi levantar as possíveis oportunidades que existiam na área da agricultura familiar em comunidades da cidade de Apuiarés. Mesmo com uma enorme vontade de ajudar, houve resistência dos moradores da área rural.

“No começo, o grande desafio foi a busca de credibilidade. Imagina jovens, filhos da própria comunidade, que viveram quase toda uma vida naquela região como pessoas comuns, agora estão voltando para mudar o que já era feito há várias épocas. Mostrar um novo jeito de fazer, de produzir foi difícil. Era uma quebra de paradigmas”, diz o empreendedor.

Para superar essa barreira, o jeito foi conversar com as lideranças. Por meio destes, os agricultores começaram a abrir espaço para atuação da Adel. Mudou-se a forma de cuidar do rebanho, de produzir e guardar alimentos para os animais para os períodos das grandes estiagens

Entre uma reunião e outra nas sedes das associações locais, a Agência de Desenvolvimento Econômico Local fazia com que homens criados no campo começassem a ver o trabalho com outros olhos e, assim, obtendo um maior retorno.

Vivendo de bolsas de estudos, o quarteto da Adel passou dois anos sem conseguir retorno financeiro. Além disso, havia a dificuldade de locomover-se entre a capital e o interior. Nos primeiros anos, somente um deles morava em Apuiarés.

Até que em 2009, a Agência conseguiu R$ 25 mil a partir de uma doação da Brazil Foundation, órgão que investe em projetos sociais no Brasil há 15 anos. Todo o dinheiro foi colocado melhorias para a comunidade.

“Com esse dinheiro, a Adel começou a mudar suas atividades. Nos dois primeiros anos nós investimos somente em ações voltadas para a agricultura familiar. Devido à resistência dos agricultores e também a novas oportunidades, nós começamos a fomentar pequenos negócios conduzidos por jovens empreendedores”, explica Wagner Gomes.

Com a nova investida, a Adel iniciou o acompanhamento e suporte de jovens da região. Wagner explica que esta mudança deu-se principalmente pela abertura que os jovens tinham. De acordo com o empreendedor, eles queriam saber sobre as novas tecnologias e ainda tinham mais tempo livre, já que não estavam ligados de forma integral aos trabalhos do campo.

Logo em seguida veio apoio do Banco do Nordeste (BNB) e, em 2010, o empreendimento já estava contratando profissionais para trabalhar com regime de CLT.

“Até 2010 a gente somente levava ‘porrada’. Foram anos de bons resultados sociais, mas o retorno econômico era praticamente zero. Somente com o novo programa de apoio a jovens empreendedores, que o negócio começou a ser sustentável”, explica o sócio-fundador.

A formação de jovens empreendedores é hoje um dos quatro pilares da Adel. No início, em parceria com o Instituto Souza Cruz e a Fundação Konrad Adenauer, a Agência implantou na região do Médio Curu a formação complementar à educação formal, guiando jovens de 16 a 29 anos, moradores de comunidades rurais, à reflexão e criatividade para o desenvolvimento de ações empreendedoras. Além da formação, Adel conta ainda com acesso ao microcrédito, tecnologia e fortalecimento organizativo.

Para entrar no Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER), o jovem passa por uma seleção realizada pela Adel. Ele precisa ter uma ideia na cabeça para conseguir entrar no projeto. Iniciando a capacitação, aquele futuro empreendedor passa por uma uma imersão de seis semanas quando terá aulas de gestão e empreendedorismo, além de visita a empreendimentos que possuem relação com a área que ele quer atuar.

“O jovem que entra no programa com uma vontade de abrir um negócio. Ele tem apenas a ideia e, durante o Programa Jovem Empreendedor Rural ele vai aprender como tirar esta ideia do papel e abrir seu próprio negócio”, explica Wagner.

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A partir da formação, o futuro empreendedor sai com um plano de negócios e este será o pré-requisito para receber o certificado e submeter ao empréstimo que poderá ser pago em até 18 meses, com uma taxa de juros de 1,5% ao mês. Para Wagner, o principal desafio da empresa hoje é promover também a inclusão de mulheres. Segundo o diretor da Agência, a participação de mulheres é o grande desafio.

Ao mostrar aos jovens as reais oportunidades existentes quando tornam-se empreendedores, a Adel proporciona a fixação do homem no campo, reduz a o êxodo rural e a abertura de novos caminhos contribuindo para o desenvolvimento regional. Por meio de parcerias, retorno de empréstimos e prestação de serviço, a empresa que começou com caixa zerado hoje movimento cerca de R$ 1,5 milhão por ano.

Transformações sociais

Em seus 8 anos de atuação, a Adel já beneficiou 620 jovens e 1.200 agricultores familiares de 10 municípios cearenses (Pentecoste, Apuiarés, Tejuçuoca, General Sampaio, São Gonçalo do Amarante, São Luis do Curu, Paracuru, Caucaia, Umirim, Itarema). Através do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER), tecnologia social desenvolvida pela instituição e reconhecida pela Fundação Banco do Brasil e pela 5ª edição do Prêmio ODM Brasil, 165 empreendimentos de jovens rurais foram implementados no território.


Em 2014, Vitor Esteves conheceu a Adel e o Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER), foi selecionado e recebeu a formação que buscava para investir em seu empreendimento

Vitor Esteves, 26, natural de Fortaleza, filho de Artêmio Vasconcelos Santos e Tereza Cristina Esteves Vasconcelos, sempre contou com o apoio dos pais para investir em seus objetivos.

Desde cedo Vitor presenciou as dificuldades que a família passou por falta de oportunidades. Vitor cresceu em Fortaleza, mas sempre que podia visitava uma propriedade do pai em São Gonçalo do Amarante para passar os fins de semana e deslumbrar ideias sobre seus sonhos.

Quando concluiu o ensino médio ingressou no primeiro trabalho e se estabilizou por um tempo, até que sentiu a necessidade de também investir em algo, foi então que iniciou diversos cursos até consolidar o conhecimento necessário para empreender.

Em 2014 conheceu a Adel e o Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER), foi selecionado e recebeu a formação que buscava para investir em seu empreendimento. No curso, ele aprendeu a gerenciar um negócio e qual seria o mais viável diante da sua realidade.

Vitor enxergou que a propriedade que seu pai comprou anos atrás era o lugar ideal para plantar sua ideia, pois a terra é fértil e tem muito espaço. Investiu inicialmente na Avicultura construindo dois galpões para o manejo. Hoje, com conhecimento e acesso a políticas públicas e apoio da Adel também investiu na plantação de mamão em consórcio com pimentão.

“Enfim consegui, o percurso foi longo. Coloquei em prática meu empreendimento de frangos caipiras e já comecei dois novos, felizmente tudo vem dando certo, encontrei várias dificuldades, mas estou superando. Quero muito investir e alcançar mais objetivos, até porque espaço é o que não falta na minha propriedade”, afirma Vitor Esteves

Ana Maria é a filha mais velha de nove irmãos, e desde muito cedo dividiu com os pais a responsabilidade de cuidar da família, da casa e da roça. Residente na comunidade de Livramento, localizada aproximadamente a 25 km de São Gonçalo do Amarante, os pais motivaram ela e os irmãos a estudarem mesmo com o pouco acesso à educação.

Entretanto, com apenas 14 anos e cursando a 6ª série Ana Maria mudou completamente seus projetos de vida. Logo que engravidou, parou os estudos e assumiu a responsabilidade de cuidar do filho e de sua casa. Ana conta que apesar das mudanças prematuras, ela e o esposo, Rubens, deram novos rumos as suas histórias.

Com o nascimento dos dois filhos, ela passou a cuidar das crianças e das atividades do lar e Rubens trabalhava fora para adquirir o sustento da família. Após uma década, Ana viu a necessidade de retomar os estudos. Os filhos cresceram e traziam atividades para casa do colégio, mas ela não conseguia ajuda-los devido sua baixa escolaridade.

Assim, ela cursou durante cinco anos o Ensino Fundamental e Médio, e logo após, viu que além de ajudar seus filhos poderia fazer um curso profissionalizante e investir em alguma atividade produtiva. Daí surgiu a vontade de empreender, pois descobriu que agrupar prática, conhecimento e força de vontade poderia lhe trazer bons frutos.

Paralelo a busca de emprego, Ana soube através de uma amiga do PJER. Imediatamente, ela buscou informações, inscreveu-se e foi selecionada. No curso, Ana identificou várias oportunidades em sua comunidade, e optou por investir em um negócio que os moradores tinham mais necessidade. As famílias de Livramento enfrentavam muitas dificuldades para ter acesso aos estabelecimentos comerciais.

Desse modo, Ana decidiu juntamente com seu esposo montar um mercearia em um dos cômodos de sua casa. Há mais de um mês a mercearia funciona e eles já tiveram mais de 80% de retorno de acordo com seus investimentos. Ana está muito feliz e pretende em breve comprar um freezer, mais prateleiras e ampliar o espaço. Ela afirma que otimizar o espaço e atender bem os clientes é uma estratégia de venda que aprendeu no curso e não esqueceu.


Francisco Elielton Brito de Morais, 19, natural de Pentecoste, desde criança sempre se interessou por vídeos games, desenhos, filmes e trabalhos gráficos, alimentando um desejo que o tornaria empreendedor no futuro.

Com o apoio dos pais, ele fez um curso de informática básica após concluir o Ensino Médio. Isso lhe motivou a se capacitar ainda mais na área, fazendo no ano seguinte um curso técnico de computação gráfica, pois embora tivesse noções de informática, ele viu que para alcançar seus objetivos era necessário adquirir novos conhecimentos.

Após a conclusão do curso técnico, ele decidiu empreender na área. Entretanto, não sabia como administrar o empreendimento. Na ocasião, surgiu a oportunidade de ingressar no PJER.

No PJER, participou do Curso de Empreendedorismo e Gestão de Negócios e logo acessou uma linha de crédito. Com os recursos financeiros repassados pela Adel e a ajuda da sua família, abriu uma loja no Centro de Pentecoste, disponibilizando serviços gráficos e de informática para a população.


Heitor Vieira, 24, nasceu e cresceu na comunidade de Xixá, Pentecoste, caçula de cinco irmãos, desde pequeno aprendeu o valor do trabalho com seus pais, Antônio Sinval e Maria Vieira. Filho de agricultores, ajudou muito durante toda sua infância e adolescência na roça. Apesar das dificuldades sua família sempre o incentivou a estudar, e aos vinte anos concluiu o ensino médio.

Depois que concluiu os estudos, ficou dois anos apenas ajudando sua família, depois fez um curso de recepcionista, mas não se identificou, e após algum tempo ficou sabendo do curso da Adel através de um amigo que o incentivou a se inscrever.

Em 2013 Heitor ingressou na segunda turma do ano do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER), concluiu a formação naquele ano e em 2014 pode acessar a linha de crédito do Fundo Veredas, estratégia da Adel para apoiar a abertura e o desenvolvimento de empreendimentos de jovens rurais no semiárido cearense e colocou em prática o seu empreendimento.
Heitor fez dois aviários, comprou pintos, insumos e investiu no seu negócio intitulado “Frango histórico”, e após quatro meses começou a fornecer frango para moradores da comunidade, mercearias e paro o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) de Pentecoste.

“Nunca pensei em ser um jovem ativo na minha comunidade, sempre fui inibido, agora sou visto por todos como um empreendedor, uma referência, principalmente pela minha família”

Gilberlane Oliveira, 21, filho de Maria Ecilda e Gilberto Honório, tem quatro irmãos, desde pequeno começou a se destacar em meio aos outros, muito esperto e ambicioso, sempre economizou para comprar suas próprias coisas.
Ele nasceu e cresceu na comunidade de Muquém, na cidade de Pentencoste, e desde pequeno trabalhou na agricultura com pai e ajudou em casa.

Aos 17 anos concluiu o ensino médio e passou a ajudar o irmão mais velho na venda de produtos variados em outras comunidades, começou a lidar com estratégias de vendas e números e imediatamente se identificou com tudo aquilo.

Depois de dois anos trabalhando com o irmão surgiu a oportunidade de participar do curso da Adel, através de um amigo que já havia feito curso foi incentivado a se inscrever e participar. E em 2013 ingressou na segunda turma do ano, passou por toda formação e adquiriu conhecimento de como gerenciar um negócio.

Após a formação acessou a linha de crédito do Fundo Veredas, estratégia da Adel para apoiar a abertura e o desenvolvimento de empreendimentos de jovens rurais no semiárido cearense e colocou em prática o plano de negócio elaborado durante a formação. Gilberlane já vinha construindo seu próprio imóvel, e com o dinheiro do empréstimo reformou um dos cômodos da casa, comprou três máquinas, estoques de tecidos, móveis e aviamentos.

Dando início a produção fechou parceria com uma irmã, na qual tinha experiência com confecção e também contratou algumas bordadeiras da comunidade para customizar os produtos gerados. Enfim decidiram que a produção seria apenas de jalecos, Gilberlane e fez um estudo de mercado e enxergou como uma grande oportunidade, conseguiu um cliente fixo e hoje produz em média 250 jalecos por mês, no qual é comercializado em Fortaleza.


Giliard Gama, 29 anos, mora no distrito rural de Serrota, no município de Pentecoste. Neto e filho de agricultor, escolheu também esta profissão para sua vida e após participar, em 2012, da capacitação promovida pela Adel, decidiu investir na produção de coco com seu pai.

A unidade familiar de nove hectares de terras, já possuía 1.400 pés de coco, gerando uma produção de 7 mil cocos por mês. Uma produção considerada baixa, pois a média de produção deveria ser de 21 mil frutos mensalmente. Ao avaliar os motivos desse baixo índice, ele percebeu que o problema era a infestação de pragas e a irrigação inadequada (por inundação), pois o correto seria a irrigação localizada por gotejamento.

Dessa forma, ele começou a usar na produção de coco o sistema de irrigação por micro aspersão, que além de economizar água, permite um desenvolvimento melhor do plantio. Também utiliza produtos orgânicos como óleo de algodão e fumo ao invés de defensivos agrícolas. Em parceria com o pai e apoio do Fundo Veredas, uma estratégia da Adel para apoiar a abertura e o desenvolvimento de empreendimentos de jovens empreendedores rurais, Giliard melhorou o sistema de irrigação da propriedade e ampliou sua produção.

Giliard Gama foi o jovem vencedor do 1º Prêmio A Nova Cara do Sertão, promovido em 2014. Ele empreende de maneira sustentável, articulando outros produtores de coco da região e promovendo o desenvolvimento mútuo.

“Procurei os produtores que faziam parte do mesmo reservatório de água, e passei a incentivá-los a mudar a irrigação. As chuvas foram poucas, precisamos economizar e tentar garantir água. Estou bastante feliz por ter ajudado”

Os irmãos Jean Henrique (25), Joy Bruno (21) e Jayson Breno (20), residentes na comunidade de Matões, no município de Caucaia, desde pequenos sonharam com sua autonomia financeira.

Atualmente, os jovens irmãos são responsáveis pelo gerenciamento, manuseio, mão de obra e todos os processos de produção do empreendimento. Eles vendem direto para o consumidor final e para os programas do governo federal (PAA E PNAE)

Filhos de agricultores, eles sempre ajudaram os pais no cultivo de hortaliças, principal renda da família. Entretanto, como a horticultura não dava muito lucro e a família tinha outras necessidades, os pais de Jean, Joy e Jayson decidiram criar peixes no quintal da casa, uma ideia que surgiu com o intuito de complementar a renda.

A criação de peixes inicialmente apresentou muitos resultados. Existia uma demanda de mercado e toda a família colaborava no processo de limpeza e coleta dos tanques. Após alguns meses, a falta de conhecimento em gerenciar e manusear o processo de criação de peixes acabou parando a produção.

Com o empreendimento de piscicultura desativado, a família buscou novas alternativas e o desejo de empreender na área foi prolongado por alguns anos. Jean, Joy e Jayson tinham vivenciado a experiência com os pais e juntos “teimaram” em criar os peixes novamente. Infelizmente, eles não conseguiram gerenciar a produção e o negócio não obteve êxito.

Nesse ínterim, os amigos da comunidade de Matões compartilharam com eles que as inscrições da capacitação da Agência estavam abertas. Jean e Joy não perderam a oportunidade e ingressaram no curso em agosto de 2014. Em 2015, o irmão mais novo, Jayson, também fez o curso. Após a formação, decidiram investir no antigo sonho deles e reativaram o empreendimento de piscicultura.


Luís Siqueira, 22 anos, mora na comunidade Vaca Brava, distante 20 km da sede do município de General Sampaio. Ele, juntamente com o pai e seus dois irmãos, sempre trabalhou na agricultura. Ao concluir o ensino médio, em 2012, participou do Programa Jovem Empreendedor Rural (PJER), onde agregou o conhecimento adquirido à sua prática agrícola.

Na propriedade de 41 hectares de sua família, eles cultivam grãos (milho e feijão) e trabalham com a pecuária, onde criam caprinos, suínos e aves. A produção é utilizada para o consumo familiar, sendo o excedente comercializado.

Ainda durante a formação empreendedora no PJER, Luís decidiu potencializar a criação de aves, atividade desenvolvida na propriedade com técnicas ultrapassadas, e considerada próspera no município. A avicultura caipira é uma atividade em ascensão no município de General Sampaio, que tem possibilitado gerar renda para Luís e sua família. Hoje ele ocupa um espaço no mercado local e vende seus produtos para o Programa de Aquisição de Alimento (PAA) e para a comunidade.

Para Luís, o PJER lhe possibilitou maior visibilidade da produção agrícola. Embora trabalhasse na propriedade familiar, não via como um empreendimento.

“Hoje percebo que participar do PJER foi uma grande mudança em minha vida, porque adquiri conhecimentos que me fizeram ver inúmeras possibilidades de permanecer na minha propriedade e viver bem, desenvolvendo atividades que possam me trazer retorno sem precisar sair do meu meio vivencial”

Raquel Soares, mora na comunidade de Vila Soares, em Apuiarés. Desde criança, sempre gostou de pintar e criar. Ainda adolescente fez um curso de pintura e passou a confeccionar artesanato para lembrancinhas de festas e batizados, contribuindo para a renda da família.

Em 2013, ao ingressar no curso oferecido pela Agência, ela fazia desenhos nas unhas das amigas e vizinhas na comunidade, mas não via no período, como um negócio sustentável. Porém, ao estudar sobre empreendedorismo e gestão no PJER percebeu que esta atividade seria uma grande oportunidade de empreender.

Raquel Soares foi uma das jovens empreendedoras rurais finalista do 1º Prêmio A Nova Cara do Sertão, realizado pela Adel em 2014

Criou após a formação empreendedora o “LuArt em unhas”, um salão de beleza, especializado em serviços de manicure, pedicura e decorações de unhas.

“Eu percebi que havia muita procura por serviços de manicure e decoração de unhas na comunidade, e vi que isso podia ser uma fonte de renda para que eu pudesse trabalhar e ajudar minha família, sem precisar sair da minha comunidade”

No início Raquel enfrentou muitas dificuldades, mas com o apoio da família e do Fundo Veredas, uma estratégia da Adel para apoiar a abertura e o desenvolvimento de empreendimentos de jovens empreendedores rurais, ela comprou os produtos necessários para iniciar a atividade. Hoje ela tem o próprio espaço do empreendimento, não atende mais na casa das clientes e o atendimento acontece por agendamento.


Rayssa Oliveira Duarte, 24, designer de Moda, natural de Fortaleza, resolveu após concluir o Ensino Superior, empreender na área de moda e comércio. Inspirada pelo seu primo, Neto Ribeiro, empreendedor na área de avicultura em Pentecoste e um dos primeiros jovens formados pela Adel, ela decidiu mudar da cidade grande para zona rural. Veio para comunidade Boca da picada em São Gonçalo do Amarante, para ganhar conhecimento.

Após concluir o curso de empreendedorismo e gestão de negócios, Rayssa levou a diante o legado de seus pais e avós, tornando-se empreendedora na área de moda artesanal. O foco do empreendimento é valorizar as mulheres que trabalham com bordados, formando uma rede junto com a mãe e outras artesãs.

Festa de 8 anos

A Agência de Desenvolvimento Econômico Local estará comemorando seu 8º aniversário entre os dias 08 e 11 de dezembro de 2015. Na semana comemorativa, a organização realizará várias atividades com associados, equipe e parceiros. Acontecerá rodas de conversa; palestras e dia de campo com o público beneficiado; e o Seminário Empreendedorismo e Desenvolvimento Local — a atuação da empresa no semiárido cearense, ponto culminante da comemoração.

O Seminário será realizado no próximo dia 11 de dezembro, às 9h, no auditório da EEEP Alan Pinho Tabosa, em Pentecoste. O objetivo do seminário é compartilhar as experiências de jovens empreendedores do território e discutir quais as perspectivas e o papel da juventude no desenvolvimento local.

O evento será mediado por Aurigele Alves, gerente de programas da Adel. Aberto ao público e com certificação.

Inscrições: http://migre.me/simjK

Reportagem
Felipe Lima
Editor de Conteúdo — Tribuna do Ceará

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