Universitários fazem reforma de orfanato como trabalho conclusão de semestre

Reforma durou dois meses e beneficiou cerca de 40 crianças (FOTO: Arquivo pessoal/Larissa Cavalcante)

Amor, doação e negócios podem estar unidos sim. Estudantes do curso de Construção de Edifícios da Faculdade Nordeste (Fanor) comprovaram a afirmação. Com muita conversa, negociação e força de vontade, eles deram vida e luz a um orfanato que abriga 40 crianças, no Bairro São Gerardo, em Fortaleza. Como atividade curricular, fizeram uma reforma do espaço. “A gente sabe que existem pessoas em situação difícil; mas, quando a gente presencia, é diferente”, desabafa o estudante e eletricista Igeovânio Enoi.

A ideia surgiu em sala de aula, quando professora e alunos da disciplina de Práticas de Negociação decidiram fazer algo diferente para o trabalho de final de semestre. “Para conseguir o engajamento deles, pensei em negociarmos alimentos para doarmos a alguma instituição. Até que um estudante propôs que, em vez de entregar alimentos, fizéssemos uma reforma”, conta a professora Larissa Cavalcante.

Os alunos, então, foram em busca de instituições que necessitassem do trabalho da turma, de cerca de 50 estudantes. Foram selecionados a Comunidade Imaculada Conceição, na Barra do Ceará, e o orfanato Cristo Rei, localizado na Avenida Bezerra de Menezes.

O Cristo Rei, com 64 anos de existência, que recebeu as principais melhorias, dá abrigo, alimentação, amor e carinho a 40 crianças e adolescentes, de 5 a 17 anos. São crianças que não podem ser cuidadas em casa, seja por falta de recursos financeiros ou por ter pais dependentes de drogas.

Após negociar com empresas do ramo, a fim de obter doações de cimento, tintas e objetos de eletricidade, dando em troca treinamentos, mão de obra ou mesmo produzindo fanpages, os estudantes colocaram a mão na massa, literalmente. O trabalho foi feito aos sábados e domingos, em horários diferentes das aulas. O orfanato estava com instalação precária, teto prestes a cair, paredes desgastadas e iluminação insuficiente, gerando riscos aos abrigados.

Na disciplina do curso, foi modificada toda a parte elétrica da unidade, pinturas do quarto, melhorias no banheiro, além de reparação do teto. “Eles recuperaram toda a rede elétrica, porque tinha muita tomada exposta, lâmpadas sem funcionar, fiação aparente. Já a laje da sala, eles refizeram toda, porque estava quase caindo, além de pintarem os quartos das meninas e dos meninos”, explica Larissa.

O aluno Igeovânio, que trabalha como eletricista, ficou responsável por mudar a parte elétrica do ambiente. “Foi uma grande oportunidade abraçar esse desafio. Passei 12 dias trabalhando no orfanato”, lembra. A reforma durou cerca de dois meses e foi entregue em julho deste ano. Para a coordenadora do orfanato Cristo Rei, Marinete Ferreira Costa, antes dos reparos, a segurança das crianças estava ameaçada. “Antes estava ‘cai não cai’, agora está tudo direitinho, bonitinho. Todo mundo ficou muito feliz”.

A intenção, agora, é fazer melhorias em toda a instituição, com mudanças nas salas de aula e recreação, nas janelas e no acesso da escada, que atualmente tem dimensão menor do que a estabelecida por norma de segurança. “Me comprometi a selecionar alunos para fazer um novo projeto. Em setembro, iniciaremos a intervenção física”, assegura o coordenador do curso de Construção de Edifícios, Edilson Duarte.

Aluno do último semestre do curso, Igeovânio tem a certeza de que foi o trabalho mais proveitoso de todas as disciplinas. A amizade feita com as crianças foi marcante. “Quando eu chegava, era uma festa. Eles pediam: ‘Deixa isso pronto para nós, tio, e até indicavam o que não estava funcionando. Para mim, foi uma experiência única”, revela.

“Quando eu chegava, era uma festa. Eles pediam: ‘Deixa isso pronto para nós, tio’. Para mim, foi uma experiência única”. — Igeovânio Enoi

Serviço:
Orfanato Cristo Rei
Endereço: Avenida Bezerra de Menezes, 1643, São Gerardo, Fortaleza
Telefone para visitas ou doações: (85) 3223.0910

Veja como ficou o orfanato:

O orfanato estava com instalação precária, com teto prestes a cair, paredes desgastadas e iluminação insuficiente, gerando riscos aos abrigados (FOTO: Arquivo pessoal/Larissa Cavalcante)
Na disciplina do curso, foi modificada toda a parte elétrica da unidade, pinturas do quarto, melhorias no banheiro, além de reparação do teto (FOTO: Arquivo pessoal/Larissa Cavalcante)
O orfanato estava com instalação precária, com teto prestes a cair, paredes desgastadas e iluminação insuficiente, gerando riscos aos abrigados (FOTO: Arquivo pessoal/Larissa Cavalcante)
Na disciplina do curso, foi modificada toda a parte elétrica da unidade, pinturas do quarto, melhorias no banheiro, além de reparação do teto (FOTO: Arquivo pessoal/Larissa Cavalcante)
O orfanato estava com instalação precária, com teto prestes a cair, paredes desgastadas e iluminação insuficiente, gerando riscos aos abrigados (FOTO: Arquivo pessoal/Larissa Cavalcante)
Na disciplina do curso, foi modificada toda a parte elétrica da unidade, pinturas do quarto, melhorias no banheiro, além de reparação do teto (FOTO: Arquivo pessoal/Larissa Cavalcante)
O orfanato estava com instalação precária, com teto prestes a cair, paredes desgastadas e iluminação insuficiente, gerando riscos aos abrigados (FOTO: Arquivo pessoal/Larissa Cavalcante)
Cerca de 40 crianças abrigadas no orfanato foram beneficiadas com a reforma (FOTO: Arquivo pessoal/Larissa Cavalcante)
Cerca de 40 crianças abrigadas no orfanato foram beneficiadas com a reforma (FOTO: Arquivo pessoal/Larissa Cavalcante)
Jovens negociaram com empresas para obter cimentos, tintas e objetos de eletricidade (FOTO: Arquivo pessoal/Larissa Cavalcante)
Cerca de 40 crianças abrigadas no orfanato foram beneficiadas com a reforma (FOTO: Arquivo pessoal/Larissa Cavalcante)

Publicado originalmente tribunadoceara.uol.com.br on August 11, 2015.