
Um convite aberto-como começar uma conversa
O aprendizado não é a entrega de pacotes de informação, o copie e cole de uma apresentação de slides. Ele é vivo.
Por dois anos, eu vivi e respirei Schumacher College, um centro internacional de sustentabilidade em Devon, UK. Como voluntário residente e depois funcionário, eu consegui absorver tantas ideias e exemplos — das filosofias do pensamento sistêmico e da ecologia profunda às práticas de facilitação e de tomada de decisão comunitária. Quando me mudei para Belo Horizonte, Brazil, em Outubro de 2015, a única possibilidade real para encontrar pessoas com interesses similares era o Portugûes e a confiança. Eu não tinha nem dos dois.
Passados dois anos, Junho de 2017, e eu me encontro conversando com um italiano que fala portugûes se chama Fábio. Ele está apaixonado pela ideia de criar uma cultura do investimento por impacto em Belo Horizonte. Ele diz que quer encontrar mais pessoas com os mesmos interesses em assuntos como empreendedorismo social, complexidade, comunidade e, de fato, um universo interconectado de ideias que estão tomando raízes em várias partes do mundo. Ideias que estão aparecendo em Belo.

Meu portugûes estava bom e os meus interesses em complexidade e em narrativa em organizações humanas não tinham diminuídos — na verdade se transformaram num projeto de pesquisa bem desenvolvido com o Cynefin Centre da universidade de Bangor, no País de Gales. Refletindo, eu não tinha mais desculpas.
Um amigo meu, parceiro do Impact Hub Beagá e escritor do Medium, Stephan Dohrne, encontrou-me para um almoço saboroso do San Ro elogiou o projeto:a criação de um grupo de coaprendizagem pela aprendizagem ativa (active learning) com foco no aprendizado experiencial e com facilitação rotativa. O projeto foi ao encontro de seu desejo de levar ideias menos conhecidas, e ainda não traduzidas, a uma audiência brasileira, como Teoria U, uma metodologia de colaboração baseada em presença. Agora eu tinha um espaço, o Impact Hub, e após alguns whatsapps, um horário também. Tudo o que faltava era um convite.
Eu já vi muitas ideias e conceitos entregues com pouca consideração pela sua aplicação em termos de comunicação. Palestras sobre o coaprendizado dadas por homens brancos ricos para audiências sentadas, conversas sobre a economia sem carbono facilitadas por pessoas que vem de avião para o fim de semana. Eu queria e quero saber como convidar um grupo de pessoas de modo a deixar o conteúdo e o trabalho das nossas conversas abertos a negociação. Como pode a conversa ser parte da, ou de fato ser, a aplicação?
Com esse questionamento em mente, nasceu o seguinte convite, ponta pé inicial desse projeto:
“Instituto Nova Liderança
Se tiver interesse, me-avise.
Um novo paradigma está crescendo. Hoje, liderança efetiva não é sobre estruturas fixas, hierarquia, reducionismo, controle, competição e captação de só de dinheiro. Novas situações precisam de novos valores, como atenção e escuta profunda, colaboração, prática pessoal, compaixão, abertura e curiosidade. E esses valores se encaixam em vários metodologias, conceitos e práticas -
Focos sugeridos
Design e Design Thinking
Pensamento em sistemas
Facilitação, e modelos de facilitação
Pedagogia de grupos
Complexidade em organizações humanas
Liderança, e modelos de liderança
Meditação e inteligência emocional
Action Learning
Comunicação não violenta
Em grupo, podemos explorar esses assuntos de um jeito experiencial, e que usa as nossas experiências. O convite é para refletir e aplicar aprendizado nas nossas vidas, e voltar com os resultados.
Objetivos
Engajar com novas metodologias, conceitos, e práticas úteis para as nossas vidas, profissionais e pessoais
Usar o espaço para desenvolver as nossas próprias capacidades, entendimentos, daquelas do grupo por estudar e reflexão
Criar conteúdo acessível em Português
Tornamos pessoas capazes em oferecer o nosso aprendizado ao mundo
Com uma rotina consistente e um grupo comprometido, teremos oportunidade para desenvolver confiança e relacionamentos profundos. Papéis podem mudar a fim de que cada tenha uma oportunidade de liderar, fazer storyboard, e oferecer críticas.
Estrutura
A cada 15 dias
2 horas
Facilitação e papéis rotativos
Preparação em casa para conversas e práticas profundas
Relatório de cada reunião
Materiais coletados disponíveis juntos online
Thomas Rickard”
Eu coloquei esse convite no Facebook, no Meetup.com, e na rede Nossa Cidade. Várias pessoas responderam, algumas com perguntas — quanto custa esse curso? O que é esse encontro? O que eu preciso fazer? No final, teve 7 pessoas apareceram.
O assunto do primeiro encontro foi bastante claro: formação de grupos. Nos primeiros esboços, eu considerei apresentar uma variedade de conceitos, como as 5 etapas de times de Tucker e os 9 papéis de times de Belbin, e seguida de rodadas de reflexão. Isso foi até eu pesquisar mais profundamente a dica das minhas amigas, Lu e Denise, sobre a Pedagogia de Cooperação do brasileiro Fábio Brotto.

A Pedagogia de Cooperação é um belo mapa do potencial para que os grupos atinjam seu potencial máximo, não só em termos de produtividade, mas para a gama das necessidades humanas: a ligação, a inclusividade, a imaginação, e ação. Mais que isso, com o seus quatro princípios, é uma filosofia do que é ser humano. Inclui muitos jogos e práticas cooperativas, em vez de competitivas, como Dragon Dreaming e diálogo. Eu não vou oferecer todos os detalhes aqui, você pode ler mais nesse blog, no site mesmo, e nas referências abaixo. Aqui, eu vou falar como a pedagogia nos apoiou no encontro.
A primeira etapa da Pedagogia é ´Com-tato´. Embora eu não estivesse obedecendo a regra de sempre começar juntos, como dois participantes ainda não tinham chegado e já haviam passado 20 minutos das nossas duas horas, eu comecei. Escolhi uma prática que poderia trazer os cinco de nós para dentro dos nossos corpos, presentes ao espaço, e presentes ao nós mesmos: andar rapidamente olhando o chão com olhos para o chão, e aos poucos, andar mais devagar e com mais contato com os olhos, e, eventualmente, com as mãos. Como todas as práticas da Pedagogia de Cooperação, paramos e fizemos uma reflexão. Algumas pessoas comentaram sobre os jeitos em que podemos estar bem ocupados e entre outros e, ainda, escolhemos não conectar. Retardar parece muito mais confortável.
Voltando para o nosso círculo de cadeiras com foco central, uma mesa nesse caso, estávamos praticando um outro principal da Pedagogia: o círculo mostra que não existe hierarquia entre nós. Eu ofereci uma orientação, quem eu era, o porque do convite e as razões atrás ele. Eu trouxe uma imagem, a de uma treliça com plantas — uma estrutura fixa que cria um espaço para a vida orgânica, não determinada, e responsiva: encontros fixos cada duas semanas em que os sonhos do grupo podem emergir.

A etapa do Com-tato continuou com um conjunto de questões chamado Fast Friends (amigos rápidos) para perguntar em pares questões como: ´o que amizade significa para você?´ e ´tem algum palpite segredo sobre a maneira em que vai morrer?´. Como sempre, paramos para reflexões, e alguns comentários incluíram surpresa não só nas respostas, mas também na maneira pela qual a tarefa de sentar e focar juntos em questões definidas criou uma experiência de escuta mais profunda.
Quando terminamos as reflexões, os nossos dois últimos participantes chegaram e eu pedi ao grupo que oferecesse uma história curta do que já tinha acontecido para incluí-los ao grupo, e também voltei para o convite. Contexto definido, eu descrevi os 9 papéis de Belbin e cinco etapas do times do Tucker, mas comentei que nem dos modelos oferece espaço para o grupo sonhar o projeto, e ambos são desafiados pelo grupo em constante evolução, assim como os papéis e as tarefas como proposto no convite. A Pedagogia de Cooperação, por outro lado, é uma abordagem flexível e coerente que pode ser retomada a cada encontro, e adaptada para momentos e necessidades diferentes.
Tendo feito contato, eu queria ir rapidamente para as ´In-Quiet-Ações´, ou talvez, Visão. Oferecendo post-its, e sem repetir o conteúdo do convite, eu sugeri que as pessoas escolhessem algumas coisas que chamaram sua atenção em relação ao grupo. O que fez os olhos delas brilharem? O que os trouxe aqui hoje?
Depois disso, ficamos juntos em pé para ver se faltava algo, ou coisas semelhantes que pudessem ser agrupadas. Fábio apontou o caráter textual da folha — um ponto útil para exercícios do futuro, que imagens e símbolos são bem vindos também. Uma conversa animada continuou passando por uma variedade de referências, autores, grupos e experiências relatadas. Sentindo a pressão do tempo eu tentei mudar para a próxima etapa da Pedagogia, ´Com-Trato´: as nossas necessidades básicas, como pontualidade, receber ligações, horário do dia, etc. Como criador e facilitador da sessão, eu senti um leve desconforto enquanto a conversa ficou ao redor do que o grupo poderia fazer juntos em vez das necessidades específicas que tinha indicado. Agradecidamente, a meditação daquela manhã valeu a pena, e eu percebi que esse era, na verdade, o objetivo da reunião e não era o momento para interromper o fluxo.
Como eu me lembro,diferentes estruturas estavam sendo sugeridas: os tipos de papéis, o número de papéis e se focar em definições ou problemas-soluções reais. No entanto, até certo ponto sem necessidade razoável de criar uma estrutura fixa, quase todos os fatores poderiam variar. Pareceu uma exploração das possibilidades na forma dos propósitos. Além dos encontros regulares, duas necessidades reais surgiram: facilitar em Portugûes e encontros depois os horários do trabalho. De outra forma, o chamado comum do convite pareceu suficiente.
Depois do Com-Tato, In-Quiet-Ações, e Com-Trato, vem o reforço das ligações de confiança no grupos, ´Alianças e Parcerias´. Para isto formamos pares um dos dois fechou os olhos e o outro guiou o primeiro pelo espaço, com um toque leve na mão e no ombro, para tocar texturas diferentes, como as plantas, a madeira, as paredes, etc. Esta é uma prática rápida e agradável. Como refletimos, alguns perceberam o grau de confiança requerida para fechar nossos olhos e andar adiante, e outros observaram como seus sentidos mudaram de foco, com o vento e os sons parecendo aumentados.

Agora veio o momento sobre o qual eu tinha mais ansiedade — o momento em que poderíamos fazer o nosso primeiro movimento em direção ao que apareceu como nosso sonho compartilhado, mesmo que ainda um pouco ambíguo. Essa etapa aproximou as etapas ´Soluções´ e ´Projetos´da Pedagogia. Faltando 3 minutos para as 13h00 a conversa e os meus interiores pareceram estar serpenteado… uma oferta de espaço…um debate dos formatos. Eu me ofereci para ser o coordenador do espaço, horário e pessoas. Ainda havia hesitação para dar um passo em frente como o próximo facilitador? Isso seria tão surpreendente? Tínhamos, de fato, apressado várias etapas que podem levar horas e dias. Finalmente, eu tornei minha preocupação mais explícita:´então, eu quero saber, quem vai lidar o próximo encontro?´. Carlos deu um passo à frente.
Se festão ou palavra de gratitude, a Pedagogia de Cooperação diz que terminamos em celebração. Então, nós ficamos em pé, erguemos as nossas mãos direitas, seguramos o dedão da pessoa a nossa direita, e oferecemos três palavras como check-out. As palavras foram boas! Gratidão, surpresa, esperança, amizade. Nós contamos até três e jogamos as nossas mãos ao céu, gritando ´ho!´.
Não houve tempo nesse encontro, mas espero que nos próximos possamos incluir conjuntos de aprendizagem ativa para praticar entre as sessões. Foi uma pena eu ter um outro encontro logo depois, e não poder passear mais tempo naquele espaço tão importante do pós-sessão e receber comentários formais e informais. Os comentários que eu recebi foram bons, e os sorrisos adoráveis. O sentimento foi de uma tarefa bem feita e satisfação compartilhada. Porém há uma parte de mim que precisa e quer um olhar crítico. Espero conseguir antes que muito tempo se passe.
A próxima reunião está marcada, e o convite lançado. Sem dúvida, vou receber várias mensagens pelo Whatsapp com a pergunta, ´o que exatamente é isso?!´. Eu espero que eles venham e descubram.
Os meus agradecimentos ao Carlos, Tereza, Rapha, Stephan e Fábio por dar um passo pequeno ao desconhecido e por levar os seus entusiasmos. E ao Lu e Denise por as suas atenções e sugestões no planejamento, e as revisões do texto.
REFERÊNCIAS
Action Learning (Inglês) — https://en.wikipedia.org/wiki/Action_learning
Belbin’s team roles (Inglês) — http://www.belbin.com/about/belbin-team-roles/
Fast Friends — http://www.isegoria.net/2013/02/fast-friends-protocol/
Pedagogy de Cooperação artigo — https://medium.com/educa%C3%A7%C3%A3o-fora-da-caixa/pedagogia-da-coopera%C3%A7%C3%A3o-kit-fora-da-caixa-af7412216513
Pedagogy de Cooperação — http://www.projetocooperacao.com.br/pos-graduacao/pedagogia-da-cooperacao/
Tucker’s group stages (Inglês) — https://www.mindtools.com/pages/article/newLDR_86.htm
ESTRUTURA — por volta de duas horas
5–10min: chegar, encontrar
5–10 min: prática de chegar e ser presente
Andar pelos outros e pelo espaço, rapidamente, olhos para o chão
Andar mais devagar, olhos para o chão, como você se sente?
Andar devagar, olhos para frente, sem reconhecer os outros
Andar devagar, fazer contato visual, um aceno de cabeça
Andar mais devagar, parar, apertar as mãos, sorrir, e contato visual
10min: Orientação, o convite, o foco de hoje, regras de respeito, debate, e não-hierarquia. A minha motivação, experiência e formação. Comunicar claramente os assuntos e a estruturas sugeridos. A imagem da treliça com plantas — uma estrutura fixa que cria um espaço para a vida orgânica, não determinada, e responsiva. O aprendizado e a fazer de formação de grupos no mesmo momento.
(5 + 5) + 5min: Quebra-gelo, reflexão (etapa do contato)
Escolher uma pergunta, ou mais, perguntar e prestar atenção.
Amigos Rápidos:Você quer ser famoso? Como? Você tem algum palpite segredo como você vai morrer? Qual é a sua memória mais preciosa? O que amizade significa para você?
5–10min: introduzir o foco de hoje, formação de grupos
Há tantos métodos e plataformas para organizar as nossas tarefas, mas queremos formar um grupo. As 5 etapas de Tucker não deixam espaço para criar sonhos compartilhados, e são lineares. Os 9 papéis de Belbin não funcionam tão bem quando papéis e tarefas mudam em cada encontro. Tem vários provas de personalidade, mas as pessoas no grupo vão mudar.
Esse Grupo vai mudar, as tarefas, o número, os assuntos — como respondemos? Sonhos e narrativas compartilhadas nos coordenam.
10min: Big idea -
Explica A Pedagogia da Cooperação, Brotto. Princípios, Processos, Práticas e Procedimentos.
Já tinha Com-Tato
30min?: In-Quiet-Ações — O que trouxe você hoje? O que fez os seus olhos brilharem? Escrever no post-its e colocar na folha. Ver e refletir.
10min: Com-Trato- Preocupações, necessidades, para ser uma parte desse grupo? Confidencialidade, pontualidade, confiança, paciência, tempo, local, coordenação, uso de telefones, fotos, ar-condicionado. Na folha.
5+5min: Aliancas — jogo pequeno em pares. Olhos fechados, um guia o outro pelo espaço e para tocar as várias texturas. Refletir.
10min: Soluções-Projetos — como encontrar os nossos sonhos compartilhados? Como fazer? Eu posso facilitar tempo, lugar, pessoas, contato. Alguém pode lidar o próximo encontro, escrever sobre esse encontro? Vou mandar links e materiais.
5–10min: Celebração-roda de palavras sobre o encontro. nós ficamos em pé, erguemos as nossas mãos direitas, seguramos o dedão da pessoa aos nosso direitas, e oferecemos três palavras como check-out. Nós contamos a três e jogamos as nossas mãos ao céu, gritando ´ho!´
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