O Oscar de $5 dólares e a estatueta de $500

Por Tom Carvalho, D.A. da Tritone

A 88ª cerimônia do Oscar, realizada no último fim de semana, sem dúvida foi o assunto mais comentado no mundo. E a internet está aí para nos mostrar isso: além da expectativa de quem ganharia cada categoria, a campanha #UnidosporLeo, em prol do Leonardo DiCaprio, ganhou grande destaque nas redes. Após ser premiado, só no Twitter, tivemos mais de 440 tweets por minuto.

Mas, afinal, de onde surgiu o famoso Oscar que tanto Leonardo DiCaprio queria?

Em 16 de maio de 1929, no Hotel Roosevelt em Hollywood, o Ator Douglas Fairbanks apresentava a primeira entrega dos Prêmios da Academia. Durou apenas 15 minutos e foram entregues 15 estatuetas. Todos já conheciam os vencedores há três meses, o jantar foi organizado apenas para entrega do prêmio e o ingresso custou apenas $5 dólares.

A premiação foi criada pela Academia para promover seus filmes e honrar o desempenho de atores, atrizes, diretores e outros cineastas envolvidos na realização. No início contava com 36 membros, hoje passa dos 5 mil.

O escolhido para desenhar a estatueta foi Cedric Gibbons, diretor de arte do estúdio Metro-Goldwyn-Mayer, ou MGM, que tem como logo um leão rugindo envolto por um círculo com o lema do estúdio “Ars Gratia Artis”, que significa “Arte pela arte”. Esse logo foi feito por Howard Dietz em 1916 para a Goldwyn Pictures e usada em 1924 para representar a MGM.

As primeiras estatuetas foram produzidas em bronze, depois, durante a Segunda Guerra Mundial, os troféus começaram a ser feitos de gesso devido à escassez de metais, sendo logo substituídos pelas atuais figuras banhadas a ouro e prata. A composição da estatueta era de 92,5% de estanho e 7,5% de cobre, banhada em platina e ouro de 24 quilates, medindo 34,29 cm e pesando 3,85 kg.

Cedric desenhou um cavaleiro segurando uma espada à frente do seu corpo, sobre um pedestal em forma de um rolo de filme. A estatueta do Oscar era um cavaleiro das cruzadas com sua espada e os cinco raios que saiam dela representam as cinco áreas originais da Academia: diretores, atores, escritores, produtores e técnicos. Seu valor era estimado em US$ 500, porém, simbólico e incomensurável para quem a ganha. Nela também é impressa um número de série e, tecnicamente, não pode ser vendida. Os vencedores, inclusive, assinam um termo que determina que a primeira oferta de venda sempre deve ser feita para a Academia por U$1. Assim, eles sempre terão o direito de comprar o prêmio primeiro e ninguém leiloar a estatueta. Essa regra existe desde 1950, então, aquelas recebidas antes deste ano podem ser encontradas no mercado livre? Quem sabe!

George Stanley esculpiu a ideia de Cedric, que fez o primeiro esboço em um guardanapo da boate Brown Derby. Desde 1982, as estatuetas são fabricadas à mão pela R.S. Owens da Companhia de Chicago.

Brown Derby Restaurant. Kodachrome by Chalmers Butterfield

Ah, claro, quase me esqueço de mencionar o motivo pelo qual o The Academy Awards tem o apelido mundialmente de Oscar. Existem algumas como a de Margaret Herrick, na época secretária executiva da Academia que, ao ver a estatueta, teria comentado que ela se parecia com o seu tio Oscar. Um historiador checou a veracidade dessa lenda e descobriu que Margaret não tinha um tio e, sim, um primo com esse nome. Dizem também que o batismo de Oscar foi do colunista Sidney Skolsky, que usou o nome na imprensa em 1934 ao se referir ao prêmio de melhor atriz recebido por Katharine Hepburn. A atriz Bette Davis também dizia ser autora do nome, pois quando a viu de trás, a estatueta lembrava seu marido, o trompetista Harmon Oscar Nelson. No fim, em 1939, a Academia assumiu o nome e passou a usá-lo oficialmente.

Bette Davis e Harmon Oscar Nelson

Veja algumas curiosidades sobre as premiações:

· Nos primeiros anos das premiações, as crianças vencedoras ganhavam estatuetas em miniatura.

· Em 1937, o ventríloquo Edgar Bergen e seu boneco, Charlie McCarthy, ganharam um Oscar (personalizado, feito em madeira e com uma boca articulável) por atuação especial.

· Walt Disney foi honrado pela Academia com um Oscar em tamanho normal e sete estatuetas em miniatura, pela obra “Branca de Neve e os Sete Anões”.

· Os maiores perdedores do Oscar foram Momento de Decisão (1977) e A Cor Púrpura (1985). As duas produções empolgaram os eleitores da Academia, conquistando 11 indicações cada, mas não ganharam nenhuma.

· Premiado 4 vezes, Woody Allen com Blue Jasmine (2013) conquista sua 24ª indicação ao Oscar. Porém, a única vez em que Allen apareceu na cerimônia foi em 2002, ano em que não estava nomeado. Na ocasião, ele prestou uma homenagem às vítimas do 11 de setembro e pediu que os diretores continuassem gravando em Nova York.

· A única pessoa chamada Oscar a ganhar um Oscar foi o compositor Oscar Hammerstein II. E ele venceu duas vezes! The Last Time I Saw Paris, do filme Se Você Fosse Sincera, foi a Melhor Canção Original de 1941, e It Might as Well Be Spring, de State Fair, a melhor de 1945.

· A artista mais jovem a vencer o Oscar foi Tatum O’neal, que aos 10 anos foi premiada como Melhor Atriz Coajudvante de 1974 por seu trabalho em Lua de Papel. O mais velho foi Christopher Plummer, de 82 anos, como Melhor Ator Coadjuvante de 2012, por Toda Forma de Amor.

· Em 2003, um brasileiro se apresentou nos shows da cerimônia do Oscar: o Caetano Veloso. O cantor interpretou Burn it Blue, tema do filme Frida, na companhia da mexicana Lila Downs. A música havia sido indicada a Melhor Canção Original, mas perdeu para Lose Yourself, do Eminem, da trilha sonora de 8 Mile.

· Em 86 edições do Oscar, apenas três filmes já conquistaram o “Big Five”. O apelido é dado para as cinco principais categorias da premiação: melhor filme, diretor, ator, atriz e roteiro. Os grandes vencedores foram Aconteceu Naquela Noite (1935), Um Estranho no Ninho (1976) e O Silêncio dos Inocentes (1992).

· Quando recebeu o Oscar de Melhor Ator, em 1993, por interpretar um homossexual em Filadélfia, Tom Hanks agradeceu ao seu treinador do Ensino Médio, que tinha sido uma de suas principais inspirações. O professor não era assumido, e o mundo inteiro descobriu seu segredo ao vivo. Seria a inspiração para o filme Será Que Ele É?

· A única produção brasileira a levar um Oscar foi Orfeu Negro, que ganhou a categoria de Melhor Filme Estrangeiro em 1960. Só que a Academia reconhece o título como francês. Na verdade, ele é uma produção ítalo-franco-brasileira.

· O Oscar tem mais de 6 mil eleitores, mas a única brasileira com direito de voto é Fernanda Montenegro. Nossos outros conterrâneos que podem votar são o roteirista Bráulio Mantovani, os diretores Hector Babenco e Fernando Meirelles, os cineastas Bruno Barreto e Walter Salles, e o editor Daniel Rezende.

· Para fazer parte da Academia, é necessário já ter sido indicado ao Oscar. Nas categorias principais (atriz, filme, etc.). Nas técnicas, além da indicação, é preciso receber dois convites de outros integrantes. Cada pessoa pode votar na categoria em que foi indicado e na de Melhor Filme. Todos os membros precisam pagar uma anuidade de 250 dólares, e nem todo mundo faz isso.

· Ninguém nunca ganhou tantos Oscars quanto Walt Disney. Ele venceu 22 das 59 categorias em que foi nominado, além de ter recebido quatro premiações honorárias. Ao todo, são 26 estatuetas!

É isso. Obrigado pela leitura. ;)